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Brasil está entre os mais expostos aos efeitos do El Niño sobre a energia

Estudo da Moody’s aponta que fenômeno pode aumentar a volatilidade dos preços de eletricidade até 2027

Por Ernesto Neves Materia seguir SEGUIR Materia seguir SEGUINDO 2 set 2026, 15h19 | Atualizado em 3 set 2026, 10h50
Brasil está entre os mais expostos aos efeitos do El Niño sobre a energia Priorizar nos meus resultados Google

Um El Niño de forte intensidade em 2026 e 2027 poderá alterar de forma significativa os padrões de chuva na América Latina, com efeitos sobre a oferta de água e a geração de energia elétrica. Segundo estudo da Moody’s, países como Brasil, Colômbia e Peru estão entre os mais expostos devido à elevada participação da geração hidrelétrica em suas matrizes.

As previsões analisadas pela agência indicam alterações nos regimes de precipitação entre agosto de 2026 e fevereiro de 2027. O fenômeno pode provocar períodos mais secos em diferentes regiões da América Latina, desviando recursos hídricos justamente em países que dependem dos reservatórios para garantir parte relevante do fornecimento de eletricidade.

O Brasil aparece entre os mercados em que a hidrelétrica tem peso significativo na matriz elétrica. Colômbia e Peru também estão entre os países apontados pela Moody’s como particularmente expostos às oscilações na geração associadas ao regime de chuvas. O estudo compara a participação da fonte hídrica com outras formas de geração, como gás natural, energia eólica, solar e outras fontes térmicas.

O impacto não se limita à quantidade de energia disponível. Segundo a Moody’s, os preços da eletricidade podem apresentar forte volatilidade durante episódios de El Niño, principalmente em função da disponibilidade e do custo do gás natural. Em um cenário de menor geração hidrelétrica, termelétricas podem ser acionadas para compensar a redução da oferta, aumentando a exposição dos sistemas elétricos aos preços dos combustíveis.

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O fenômeno também representa um risco para a infraestrutura hídrica do Canal do Panamá. A Moody’s destaca que déficits de precipitação podem afetar de maneira significativa os níveis dos reservatórios utilizados na operação do canal, acrescentando uma dimensão logística ao impacto climático.

O alcance do El Niño, porém, não será uniforme em toda a região. O mapa elaborado com base em previsões climáticas mostra áreas com expectativa de chuvas abaixo da média, outras com precipitação acima do padrão e regiões com condições mistas. Entre as fontes utilizadas estão o International Research Institute for Climate and Society, o serviço europeu Copernicus, a Organização Pan-Americana da Saúde/Organização Mundial da Saúde, além de órgãos meteorológicos e de recursos hídricos dos países analisados.

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Para os sistemas elétricos latino-americanos, o principal risco está na combinação entre menor disponibilidade de água e necessidade de recorrer a fontes alternativas para preservar o abastecimento. A intensidade desse efeito dependerá das condições de cada bacia hidrográfica, ressalva feita pela própria Moody’s no estudo.

O cenário reforça a exposição de países com matrizes elétricas fortemente dependentes dos recursos hídricos às oscilações climáticas. No caso brasileiro, uma eventual redução prolongada das chuvas pode alterar a composição da geração, aumentar a utilização de termelétricas e elevar a sensibilidade do mercado de energia às condições de oferta de combustíveis.

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