Infraestrutura para carros elétricos exigirá R$ 5,4 bilhões em investimentos no Brasil até 2035
Estudo de C40 e IFC estima que número de carregadores públicos precisará quintuplicar em dez anos; Rio aparece como exemplo
Por Ernesto Neves
O Brasil precisará investir cerca de US$ 980 milhões (R$ 5,4 bilhões) para expandir sua infraestrutura pública de recarga de veículos elétricos até 2035, segundo estudo divulgado nesta quinta-feira pela C40 Cities e pela International Finance Corporation (IFC).
A projeção faz parte de uma análise sobre o avanço da mobilidade elétrica em quatro grandes economias emergentes: Brasil, Colômbia, México e Índia.
De acordo com o relatório, o número de carregadores públicos no Brasil deverá saltar dos atuais 17 mil para cerca de 86 mil em 2035.
O crescimento acompanha a expansão das vendas de veículos elétricos, que já representaram 6,5% dos automóveis novos comercializados no país em 2025.
A estimativa é que, somados, os quatro países precisem investir mais de US$ 3,8 bilhões (R$ 20,9 bilhões) em infraestrutura de recarga na próxima década.
A maior fatia ficará com a Índia, que demandará US$ 1,9 bilhão (R$ 10,5 bilhões), seguida pelo Brasil, México e Colômbia.
Crescimento da frota pressiona expansão da rede
O estudo aponta que a adoção de veículos elétricos acelerou significativamente desde 2021 nos quatro mercados analisados, impulsionada pela ampliação da oferta de modelos, incentivos públicos e redução dos custos tecnológicos.
As vendas anuais conjuntas passaram de cerca de 40 000 veículos em 2021 para aproximadamente 1 milhão em 2025.
Apesar desse avanço, a infraestrutura de recarga ainda é considerada insuficiente e concentrada em grandes centros urbanos.
Segundo os autores, a falta de carregadores acessíveis e confiáveis continua sendo uma das principais barreiras para a popularização dos veículos elétricos em economias emergentes.
Além disso, investidores enfrentam o desafio de antecipar a demanda. Caso a adoção dos veículos avance em ritmo inferior ao esperado, estações de recarga podem operar com baixa utilização, reduzindo receitas e prolongando o retorno financeiro dos projetos.
Rio de Janeiro vira vitrine de políticas municipais
Entre os casos analisados, o Rio de Janeiro aparece como um dos exemplos de atuação municipal para estimular a instalação de infraestrutura de recarga.
O relatório destaca iniciativas como o Sandbox.Rio, programa que permite a realização de testes regulatórios e projetos-piloto voltados à inovação urbana. A prefeitura também tem disponibilizado ativos públicos para facilitar a instalação de carregadores e apoiar projetos de eletrificação do transporte coletivo.
A avaliação dos autores é que, embora governos nacionais controlem aspectos como tarifas de energia, regulação elétrica e padrões técnicos, as administrações municipais podem desempenhar papel decisivo na expansão da infraestrutura.
O papel das cidades
O estudo identifica três frentes de atuação consideradas estratégicas para as cidades.
A primeira é o uso de instrumentos de planejamento urbano e gestão do espaço público para facilitar a instalação de carregadores.
A segunda envolve a eletrificação de ônibus e frotas públicas, criando demanda capaz de atrair investimentos privados.
Já a terceira consiste na criação de estruturas de governança que acelerem licenças, articulem diferentes órgãos e reduzam entraves burocráticos.
Além do Rio, o relatório cita experiências de Bogotá, Cidade do México e Pune como exemplos de iniciativas locais voltadas à expansão da mobilidade elétrica.
Mercado avança, mas desafios permanecem
O estudo aponta que a infraestrutura pública de recarga vem crescendo rapidamente no mundo. Segundo dados da Agência Internacional de Energia, o número de pontos públicos ultrapassou 5 milhões em 2024, mais que o dobro do registrado em 2022.
Mesmo nos mercados mais desenvolvidos, porém, persistem desafios relacionados à capacidade das redes elétricas, à expansão da infraestrutura para veículos pesados e à distribuição geográfica equilibrada dos carregadores.
A avaliação dos autores é que a próxima fase da mobilidade elétrica dependerá não apenas da venda de veículos, mas da capacidade de governos e investidores de ampliar a rede de recarga em velocidade suficiente para acompanhar a demanda crescente.







