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Estudo aponta que áreas verdes fora de São Paulo podem ajudar a reduzir o calor na cidade

Pesquisa na Nature Cities mostra que florestas posicionadas na direção dos ventos podem resfriar mais da metade da área de grandes metrópoles

Por Ernesto Neves Materia seguir SEGUIR Materia seguir SEGUINDO 27 ago 2026, 13h00 | Atualizado em 27 ago 2026, 13h02
Estudo aponta que áreas verdes fora de São Paulo podem ajudar a reduzir o calor na cidade Priorizar nos meus resultados Google

Plantar árvores dentro das cidades é uma das respostas mais conhecidas ao avanço do calor urbano. Uma pesquisa publicada na revista científica Nature Cities, porém, sugere que parte da solução pode estar fora dos centros urbanos.

O estudo concluiu que a criação de áreas verdes em regiões localizadas na direção de onde vêm os ventos predominantes pode reduzir a temperatura em grandes cidades. Nas oito metrópoles analisadas, a estratégia provocou uma queda média de 0,4°C em mais da metade da área urbana.

A lógica é transformar áreas situadas antes da cidade no caminho dos ventos em fontes de ar mais frio. A vegetação reduz a temperatura dessas regiões e, em seguida, a circulação do ar transporta o resfriamento para as áreas urbanizadas.

Os pesquisadores chamam essa estratégia de upwind greening, ou criação de áreas verdes a barlavento — expressão usada para indicar a região de onde o vento sopra.

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O trabalho foi inspirado na organização espacial de aldeias tradicionais chinesas, nas quais assentamentos foram historicamente construídos em relação a montanhas, cursos d’água e florestas. Os autores adaptaram esse princípio, chamado de estrutura “montanha-água-floresta”, para testar se ele poderia funcionar em grandes cidades contemporâneas.

Primeiro, os pesquisadores usaram modelos climáticos para analisar Pequim e Xangai. As simulações compararam cenários em que as áreas suburbanas localizadas na direção dos ventos eram ocupadas por vegetação ou por áreas construídas.

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O resultado indicou que a vegetação pode formar massas de ar mais frio, posteriormente levadas pelo vento para o interior da cidade. O efeito, no entanto, não ocorre da mesma forma em todos os lugares.

Em Xangai, por exemplo, o resfriamento foi mais limitado do que em Pequim. Segundo o estudo, a diferença está relacionada às características geográficas e aos padrões de circulação do ar, que nem sempre coincidem com as áreas disponíveis para expansão da vegetação.

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Depois, a análise foi ampliada para Cairo, Kinshasa, São Paulo, Houston, Sydney e Londres. Apesar das diferenças de clima, relevo e forma de ocupação urbana, os pesquisadores encontraram o mesmo mecanismo básico nas oito cidades: a formação de ar mais frio em áreas vegetadas e seu transporte pelos ventos para regiões urbanas.

O tamanho e o momento do efeito variaram de uma cidade para outra, mas o resultado geral se manteve. Nas simulações, a estratégia reduziu a temperatura próxima à superfície em 0,4°C, em média, sobre mais da metade das áreas urbanas analisadas.

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A pesquisa também estabelece limites para a proposta. Não se trata, segundo os autores, simplesmente de plantar mais árvores em qualquer lugar. A estratégia depende de duas condições: a existência de caminhos relativamente estáveis para os ventos e espaço disponível para a criação de áreas verdes na região situada a barlavento da cidade.

Esse espaço, porém, muitas vezes já é disputado pela expansão imobiliária, por estradas e por atividades industriais. A aplicação da estratégia, portanto, exigiria incorporar a circulação dos ventos e as características da paisagem ao planejamento territorial.

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A principal conclusão do estudo é uma mudança de perspectiva sobre o combate às ilhas de calor. Em vez de tratar parques, praças e florestas urbanas como elementos isolados, os pesquisadores defendem uma visão que considere a cidade e seu entorno como um sistema climático integrado.

Nessa lógica, a posição das áreas verdes pode ser tão importante quanto sua extensão: não basta discutir quanto plantar, mas também onde plantar para que o vento consiga espalhar o efeito de resfriamento.

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