Governo libera R$ 1,4 bilhão e monta plano contra avanço do El Niño
União reforça ações de prevenção, amplia estoques de arroz e milho e tenta reduzir impacto de enchentes e perdas agrícolas
O governo federal anunciou nesta quarta-feira, 29, um pacote de medidas para preparar o país para os impactos do El Niño, fenômeno climático que deve provocar chuvas acima da média no Sul, estiagens em parte do Norte e Nordeste e pressionar a produção agrícola nos próximos meses.
Entre as ações, foram liberados R$ 1,4 bilhão do Orçamento para obras emergenciais, prevenção de desastres e resposta a eventos climáticos extremos.
O governo também determinou a ampliação dos estoques públicos de arroz e milho para reduzir riscos de desabastecimento e conter oscilações nos preços dos alimentos.
O anúncio foi feito pela ministra da Casa Civil, Miriam Belchior, após reunião ministerial coordenada pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
+ El Niño atinge intensidade jamais vista para julho e reforça risco de evento histórico
Estoques para conter alta dos alimentos
Além das ações emergenciais, o governo pretende reforçar os estoques reguladores administrados pela Companhia Nacional de Abastecimento (Conab).
A estratégia busca aumentar a capacidade de intervenção do governo caso eventos climáticos extremos prejudiquem a produção agrícola e provoquem alta dos preços, principalmente de alimentos básicos.
Os estoques públicos vêm sendo recompostos desde 2024, após atingirem os menores níveis das últimas décadas. Segundo a Conab, a política de formação de estoques voltou a ganhar importância diante da maior frequência de eventos climáticos extremos associados às mudanças climáticas.
Fenômeno preocupa autoridades
O anúncio ocorre em um momento de crescente preocupação com a evolução do El Niño.
Modelos climáticos nacionais e internacionais indicam que o fenômeno poderá atingir intensidade excepcional ainda neste ano. Segundo a MetSul Meteorologia, o aquecimento das águas do Oceano Pacífico já alcançou níveis inéditos para o mês de julho, aumentando a probabilidade de um dos episódios mais intensos da série histórica.
A Administração Nacional Oceânica e Atmosférica dos Estados Unidos (NOAA) também monitora a rápida intensificação do fenômeno, embora ressalte que sua evolução dependerá das condições atmosféricas nos próximos meses.
Risco de enchentes e perdas agrícolas
No Brasil, os efeitos do El Niño variam conforme a região.
A previsão é de chuvas acima da média e maior frequência de temporais no Sul, elevando o risco de enchentes, deslizamentos e prejuízos à infraestrutura.
No Norte e em parte do Nordeste, o fenômeno costuma reduzir o volume de chuvas, favorecendo estiagens, dificuldades no abastecimento de água e impactos sobre a agricultura.
Além dos danos à infraestrutura, especialistas alertam para possíveis reflexos sobre a inflação dos alimentos. Eventos climáticos extremos podem comprometer safras, reduzir a oferta de produtos agrícolas e pressionar preços ao consumidor.
Plano envolve diferentes ministérios
As medidas fazem parte de uma estratégia coordenada entre diferentes áreas do governo federal, incluindo Casa Civil, Integração e Desenvolvimento Regional, Agricultura, Desenvolvimento Agrário, Fazenda e Defesa Civil Nacional.
Segundo o governo, os recursos serão destinados tanto à prevenção quanto à resposta a desastres, incluindo recuperação de infraestrutura, assistência à população atingida e apoio ao setor agropecuário.
A expectativa é que novas ações sejam anunciadas à medida que o cenário climático evolua ao longo do segundo semestre.







