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Geladeira e ar-condicionado: compras públicas podem reduzir emissão de CO2

Estudo mostrou que, em uma década, 46.000 toneladas de CO2 deixariam de ser lançadas na atmosfera com a substituição por aparelhos mais eficientes

Por Jennifer Ann Thomas 19 jul 2021, 15h46

Todos os anos, o governo federal gasta, em média, 100 milhões de reais na compra de aparelhos de ar-condicionado e geladeiras. No estado de São Paulo, o valor gasto nos mesmos equipamentos gira em torno de 14 milhões de reais anualmente. No entanto, os produtos adquiridos pelos poderes públicos não correspondem às classes mais altas de eficiência energética do mercado internacional.

No estudo “Como geladeiras e aparelhos de ar-condicionado mais eficientes podem ajudar o governo a gastar menos?”, realizado pelo Instituto Escolhas, verificou-se que a compra de aparelhos de ar-condicionado e geladeiras adequados aos padrões internacionais poderia trazer uma economia importante nos gastos públicos federais e do estado de São Paulo, além de reduzir as emissões de CO2 geradas pelo uso de aparelhos defasados.

De acordo com a gerente de Projetos e Produtos do Instituto Escolhas, Larissa Rodrigues, o estado é um grande consumidor destes produtos. “Além de ser um comprador, ele é o responsável por fazer as políticas de compras, de bens e serviços e de eficiência energética. O estado exerce o papel de consumidor e define as diretrizes para as regras do mercado, o que pode incentivar a disponibilidade de aparelhos mais eficientes”, afirmou.

Segundo o levantamento feito pelo Instituto Escolhas, 108 GWh de energia elétrica deixariam de ser consumidos pelo governo federal em uma década. Ao mesmo tempo, 55.000 residências poderiam ser atendidas com eletricidade durante um ano. Com a substituição por equipamentos mais eficientes, 84 milhões de reais em contas de luz seriam poupados para os cofres públicos ao longo de uma década — comparativamente, 723.000 pessoas poderiam ser vacinadas contra a covid-19 com o valor economizado. Em relação às emissões de gases de efeito estufa, 46.000 toneladas de CO2 deixariam de ser lançadas na atmosfera em uma década, o equivalente a tirar 16.000 veículos das ruas durante um ano. Por fim, 84% do valor investido na compra dos aparelhos seriam recuperados com a economia de eletricidade.

O estudo vem no momento em que o país atravessa as crises hídrica e energética. “Há 20 anos, quando tivemos a grande crise energética, foi necessário racionar energia, trocar lâmpadas e consumir menos. Contudo, a eficiência energética foi esquecida e nunca se tornou prioridade. Com este estudo, temos uma forma de mostrar que não basta o governo pedir só para a população economizar energia, mas ele também precisa ser um consumidor eficiente e ajudar na resolução dessa crise”, disse Rodrigues.

Neste sentido, como o mercado brasileiro não tem produtos mais eficientes à disposição dos consumidores, a responsabilidade não pode ficar somente na esfera das ações individuais. “O mais consciente dos consumidores não encontrará um equipamento mais eficiente no mercado. Não adianta dizer para o consumidor que ele precisa trocar os aparelhos que têm em casa”, afirmou Rodrigues. De acordo com ela, é necessário trabalhar para uma integração entre a política industrial, o planejamento para eficiência energética e a combinação entre os ministérios de Minas e Energia com o de Economia.

Além de ser um bom investimento para os governos públicos e para os cidadãos, a troca vai trazer benefícios para o planeta. “Toda redução de consumo de energia, além de pesar menos no bolso, significa que uma nova energia não será gerada para ser consumida. Isso também se reflete em redução de emissões de gases de efeito estufa que seriam emitidas”, explicou Rodrigues.

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