Aquecimento do Pacífico eleva a mortalidade de baleias na costa americana
Mudanças climáticas e El Niño agravam o declínio da população, que caiu quase pela metade na última década
O ano de 2026 pode entrar para a história como um dos mais letais para as baleias na costa oeste dos Estados Unidos. Levantamentos de organizações de conservação marinha, como o Center for Biological Diversity, mostram um aumento preocupante no número de baleias-cinzentas encontradas mortas ao longo do litoral do Pacífico. Embora colisões com embarcações e emalhamento em redes de pesca ainda estejam entre as principais causas imediatas dos óbitos, cientistas alertam que as mudanças climáticas vêm agravando o problema ao transformar profundamente o ambiente onde esses gigantes vivem.
Segundo a NOAA, a população de baleias-cinzentas do Pacífico, que chegou a cerca de 27 mil indivíduos em 2016, caiu continuamente após o evento de mortalidade registrado entre 2019 e 2023 e hoje está em torno de 13 mil animais, o menor patamar em décadas. O declínio coincide com uma transformação acelerada do Pacífico Norte. Em junho deste ano, a temperatura da superfície do mar na costa da Califórnia atingiu o maior desvio já registrado em 177 anos de observações da NOAA, ficando mais de 1,7°C acima da média histórica. O aquecimento, intensificado pelo desenvolvimento do El Niño e por sucessivas ondas de calor marinhas, reduz a cobertura de gelo no Ártico, altera as correntes oceânicas e diminui a disponibilidade de krill e outros organismos que servem de alimento às baleias.
Esse cenário havia sido antecipado por pesquisadores da Administração Nacional Oceânica e Atmosférica dos Estados Unidos (NOAA). Em um estudo publicado na revista científica PLOS ONE, os cientistas analisaram mais de uma centena de populações de mamíferos marinhos e concluíram que mais de 70% delas apresentam alta vulnerabilidade às mudanças climáticas. Entre as espécies mais ameaçadas estão as baleias-jubarte, as baleias-francas-do-Atlântico Norte e diversas espécies de golfinhos. Segundo os pesquisadores, a ameaça não decorre apenas da água mais quente, mas também da perda de habitat, da redução do oxigênio dissolvido, das alterações na química dos oceanos e da redistribuição das presas que sustentam esses animais.






