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Fotos: A devastação provocada pelas ondas de calor nas geleiras dos Alpes

Calor extremo elimina a cobertura de neve semanas antes do normal na cordilheira europeia

Por Ernesto Neves Materia seguir SEGUIR Materia seguir SEGUINDO 3 jul 2026, 08h08 | Atualizado em 3 jul 2026, 09h31
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As sucessivas ondas de calor que atingiram a Europa nas últimas semanas anteciparam em cerca de um mês o derretimento da neve que protege as geleiras dos Alpes suíços.

Com a camada de neve praticamente desaparecida ainda em junho, cientistas alertam que o continente entrou precocemente na fase mais crítica da temporada de degelo, aumentando o risco de perdas históricas de gelo ao longo do verão.

Segundo pesquisadores da universidade suíça ETH Zurich, as geleiras já apresentam condições normalmente observadas apenas em agosto.

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A situação é considerada especialmente preocupante porque, sem a proteção da neve, o gelo fica diretamente exposto à radiação solar e começa a desaparecer em ritmo muito mais acelerado.

Água derretida escorre de uma parede de gelo azul-claro, formando pequenas cachoeiras sobre rochas escuras e um riacho no chão
Água escorre da geleira Mer de Glace, nos Alpes franceses, após a onda de calor que acelerou o derretimento do gelo na Europa (Getty/Getty Images)
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O inverno desapareceu em duas semanas

Dados de satélite do programa europeu Copernicus mostram que duas intensas ondas de calor em junho eliminaram rapidamente a neve acumulada durante o inverno.

As geleiras suíças iniciaram a primavera com cerca de 25% menos neve do que a média registrada entre 2010 e 2020.

As temperaturas recordes registradas em países como França, Alemanha, Reino Unido e Suíça aceleraram o processo, fazendo com que, em 29 de junho, o volume combinado de neve e gelo retornasse aos níveis observados antes do inverno.

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Desde que o monitoramento moderno começou, apenas 2022 registrou uma perda tão precoce da cobertura de neve.

Água para milhões de pessoas está em risco

As geleiras alpinas funcionam como reservatórios naturais de água doce para grande parte da Europa. Elas abastecem rios utilizados para consumo humano, irrigação agrícola, geração de energia hidrelétrica e resfriamento de usinas nucleares.

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Quando apenas a neve derrete, parte desse estoque é recomposto no inverno seguinte. Mas, quando o calor alcança diretamente o gelo das geleiras, ocorre uma perda permanente de massa, reduzindo a capacidade futura de armazenamento de água.

Especialistas alertam que esse processo pode tornar o abastecimento hídrico mais irregular nas próximas décadas, sobretudo durante períodos de seca.

Um grupo de montanhistas caminha por um terreno rochoso e irregular, com um glaciar ao fundo. O homem em primeiro plano usa mochila grande e roupas de trilha, enquanto outros montanhistas seguem adiante. O cenário é árido, com muitas pedras e rochas de diferentes tamanhos, e o glaciar mostra camadas de gelo e detritos. O céu está nublado, e a atmosfera é de aventura e desafio.
A superfície exposta da geleira Mer de Glace, nos Alpes franceses, reflete o avanço do degelo provocado pelas sucessivas ondas de calor (Getty/Getty Images)

Derretimento acelera ano após ano

Nas últimas duas décadas, as geleiras suíças perderam entre 1% e 4% de seu volume anualmente, com taxas ainda maiores em anos de calor extremo.

Durante medições realizadas na geleira Rhône na última semana, pesquisadores observaram pontos em que a espessura do gelo diminuiu cerca de um metro em apenas dez dias de junho.

Na geleira Great Aletsch, a maior dos Alpes, localizada a mais de 3.400 metros de altitude, a neve já apresentava aspecto encharcado e intenso derretimento, condições consideradas incomuns para essa elevação.

Aquecimento climático intensifica extremos

Pesquisadores atribuem a antecipação do degelo às ondas de calor excepcionais registradas no continente, fenômeno cuja intensidade foi amplificada pelo aquecimento do planeta causado pelas emissões de gases de efeito estufa.

Nos últimos anos, a Europa tornou-se o continente que mais rapidamente aquece no mundo, segundo avaliações da Organização Meteorológica Mundial e do Serviço Copernicus para Mudanças Climáticas.

O aumento da frequência e da intensidade das ondas de calor vem acelerando a retração das geleiras alpinas, consideradas um dos indicadores mais sensíveis das mudanças climáticas.

Para os cientistas, o problema deixou de ser uma projeção para o fim do século.

Os impactos sobre os recursos hídricos, a produção de energia e os ecossistemas europeus deverão se tornar cada vez mais evidentes nas próximas duas décadas caso o ritmo atual de aquecimento seja mantido.

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