China lança plano para reduzir emissões até 2030 e aposta em carros elétricos, energia limpa e indústria verde
Governo estabelece metas, como elevar participação dos veículos elétricos a 30% e reduzir em 17% a intensidade de carbono na economia
Por Ernesto Neves
A China deu mais um passo em sua estratégia para conciliar crescimento econômico e transição energética.
O Conselho de Estado publicou nesta semana um novo plano de ação para que o país atinja o pico de emissões de carbono até 2030, detalhando metas para transporte, indústria, energia e infraestrutura durante o período do 15º Plano Quinquenal (2026-2030).
O documento é considerado uma das principais diretrizes ambientais do governo chinês para os próximos cinco anos e reforça o compromisso de alcançar a neutralidade de carbono até 2060.
Entre os objetivos que mais chamaram a atenção está a expansão dos chamados “veículos de nova energia” — categoria que inclui carros totalmente elétricos, híbridos plug-in e modelos movidos a célula de combustível.
A meta é que esses veículos representem 30% de toda a frota em circulação até 2030, mais que o dobro dos cerca de 12% registrados no fim de 2025, segundo dados citados pela Reuters.
O transporte é apenas uma peça de uma estratégia muito mais ampla.
O plano prevê uma redução de 17% na intensidade de carbono da economia — indicador que mede a quantidade de dióxido de carbono emitida por unidade do Produto Interno Bruto (PIB) — em relação aos níveis de 2025.
Também estabelece que as fontes não fósseis deverão responder por 25% do consumo total de energia do país até o fim da década.
Na prática, a estratégia não significa necessariamente que a China emitirá menos gases de efeito estufa em termos absolutos a partir de agora.
O objetivo oficial continua sendo atingir o chamado “pico de emissões” antes de iniciar uma trajetória consistente de queda.
Isso reflete o desafio de descarbonizar a segunda maior economia do planeta sem comprometer seu crescimento industrial e sua segurança energética.
Um plano para transformar a economia
Os Planos Quinquenais são os principais instrumentos de planejamento econômico da China desde a década de 1950.
Embora tenham perdido o caráter rígido da economia centralmente planejada, continuam orientando investimentos públicos, prioridades industriais e metas nacionais.
No caso do novo plano climático, o governo procura integrar a política ambiental à estratégia de desenvolvimento econômico.
O documento incentiva a expansão das energias renováveis, da eletrificação dos transportes, da indústria de baixo carbono e de tecnologias voltadas à eficiência energética.
Também prevê controle mais rigoroso sobre o consumo de carvão, embora sem estabelecer um cronograma para sua eliminação.
Outro foco é garantir que o aumento da demanda por eletricidade seja atendido principalmente por fontes limpas, como energia solar, eólica e hidrelétrica.
A medida busca reduzir a dependência dos combustíveis fósseis ao mesmo tempo em que sustenta a crescente eletrificação da economia chinesa.
A potência dos carros elétricos
A meta para veículos de nova energia reforça uma liderança que a China já exerce no mercado global.
O país é hoje o maior fabricante e consumidor mundial de carros elétricos, além de concentrar empresas que lideram a produção de baterias e componentes estratégicos para a indústria automotiva.
Ao ampliar a participação desses veículos para 30% da frota nacional, Pequim pretende reduzir o consumo de combustíveis fósseis, melhorar a qualidade do ar nas grandes cidades e fortalecer uma indústria considerada estratégica para a competitividade tecnológica do país.
Pressão internacional
O anúncio ocorre em um momento em que a China enfrenta expectativas crescentes para ampliar sua ambição climática.
Como maior emissor mundial de gases de efeito estufa, o país desempenha papel decisivo no cumprimento das metas do Acordo de Paris.
Analistas avaliam que o novo plano mantém a direção adotada nos últimos anos, mas evita mudanças bruscas.
Em vez de estabelecer metas absolutas de redução de emissões, o governo continua priorizando indicadores de intensidade de carbono e expansão das energias limpas, preservando margem para que a economia continue crescendo.
Ao mesmo tempo, especialistas observam que a rápida expansão da energia solar, eólica, das baterias e dos veículos elétricos já começa a alterar o perfil das emissões chinesas.
Alguns estudos apontam que o pico de carbono poderá ocorrer antes de 2030, embora a continuidade da construção de usinas a carvão ainda represente um dos principais desafios para a transição energética do país.







