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Nem Trump nem Europa freiam a China: exportações verdes saltam 52%

Pequim rompe barreiras comerciais com US$ 118 bilhões em exportações verdes. Brasil tem papel de destaque

Por Ernesto Neves Materia seguir SEGUIR Materia seguir SEGUINDO 29 jul 2026, 12h25 | Atualizado em 29 jul 2026, 14h36
Nem Trump nem Europa freiam a China: exportações verdes saltam 52% Priorizar nos meus resultados Google

Nem as tarifas impostas pelos Estados Unidos nem as barreiras comerciais da União Europeia frearam o avanço da indústria chinesa de tecnologias limpas.

As exportações de veículos elétricos, baterias de lítio e células solares cresceram 51,6% no primeiro semestre, para US$ 118,4 bilhões, consolidando esses setores como um dos principais motores da economia chinesa.

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Os dados, divulgados pela Administração Geral das Alfândegas da China, mostram que as chamadas “novas três” indústrias continuam ganhando espaço na pauta exportadora do país.

É uma estratégia de Pequim para reduzir a dependência do setor imobiliário e fortalecer segmentos considerados estratégicos para a disputa tecnológica com o Ocidente.

Carros elétricos puxam crescimento

Os veículos elétricos lideraram a expansão.

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As exportações do setor avançaram 75,1% no primeiro semestre, alcançando US$ 52,1 bilhões. Apenas em junho, os embarques superaram a marca de 1 milhão de unidades pela primeira vez.

As baterias de lítio registraram crescimento de 42,7%, para US$ 48,7 bilhões. Já as exportações de células solares aumentaram 24%, somando US$ 16,5 bilhões no semestre e voltando ao terreno positivo em junho, após um período de excesso de oferta e queda dos preços internacionais.

O desempenho reforça a liderança chinesa na cadeia global da transição energética.

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Segundo a Agência Internacional de Energia (IEA), o país concentra mais de 80% da capacidade mundial de fabricação de painéis solares, cerca de 70% da produção de baterias de íons de lítio e domina a cadeia de processamento de minerais críticos usados na eletrificação da economia.

Inteligência artificial impulsiona indústria

A expansão não se limitou às tecnologias verdes.

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A demanda global por infraestrutura para inteligência artificial impulsionou as exportações chinesas de circuitos integrados, que cresceram 96,1% no primeiro semestre. As vendas de computadores avançaram 41,3%.

Segundo analistas, parte desse crescimento reflete a venda de equipamentos de maior valor agregado, diante da corrida global por data centers, chips e infraestrutura para inteligência artificial.

China busca novos mercados

O avanço ocorre em um momento de crescente pressão comercial sobre a indústria chinesa.

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Estados Unidos e União Europeia elevaram tarifas sobre veículos elétricos fabricados na China, alegando concorrência desleal provocada pelos subsídios concedidos por Pequim.

Em resposta, fabricantes chineses aceleraram a diversificação dos mercados de destino.

Em junho, as exportações para os países da Associação das Nações do Sudeste Asiático (Asean) cresceram 36,8%. As vendas para a Índia avançaram 40,8%, enquanto os embarques para países africanos aumentaram 28%.

As exportações para os Estados Unidos continuaram crescendo, mas em ritmo menor, enquanto os embarques para a União Europeia voltaram a acelerar apesar das disputas comerciais.

Brasil ganha peso na estratégia chinesa

O Brasil também vem assumindo um papel cada vez mais relevante nessa expansão.

Além de permanecer como o principal fornecedor chinês de soja, minério de ferro e petróleo entre os países latino-americanos, o mercado brasileiro tornou-se um dos principais destinos da indústria automotiva chinesa.

O crescimento das importações de veículos eletrificados foi impulsionado pela expansão de montadoras como BYD, GWM e Geely.

Também entra na equação a corrida de importadores para antecipar embarques antes da elevação gradual das tarifas de importação sobre carros elétricos.

Dados recentes mostram que o Brasil se consolidou entre os maiores compradores mundiais de veículos produzidos na China.

Ao mesmo tempo, a relação comercial entre os dois países segue em patamar recorde.

A China continua sendo, com ampla vantagem, o principal parceiro comercial do Brasil, respondendo por cerca de um terço das exportações brasileiras, enquanto amplia sua participação nas importações de bens industriais e de maior intensidade tecnológica.

Exportações sustentam economia chinesa

O desempenho reforça o papel das exportações como um dos principais pilares da economia chinesa.

Com o consumo interno ainda enfraquecido e o mercado imobiliário distante dos níveis anteriores à crise, Pequim intensificou os investimentos em manufatura de alta tecnologia para sustentar o crescimento econômico.

Analistas do Citic Securities avaliam que a vantagem de custos da indústria chinesa deve continuar impulsionando as exportações no segundo semestre.

No entanto, as negociações comerciais com a União Europeia e a persistência das tensões geopolíticas no Oriente Médio mantenham riscos para o comércio internacional e para as cadeias globais de suprimentos.

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