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‘É a década decisiva para a mudança climática’, diz Biden na COP26

Presidente americano disse que as mudanças feitas agora irão determinar os rumos das próximas gerações

Por Matheus Deccache Atualizado em 1 nov 2021, 19h01 - Publicado em 1 nov 2021, 16h54

O presidente dos Estados Unidos, Joe Biden, afirmou na abertura da Conferência das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas, a COP26, na cidade de Glasgow, Escócia, nesta segunda-feira, 1, que as ações tomadas nesta década para conter as mudanças climáticas serão decisivas.

Segundo ele, a crise já visível para o planeta — inundações, clima volátil, secas e incêndios florestais. Ou, nas suas palavras, sinais inequívocos de que a economia global precisa se reinventar. Diante de líderes globais, Biden disse que os investimentos para limitar as emissões de carbono são também uma oportunidade de criar empregos por meio da transição para energia renovável e uso de automóveis elétricos. 

“Podemos criar um ambiente que eleve o padrão de vida em todo o mundo. Este não é só um imperativo moral, mas também um imperativo econômico”, disse. 

Apesar do discurso, o caminho para essa mudança tem esbarrado continuamente em complicadas políticas globais e domésticas. Funcionários do governo Biden repreenderam a China pela falta de metas mais ambiciosas para a diminuição das emissões de carbono, ao mesmo tempo que o próprio presidente Biden enfrenta impasses para implantar seus investimentos climáticos no congresso. 

Ao chegar a Glasgow, nesta segunda, Biden citou que “o poder dos Estados Unidos está reaparecendo”, após o retorno do país à diplomacia com aliados no exterior com o fim do governo de Donald Trump. A cúpula é considerada providencial para que o acordo climático de Paris de 2015 seja posto em prática. 

“Em vez de uma solução rápida, Glasgow é o início de uma grande corrida desta década”, disse John Kerry, enviado especial para o clima dos Estados Unidos, a repórteres. 

O país inicia a cúpula tentando fazer com que alguns dos maiores poluidores mundiais, como China, Rússia e Índia, se comprometam de maneira mais incisiva com a redução de emissões de gases poluentes e queima de combustíveis fósseis. 

Biden aproveitou também para elogiar um acordo de aço feito entre Estados Unidos e União Europeia de forma a conter importações do produto chinês, que é gerado a partir da queima de carvão, visto como uma forma de “estimular” a China, maior poluidor do mundo, a procurar outras formas de obtenção de aço. 

Apesar disso, a reunião do G-20, realizada no último final de semana em Roma, terminou com promessas vagas. Os discursos dos líderes convergiram na direção de “buscar a neutralidade de carbono por volta da metade do século”. 

China e Rússia, porém, deixaram claro que não têm a intenção de acompanhar os Estados Unidos e os países europeus no objetivo de zerar toda a poluição por combustível fóssil até 2050. Cientistas encaram essa situação como um problema, uma vez que cortes rápidos na produção deste combustível são essenciais para manter a esperança de manter o aquecimento global dentro dos limites estabelecidos no acordo de Paris. 

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A ação dos dois países fez com que Biden dissesse pessoalmente aos repórteres que o resultado da cúpula de Roma foi “decepcionante”, contrariando as avaliações positivas de seus assessores, fazendo acusações diretas às duas nações.

“A decepção se resume basicamente ao fato de que a Rússia e a China não apareceram em nenhum dos termos de compromisso para lidar com as mudanças climáticas”, afirmou. 

Nesta segunda, o governo Biden divulgou a estratégia para tirar do papel as promessas que irão transformar os Estados Unidos em uma nação de energia totalmente limpa até 2050. O plano de longo prazo estabelece um país movido cada vez mais pela energia eólica e solar, circulação de pessoas feitas com veículos elétricos ou meios de transporte de massa, além de espaços abertos estratégicos para absorção do dióxido de carbono do ar. 

A diplomacia de sua gestão tem obtido bons resultados ao longo desses 10 meses de governo, persuadindo nações a definirem metas mais ambiciosas para cortes de emissões e diminuição da produção de energia obtida por meio da queima de carvão. 

Os líderes europeus deixam claro que estão felizes com as ações de Biden para conter as mudanças climáticas, principalmente depois que Donald Trump virou totalmente as costas para o acordo de Paris. 

Nem Xi Jinping, presidente da China, nem Vladimir Putin, da Rússia, estão participando da cúpula, embora tenham enviado representantes para Glasgow. Suas constantes recusas, assim como por parte da Índia, ameaçam as esperanças de atingir as metas estabelecidas no encontro na capital francesa, em 2015. 

A China até firmou certos compromissos para reduzir as emissões, porém em um ritmo bem mais lento do que aquele considerado satisfatório por Estados Unidos e União Europeia. O conselheiro de Segurança Nacional americano, Jake Sullivan, disse a repórteres que a mudança climática não deve ser vista como uma competição entre ambos os países, já que a China, segunda maior economia do mundo, tem plena capacidade de agir por conta própria. 

“Eles são um país grande com uma enormidade de recursos, sendo perfeitamente capazes de cumprir suas responsabilidades. Nada da natureza da relação entre os países os impede de fazerem sua parte”, disse. 

Joe Biden chega ao encontro com o seu próprio destino climático ainda incerto, uma vez que seu pacote, que prevê a eliminação do gás natural e do carvão para adoção de uma energia mais limpa, encontra resistência por parte de membros do partido democrata e ainda não foi aprovado no congresso nacional. 

Apesar da cerimônia de abertura no último domingo ter dado início às negociações, o momento mais esperado da cúpula será nesta segunda, quando Biden e outros líderes irão expor os esforços para lidar com os crescentes danos causados pelas mudanças climáticas.

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