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Com ameaças de greve e protestos, Glasgow se prepara para a COP-26

Conferência do Clima deve acontecer em meio a preocupações com a pandemia da Covid-19, manifestações de ativistas e reivindicações de trabalhadores

Por Nathan Fernandes Atualizado em 3 nov 2021, 15h50 - Publicado em 29 out 2021, 10h55

A 26ª Conferência do Clima, a COP-26, que se inicia dia 31 de outubro, em Glasgow, na Escócia, é o evento climático mais importante desde o Acordo de Paris, em 2015. Com isso, a cidade escocesa — cujo nome em gaélico quer dizer “querido lugar verde” — se firma como uma das áreas urbanas mais sustentáveis do planeta. 

Glasgow tem a segunda maior proporção de área de vegetação por habitante da Europa, com 32%. São 90 parques e jardins espalhados pela cidade, oito dos quais receberam o prêmio Green Flag, cobiçada honraria que reconhece os espaços verdes mais bem administrados do Reino Unido. Além disso, a cidade pretende aumentar sua área verde com a criação de oito “Wee Forests”, pequenas florestas plantadas no meio da cidade. 

Glasgow também pretende neutralizar a emissão de carbono até 2030. Para isso, planeja melhorar a eficiência energética de mais de 400 000 casas, e criar uma rede regional de recarga de veículos elétricos. 

Os planos para receber uma das conferências mais importantes da atualidade, no entanto, esbarram em alguns percalços. No dia 15 de outubro, funcionários da rede ferroviária escocesa haviam confirmado a realização de uma greve de transportes durante as duas semanas da COP-26, paralisando totalmente os trens, o que dificultaria o acesso de muitos participantes do evento que se hospedarão em Edimburgo, por exemplo. Desde o início do ano, os funcionários reivindicam melhores salários e condições de trabalho, ao mesmo tempo em que a companhia ferroviária nacional planeja reduzir os serviços no país, a partir do ano que vem. 

No dia 27, quatro dias antes do início da conferência, no entanto, os trabalhadores fecharam um acordo com a companhia, que combinou um aumento de 2,5% ao ano, fazendo com que a paralisação fosse cancelada. 

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Por outro lado, funcionários das áreas da limpeza, coleta de lixo e reciclagem também reivindicam melhores salários, e discutem uma possível paralisação. “Já se passaram mais de 18 meses desde que esses trabalhadores-chave tiveram um aumento de salário e isso é uma vergonha, dado o trabalho que fazem”, declarou Drew Duffy, do GMB, sindicato geral do Reino Unido. 

Enquanto o governo negocia, a preocupação também orbita as manifestações do grupo Insulate Britain, que reivindica medidas mais firmes a favor do clima através de bloqueios de estradas. No dia 14, em uma carta aberta ao primeiro-ministro Boris Johnson, os ativistas declararam uma paralisação de dez dias nas manifestações, que começaram em setembro. No dia 27 de outubro, já de volta às atividades, 49 ativistas foram presos, depois de bloquearem vias importantes da Inglaterra, em desafio a uma série de medidas oficiais que proíbem as intervenções. 

“Temos que fazer isso. Faltam quatro dias até que a COP-26 comece. Se eles não se saírem melhor do que as outras 25 conferências anteriores, é isso o que temos”, declarou um manifestante ao Guardian. 

Além disso, com o aumento do número de pessoas na cidade, a pandemia também deixa as autoridades em alerta. A preocupação chega no momento em que mais de 500 pessoas foram infectadas em um festival de música, que aconteceu em setembro, em Glasgow. Sobre a COP-26, Jackie Baillie, porta-voz do Partidos dos Trabalhadores da Escócia, afirmou que “não podemos ignorar o risco muito real de um surto da Covid que vai causar estragos aqui na Escócia e ter implicações em todo o mundo”.

De acordo com um porta-voz do governo escocês, “a Covid-19 continua a ser monitorada de perto por todas as agências relevantes” e as autoridades continuam “trabalhando com o governo do Reino Unido, a Saúde Pública da Escócia e nossos parceiros em Glasgow para alcançar nossa prioridade de um seguro COP-26”.

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