Dia do Cliente VEJA: 4 revistas impressas a partir de R$ 32,90/mês. Assine agora!

Fim de Veneza? Cidade histórica pode ser engolida pelo mar sem ação urgente

Mediterrâneo vira área crítica da crise climática e acelera riscos para cidades costeiras

Por Ernesto Neves Materia seguir SEGUIR Materia seguir SEGUINDO 17 abr 2026, 09h01 | Atualizado em 17 abr 2026, 11h06
Fim de Veneza? Cidade histórica pode ser engolida pelo mar sem ação urgente Priorizar nos meus resultados Google

A histórica Veneza pode, no longo prazo, simplesmente deixar de existir como a conhecemos. Um novo estudo científico alerta que, sem intervenções rápidas e profundas, o avanço do nível do mar deve superar a capacidade de adaptação da cidade ainda neste século.

Publicada na revista Scientific Reports, a pesquisa afirma que Veneza será “ultimamente perdida” caso não haja uma combinação urgente de redução de emissões e obras estruturais de grande escala.

O caso da cidade italiana se tornou um símbolo global dos desafios impostos pela mudança climática, especialmente em áreas costeiras e historicamente vulneráveis.

Sistema atual já mostra limites

Nos últimos anos, Veneza investiu bilhões de euros no sistema MOSE, um conjunto de 78 barreiras móveis projetadas para conter marés extremas. Embora tenha reduzido a frequência de grandes inundações, o estudo indica que a estrutura pode se tornar insuficiente.

Continua após a publicidade

Segundo os pesquisadores, o sistema começa a perder eficácia com elevações do nível do mar acima de 0,5 metro. Em cenários mais extremos, pode simplesmente não conseguir evitar enchentes recorrentes.

O problema é agravado por fatores combinados: elevação do nível do mar, subsidência do solo (afundamento gradual da cidade) e tempestades mais intensas.

Cenários variam, mas todos são desafiadores

As projeções indicam que o nível do mar em Veneza pode subir cerca de 0,42 metro até 2100 em um cenário mais otimista, com forte redução de emissões globais. No pior cenário, a elevação pode chegar a 1,8 metro.

Continua após a publicidade

Diante disso, cientistas analisaram quatro estratégias principais de adaptação: reforço das barreiras móveis, construção de diques permanentes, isolamento completo da lagoa e até a realocação da cidade.

Nenhuma delas, porém, resolve todos os problemas ao mesmo tempo.

Sem solução perfeita

De acordo com os pesquisadores, não existe uma alternativa capaz de preservar simultaneamente a estrutura urbana, o ecossistema, a economia e a segurança da população.

Continua após a publicidade

Medidas mais radicais, como o fechamento permanente da lagoa, poderiam proteger a cidade contra o mar, mas comprometeriam sua função histórica como porto e alterariam profundamente seu ecossistema.

Já soluções mais conservadoras podem preservar o patrimônio, mas deixam a cidade exposta a riscos crescentes.

Tempo é fator crítico

Um dos principais alertas do estudo diz respeito ao tempo necessário para implementar grandes obras. Projetos como diques ou sistemas permanentes de proteção podem levar de 30 a 50 anos para serem concluídos.

Continua após a publicidade

Isso significa que decisões precisam ser tomadas com antecedência. Caso contrário, há o risco de que novas defesas não estejam prontas quando forem necessárias.

Especialistas destacam que o risco não é apenas ambiental, mas também institucional: atrasos políticos e falta de planejamento podem agravar a vulnerabilidade da cidade.

Eventos extremos já estão mais frequentes

Nos últimos 150 anos, Veneza registrou 28 episódios de enchentes extremas que afetaram grande parte da cidade. Desse total, 18 ocorreram apenas neste século, indicando uma aceleração clara do fenômeno.

Continua após a publicidade

Além disso, o tradicional fenômeno da “acqua alta”, marés excepcionalmente altas, tem ocorrido fora de época e com maior intensidade.

O Mar Mediterrâneo, segundo pesquisadores, se tornou um “hotspot” de riscos climáticos, com impactos cada vez mais rápidos e difíceis de prever.

Um alerta para cidades costeiras

Mais do que um caso isolado, Veneza representa um alerta para outras cidades costeiras ao redor do mundo. Infraestruturas projetadas para um clima passado estão se tornando inadequadas diante da velocidade das mudanças atuais.

Sem cortes rápidos nas emissões globais e investimentos massivos em adaptação, os impactos tendem a superar a capacidade de resposta das cidades.

No caso de Veneza, o estudo é direto: sem ação imediata e coordenada, o tempo pode estar se esgotando para salvar um dos patrimônios mais emblemáticos do mundo.

Publicidade

Matéria exclusiva para assinantes. Faça seu login

Este usuário não possui direito de acesso neste conteúdo. Para mudar de conta, faça seu login

Banner promocional com fundo verde-escuro. À esquerda, texto em amarelo e branco: O MÊS É DO CLIENTE. A vantagem de ler as maiores marcas do país é sua. À direita, uma mão segura um smartphone exibindo um portal de notícias com banner e produtos. Ao lado, um ícone de árvore verde-claraMão segurando um smartphone com tela exibindo um aplicativo de notícias e produtos. À esquerda, texto O MÊS É DO CLIENTE. A vantagem de ler as maiores marcas do país é sua. Fundo verde escuro com ícone de árvore à direita
ECONOMIZE ATÉ 76% OFF

Digital Essencial

A notícia em tempo real na palma da sua mão!
Chega de esperar! Informação quente, direto da fonte, onde você estiver.
De: R$ 16,90/mês Apenas R$ 5,99/mês
OFERTA MÊS DO CLIENTE

Revista em Casa + Digital Premium

Receba 4 revistas de Veja no mês, além de todos os benefícios do plano Digital Premium (cada revista sai por menos de R$ 10,00)
De: R$ 59,99/mês
A partir de R$ 32,90/mês

*Acesso ilimitado ao site e edições digitais de todos os títulos Abril, ao acervo completo de Veja e Quatro Rodas e todas as edições dos últimos 7 anos de Claudia, Superinteressante, VC S/A, Você RH e Veja Saúde, incluindo edições especiais e históricas no app.
*Pagamento único anual de R$23,88, equivalente a R$1,99/mês. Após esse período a renovação será de 118,80/ano (proporcional a R$ 9,90/mês).