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Cemaden: El Niño deve provocar ‘desastre térmico’ no Brasil, com calor extremo, seca e impacto no bolso

Fenômeno climático pode intensificar ondas de calor, elevar preço dos alimentos e pressionar o sistema elétrico

Por Ernesto Neves Materia seguir SEGUIR Materia seguir SEGUINDO 7 abr 2026, 09h01 | Atualizado em 7 abr 2026, 10h38
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O Brasil deve enfrentar, a partir do segundo semestre de 2026, um novo ciclo de calor intenso associado ao El Niño.

Segundo projeções do Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais (Cemaden), há cerca de 80% de chance de o fenômeno se estabelecer no Oceano Pacífico entre abril e junho, com efeitos mais fortes a partir de setembro.

A principal consequência, considerada praticamente certa pelos especialistas, é um “desastre térmico”: períodos prolongados de temperaturas acima do conforto humano, com impactos diretos na saúde, na economia e no cotidiano das cidades.

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O que é o El Niño e por que ele afeta o mundo todo

O El Niño ocorre quando as águas do Pacífico equatorial ficam pelo menos 0,5°C mais quentes que a média por vários meses.

Apesar de parecer uma variação pequena, trata-se de uma massa de calor gigantesca, comparável à extensão da Amazônia.

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Esse aquecimento altera padrões de vento e chuva em escala global.

Funciona como uma espécie de “motor climático”, redistribuindo calor e umidade e provocando extremos como secas, enchentes e ondas de calor em diferentes regiões do planeta.

Segundo a Organização Meteorológica Mundial, o planeta já vive o período mais quente da história recente, o que potencializa os efeitos do fenômeno.

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Ondas de calor mais longas e noites sem alívio

Nos últimos anos, o Brasil tem registrado aumento consistente na frequência e duração das ondas de calor. Dados recentes indicam:

2023: 8 ondas de calor

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2024: 10 episódios

2025: 7 eventos, mesmo sem El Niño

A tendência preocupa menos pelos picos extremos e mais pela persistência do calor.

Períodos superiores a dez dias com temperaturas elevadas têm se tornado mais comuns, especialmente no Sudeste e no Centro-Oeste.

Outro fator crítico é o aumento das temperaturas mínimas. As noites estão mais quentes, o que impede o corpo de se recuperar do estresse térmico diário, elevando riscos para a saúde, sobretudo entre idosos e populações vulneráveis.

Impacto direto no bolso: energia e alimentos mais caros

O calor extremo tem efeito imediato na economia doméstica.

O uso intensivo de ar-condicionado pode multiplicar a conta de luz, mesmo em cenários de bandeira tarifária mais baixa.

Ao mesmo tempo, a produção agrícola sofre com a combinação de calor, seca e eventos extremos de chuva, reduzindo a produtividade e pressionando os preços de alimentos, especialmente hortifrutigranjeiros.

Estudos publicados na revista The Lancet indicam que, em temperaturas acima de 35°C, ventiladores deixam de ser eficazes, tornando o ar-condicionado praticamente indispensável em áreas urbanas, o que aprofunda desigualdades.

Efeitos desiguais pelo país

Sudeste e Centro-Oeste: Devem concentrar ondas de calor mais intensas e frequentes, com baixa umidade e risco de incêndios.

Sul: Tendência é de chuvas acima da média, elevando o risco de enchentes e deslizamentos, especialmente em áreas urbanas e encostas.

Norte: Pode haver redução de chuvas e atraso no ciclo hidrológico, embora o impacto dependa de fatores adicionais.

Nordeste: Fenômeno pode atrasar a estação chuvosa, afetando reservatórios e agravando a escassez hídrica, sobretudo no sertão.

Mudança climática amplifica efeitos

Especialistas destacam que o El Niño, por si só, não explica a intensidade dos eventos recentes. O fenômeno atua sobre um planeta já aquecido e com ecossistemas pressionados.

O desmatamento, por exemplo, reduz a capacidade de retenção de umidade e aumenta a temperatura local, criando condições mais propícias para secas, incêndios e perda de produtividade agrícola.

Um alerta que vai além de 2026

Embora a intensidade do El Niño ainda não possa ser determinada com precisão, o consenso entre especialistas é que seus efeitos serão sentidos em um cenário já crítico.

Mais do que um evento isolado, o fenômeno reforça uma tendência estrutural: o aumento da frequência de extremos climáticos no Brasil.

Para cientistas, o desafio agora é duplo, adaptar cidades e sistemas produtivos ao calor crescente e, ao mesmo tempo, avançar na redução das emissões e na proteção dos biomas.

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