Europa se prepara para terceira onda de calor extremo e incêndios se espalham
Milhares deixam suas casas e usinas nucleares podem reduzir a produção de eletricidade
Por Ernesto Neves
A Europa Ocidental se prepara para enfrentar a terceira grande onda de calor do verão, em um cenário que combina temperaturas extremas, incêndios florestais, pressão sobre o sistema elétrico e risco crescente de novos desastres ambientais.
Modelos meteorológicos indicam que um sistema de alta pressão manterá o calor intenso sobre França, sul da Inglaterra e Península Ibérica ao longo desta semana.
No sudoeste francês, os termômetros podem atingir 40°C, enquanto Londres deve registrar máximas próximas de 34°C.
Segundo especialistas, o continente europeu, o que mais aquece no planeta, vive uma sucessão de eventos extremos impulsionados pelas mudanças climáticas.
Incêndios avançam e milhares deixam suas casas
O calor prolongado e a seca deixaram o solo extremamente ressecado, elevando o risco de incêndios em diversos países.
Na França, cerca de 10 mil pessoas foram evacuadas devido a um grande incêndio na região dos Pirineus Orientais, próximo à fronteira com a Espanha.
O fogo já consumiu aproximadamente 46 quilômetros quadrados de vegetação e interrompeu linhas ferroviárias no sul do país.
Portugal e França acionaram o mecanismo de emergência da União Europeia para reforçar o combate às chamas. A Grécia também recebe apoio internacional.
Ao todo, a União Europeia mobilizou um contingente recorde de bombeiros, além de 22 aeronaves especializadas no combate a incêndios florestais.
Os impactos já chegam a grandes eventos esportivos. A etapa desta segunda-feira do Tour de France, disputada entre a Espanha e a França, será realizada sem público no trecho francês e sem a tradicional caravana publicitária para evitar sobrecarregar os serviços de emergência.
França registra pior temporada de incêndios
Os incêndios florestais também aceleram em relação ao ano passado.
Até o momento, cerca de 145 quilômetros quadrados já foram queimados na França em 2026, quase três vezes mais do que no mesmo período de 2025, segundo o governo francês.
Cientistas alertam que o desenvolvimento do fenômeno El Niño pode agravar ainda mais as condições climáticas durante o restante do verão europeu.
Calor pressiona sistema elétrico europeu
Além dos incêndios, o calor extremo aumenta o consumo de energia por causa do uso intenso de aparelhos de ar-condicionado.
Ao mesmo tempo, a produção elétrica enfrenta dificuldades. A estatal francesa EDF informou que poderá reduzir a geração da usina nuclear de Chooz devido ao baixo nível do rio Meuse, utilizado para resfriar os reatores.
Outras usinas nucleares francesas também seguem sob monitoramento por causa do aquecimento das águas dos rios Garonne e Rhône, fundamentais para o sistema de resfriamento.
Energia mais cara
A combinação entre maior demanda e risco de redução da oferta já afeta o mercado elétrico europeu.
Analistas projetam que o preço da energia na Alemanha poderá ultrapassar € 200 por megawatt-hora (cerca de R$ 1.280) nos horários de pico desta semana.
Na França, as cotações podem superar € 170 por megawatt-hora (aproximadamente R$ 1.090).
Enquanto isso, a geração solar francesa atingiu um novo recorde, chegando a 21,9 gigawatts, refletindo a intensidade da radiação solar durante a onda de calor.







