Governo começa obras de contenção de erosão na Ilha do Cardoso
Intervenção, avaliada em 12 milhões de reais, é uma resposta a uma demanda da sociedade e do Ministério Público
No início do ano, o Ministério Público pediu a intervenção urgente do governo do estado paulista na Ilha do Cardoso, em Cananéia, ao constatar degradação solo preocupante para o ecossistema e para os moradores. Havia forte ameaça do avanço do mar sobre a restinga, podendo levar ao rompimento da faixa de terra firme entre o oceano e o estuário, no chamado Estreito do Melão. Isso levaria a divisão da ilha em duas partes. A erosão completa da barreira alteraria as correntes marinhas e isolaria as comunidades caiçaras e indígenas da região. As obras para evitar esse desastre ambiental e social começaram nesta semana.
A Ilha do Cardoso, localizada em Cananéia e integralmente protegida pelo Parque Estadual, abriga cerca de 400 moradores distribuídos entre comunidades caiçaras e aldeias indígenas, que mantêm modos de vida tradicionais há aproximadamente dois séculos. Segundo a ação, nas últimas décadas o território sofreu intensos processos erosivos, agravados pela elevação do nível do mar e por eventos climáticos extremos associados às mudanças climáticas. Em 2018, o rompimento de um esporão arenoso levou à abertura de uma nova barra no Canal do Ararapira, alterando a configuração da ilha e forçando a realocação de comunidades como Vila Rápida e Enseada da Baleia.
A intervenção, desenvolvida pela Fundação Florestal e pela SP Águas, vai recompor e estabilizar o cordão arenoso na área afetada pela dinâmica costeira em Cananéia, com investimento de cerca de R$ 12 milhões. “A intervenção é um marco para os moradores”, diz Jorge Cardoso, engenheiro ambiental, caiçara e morador da Enseada da Baleia, comunidade que precisou ser realocada em 2017 devido ao avanço do mar. “Existe um vínculo afetivo das pessoas com o território. A intervenção representa uma resposta a uma demanda construída coletivamente”, afirma.
Nesta fase, as equipes iniciam a dragagem e o reposicionamento controlado de sedimentos em pontos previamente definidos pelos estudos técnicos. A técnica consiste na retirada e na redistribuição planejada de material arenoso para recompor a faixa afetada pela erosão e aumentar sua estabilidade diante da dinâmica costeira local.







