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Infraestrutura para carros elétricos exigirá R$ 5,4 bilhões em investimentos no Brasil até 2035

Estudo de C40 e IFC estima que número de carregadores públicos precisará quintuplicar em dez anos; Rio aparece como exemplo

Por Ernesto Neves Materia seguir SEGUIR Materia seguir SEGUINDO 12 jun 2026, 12h09 | Atualizado em 12 jun 2026, 12h11
Infraestrutura para carros elétricos exigirá R$ 5,4 bilhões em investimentos no Brasil até 2035 Priorize VEJA no Google
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O Brasil precisará investir cerca de US$ 980 milhões (R$ 5,4 bilhões) para expandir sua infraestrutura pública de recarga de veículos elétricos até 2035, segundo estudo divulgado nesta quinta-feira pela C40 Cities e pela International Finance Corporation (IFC).

A projeção faz parte de uma análise sobre o avanço da mobilidade elétrica em quatro grandes economias emergentes: Brasil, Colômbia, México e Índia.

De acordo com o relatório, o número de carregadores públicos no Brasil deverá saltar dos atuais 17 mil para cerca de 86 mil em 2035.

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O crescimento acompanha a expansão das vendas de veículos elétricos, que já representaram 6,5% dos automóveis novos comercializados no país em 2025.

A estimativa é que, somados, os quatro países precisem investir mais de US$ 3,8 bilhões (R$ 20,9 bilhões) em infraestrutura de recarga na próxima década.

A maior fatia ficará com a Índia, que demandará US$ 1,9 bilhão (R$ 10,5 bilhões), seguida pelo Brasil, México e Colômbia.

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Crescimento da frota pressiona expansão da rede

O estudo aponta que a adoção de veículos elétricos acelerou significativamente desde 2021 nos quatro mercados analisados, impulsionada pela ampliação da oferta de modelos, incentivos públicos e redução dos custos tecnológicos.

As vendas anuais conjuntas passaram de cerca de 40 000 veículos em 2021 para aproximadamente 1 milhão em 2025.

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Apesar desse avanço, a infraestrutura de recarga ainda é considerada insuficiente e concentrada em grandes centros urbanos.

Segundo os autores, a falta de carregadores acessíveis e confiáveis continua sendo uma das principais barreiras para a popularização dos veículos elétricos em economias emergentes.

Além disso, investidores enfrentam o desafio de antecipar a demanda. Caso a adoção dos veículos avance em ritmo inferior ao esperado, estações de recarga podem operar com baixa utilização, reduzindo receitas e prolongando o retorno financeiro dos projetos.

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Rio de Janeiro vira vitrine de políticas municipais

Entre os casos analisados, o Rio de Janeiro aparece como um dos exemplos de atuação municipal para estimular a instalação de infraestrutura de recarga.

O relatório destaca iniciativas como o Sandbox.Rio, programa que permite a realização de testes regulatórios e projetos-piloto voltados à inovação urbana. A prefeitura também tem disponibilizado ativos públicos para facilitar a instalação de carregadores e apoiar projetos de eletrificação do transporte coletivo.

A avaliação dos autores é que, embora governos nacionais controlem aspectos como tarifas de energia, regulação elétrica e padrões técnicos, as administrações municipais podem desempenhar papel decisivo na expansão da infraestrutura.

O papel das cidades

O estudo identifica três frentes de atuação consideradas estratégicas para as cidades.

A primeira é o uso de instrumentos de planejamento urbano e gestão do espaço público para facilitar a instalação de carregadores.

A segunda envolve a eletrificação de ônibus e frotas públicas, criando demanda capaz de atrair investimentos privados.

Já a terceira consiste na criação de estruturas de governança que acelerem licenças, articulem diferentes órgãos e reduzam entraves burocráticos.

Além do Rio, o relatório cita experiências de Bogotá, Cidade do México e Pune como exemplos de iniciativas locais voltadas à expansão da mobilidade elétrica.

Mercado avança, mas desafios permanecem

O estudo aponta que a infraestrutura pública de recarga vem crescendo rapidamente no mundo. Segundo dados da Agência Internacional de Energia, o número de pontos públicos ultrapassou 5 milhões em 2024, mais que o dobro do registrado em 2022.

Mesmo nos mercados mais desenvolvidos, porém, persistem desafios relacionados à capacidade das redes elétricas, à expansão da infraestrutura para veículos pesados e à distribuição geográfica equilibrada dos carregadores.

A avaliação dos autores é que a próxima fase da mobilidade elétrica dependerá não apenas da venda de veículos, mas da capacidade de governos e investidores de ampliar a rede de recarga em velocidade suficiente para acompanhar a demanda crescente.

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