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Jodie Foster, a píton de 23 anos que virou pioneira no tratamento contra o câncer

Cobra de 4,5 metros foi submetida a uma técnica usada em humanos para combater um tumor maligno na mandíbula

Por Simone Blanes Materia seguir SEGUIR Materia seguir SEGUINDO 22 ago 2026, 09h00
Jodie Foster, a píton de 23 anos que virou pioneira no tratamento contra o câncer Priorizar nos meus resultados Google

Ela tem 50 quilos, 4,5 metros de comprimento e um nome de estrela de Hollywood. Mas a fama de Jodie Foster, uma píton-reticulada de 23 anos que vive no zoológico de Chester, na Inglaterra, acaba de ganhar um capítulo bem mais extraordinário: ela pode ser a primeira cobra do mundo a receber eletroquimioterapia, um tratamento contra o câncer que também é utilizado em pacientes humanos.

A história começou quando os tratadores perceberam que Jodie estava comendo menos e passava mais tempo parada em seu recinto. Os exames revelaram um fibrossarcoma, tumor maligno que havia se instalado em sua mandíbula. A massa foi retirada cirurgicamente, mas voltou algum tempo depois e começou a avançar sobre o osso.

Foi então que os veterinários precisaram ir além da cirurgia convencional. “Quando o tumor voltou e começou a destruir parte do osso da mandíbula, sabíamos que uma nova cirurgia, sozinha, provavelmente não seria suficiente”, explicou Ian Ashpole, veterinário do zoológico.

A preocupação era especialmente grave para uma píton. As cobras dessa espécie conseguem deslocar as estruturas da mandíbula para engolir presas muitas vezes maiores do que a própria cabeça. Um tumor naquela região não ameaçava apenas a saúde de Jodie, mas também sua capacidade de se alimentar — e, consequentemente, sua própria sobrevivência.

Uma mesa de cirurgia do tamanho de uma cama

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O tamanho da paciente foi apenas um dos desafios. Jodie era grande demais para qualquer mesa cirúrgica disponível no zoológico. A solução foi juntar duas delas, formando uma plataforma praticamente do tamanho de uma cama de casal. A píton foi anestesiada dentro do próprio recinto e cuidadosamente transportada até o centro veterinário do zoológico. O procedimento durou cerca de 90 minutos.

Primeiro, Ashpole removeu novamente a massa cancerosa e parte do osso da mandíbula que estava comprometido. Depois veio a etapa considerada pioneira: a eletroquimioterapia, adaptada para uma cobra com a colaboração de especialistas em oncologia.

A técnica combina o uso de antibiótico com pulsos elétricos cuidadosamente controlados aplicados diretamente na região do tumor. Esses pulsos alteram temporariamente a permeabilidade das células cancerosas, permitindo que o medicamento penetre nelas de maneira mais eficiente. “Até onde sabemos, esta é a primeira vez que o tratamento é utilizado em uma cobra”, afirmou Ashpole. Segundo ele, a equipe precisou trabalhar com especialistas em câncer para adaptar o procedimento às características de Jodie.

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De volta ao seu jeito “briguento”

Meses depois da intervenção, os sinais são animadores. Jodie voltou a comer normalmente e, segundo os tratadores, recuperou seu comportamento habitual — descrito pela equipe como “brilhante e cheio de atitude”. E os profissionais do zoológico observaram algo importante: Jodie continua conseguindo atacar, agarrar e engolir a comida sem dificuldade, exatamente como fazia antes da doença.

Uma avaliação realizada nesta semana também não encontrou sinais de que o câncer tenha retornado. Para Jose Alvarez Picornell, do departamento de ciência clínica de pequenos animais da Universidade de Liverpool, o caso representa mais do que a recuperação de uma única paciente. A experiência poderá ajudar a ampliar o conhecimento sobre tratamentos contra o câncer em animais.

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“É um tratamento emergente e esta foi a primeira vez que ele foi utilizado em uma cobra”, afirmou Picornell. Para ele, o resultado mostra a força da colaboração entre veterinários, pesquisadores e especialistas em oncologia.

A equipe pretende publicar formalmente os detalhes do procedimento para que outros veterinários possam conhecer a experiência e, eventualmente, aperfeiçoar a técnica para outros animais.

Por que Jodie Foster?

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Sobre o nome da paciente, há uma curiosidade quase cinematográfica. Quando Jodie chegou ao zoológico, sua documentação trazia as iniciais “JF”, abreviação de juvenile female — “fêmea jovem”. Os funcionários acabaram transformando as letras no nome da atriz Jodie Foster.

Aos 23 anos, a píton com nome de estrela agora também entra para a história da medicina veterinária, já que ajudou a escrever um novo capítulo no tratamento do câncer em animais.

Jodie Foster: duas camas cirúrgicas para o tamanho da cobra
Jodie Foster: duas camas cirúrgicas para o tamanho da cobra (Chester zoo/Cover Images/Divulgação)
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