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Brasil pode atrair R$ 390 bilhões com corrida por minerais da transição energética

Demanda por minerais usados em baterias, veículos elétricos e equipamentos de energia coloca o país entre os principais destinos de investimentos

Por Ernesto Neves Materia seguir SEGUIR Materia seguir SEGUINDO 2 jul 2026, 10h39 | Atualizado em 2 jul 2026, 11h07
Brasil pode atrair R$ 390 bilhões com corrida por minerais da transição energética Priorizar nos meus resultados Google

A crescente demanda por minerais usados em baterias, veículos elétricos, semicondutores e equipamentos de geração de energia pode impulsionar uma nova onda de investimentos na mineração brasileira.

A expectativa é que o país atraia US$ 76,9 bilhões (cerca de R$ 390 bilhões) para o setor até 2030, impulsionado pela corrida mundial por matérias-primas consideradas essenciais para a transição energética.

O cenário reflete o aumento da procura por minerais como cobre, níquel, lítio, grafite, cobalto e terras raras, fundamentais para tecnologias de baixo carbono.

O Brasil, que já ocupa posição de destaque na produção de minério de ferro, nióbio, manganês e bauxita, também busca ampliar sua participação nesse mercado.

Energia passa a influenciar decisões de investimento

A oportunidade de expansão, porém, depende de fatores que vão além da disponibilidade de recursos minerais.

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Levantamento da empresa de soluções energéticas Aggreko, realizado com executivos de mineradoras de seis países da América Latina, mostra que 66% dos entrevistados afirmam que o futuro do setor está diretamente ligado à adoção de fontes renováveis, maior eficiência energética e segurança no fornecimento de eletricidade.

Segundo o estudo, energia deixou de representar apenas um custo operacional e passou a influenciar decisões sobre expansão de projetos, produtividade e competitividade internacional.

“O setor já não depende apenas da disponibilidade dos recursos minerais, mas também da capacidade de garantir segurança energética e eficiência operacional”, afirma José Albornoz, gerente regional de mineração da Aggreko na América Latina.

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Minerais críticos ganham valor estratégico

O crescimento da eletrificação da economia vem aumentando a importância dos chamados minerais críticos.

Segundo a Agência Internacional de Energia, a expansão dos veículos elétricos, das fontes renováveis e dos sistemas de armazenamento de energia deverá elevar significativamente a demanda por esses insumos nas próximas décadas.

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Além do lítio e do cobre, matérias-primas como grafite, níquel, cobalto e terras raras passaram a ser consideradas estratégicas por governos e empresas, que disputam novos projetos de mineração para reduzir a dependência de poucos fornecedores.

Brasil amplia peso na mineração

O setor mineral já ocupa posição relevante na economia brasileira.

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Dados do Instituto Brasileiro de Mineração mostram que as exportações minerais alcançaram US$ 46 bilhões (cerca de R$ 233 bilhões) em 2025, respondendo por 55% do saldo da balança comercial do país. A atividade também representa aproximadamente 4% do Produto Interno Bruto (PIB).

Além da produção tradicional de minério de ferro, o Brasil possui algumas das maiores reservas mundiais de nióbio e vem ampliando investimentos em minerais considerados estratégicos para a descarbonização da economia.

Competitividade dependerá de energia de baixo carbono

A pesquisa mostra que a origem da energia utilizada nas operações tornou-se um diferencial competitivo para as mineradoras.

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Empresas avaliam que compradores internacionais passaram a considerar não apenas o minério produzido, mas também a pegada de carbono de sua produção.

Isso tem levado o setor a ampliar investimentos em fontes renováveis, sistemas híbridos de geração e soluções para garantir maior segurança energética.

Apesar desse movimento, os executivos afirmam que a velocidade da transição dependerá da viabilidade econômica dos projetos e do equilíbrio entre redução de emissões e custos operacionais.

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