Antecipação das queimadas em Goiás muda rotina aeroportuária
Estado registra elevação de 55% das queimadas, que eram esperadas apenas a partir de agosto
Mesmo antes do El Niño começar a exercer forte influência sobre o clima, este ano, os incêndios em vegetação já avançavam sobre Goiás. Em geral, os focos de queimadas começam a aumentar durante o período mais crítico da estiagem, entre agosto e setembro. Mas de janeiro a maio, o estado registrou 237 ocorrências, um aumento de 55% em relação aos 152 focos contabilizados no mesmo período em 2025, que foi marcado pela presença do La Niña, fenômeno que esfria a temperatura da superfície do Oaceno Pacífico.
A antecipação da época de queimada aumenta já movimenta a segurança aeroportuária, que sofre principalmente com problemas de visibilidade, devido à fumaça. Dependendo da intensidade, ela obriga controladores de voo e autoridades aeroportuárias a alterar procedimentos, desviar aeronaves, atrasar operações ou até suspender temporariamente o funcionamento do terminal. Na aviação, a fumaça passa a ser registrada como fenômeno meteorológico relevante quando reduz a visibilidade para 5 mil metros ou menos, um limite que pode comprometer a segurança operacional.
Com isos, os aeroportos já alteraram a rotina das equipes de emergência dos aeroportos, especialmente nas regiões do Centro-Oeste, Norte e interior do Sudeste, onde os incêndios são mais frequentes durante a estação seca. Antes mesmo dos meses mais críticos, são revisados planos de contingência, sistemas de comunicação, condições das viaturas, equipamentos de proteção e rotas de acesso às áreas consideradas mais vulneráveis. Não basta observar a distância do incêndio. “É preciso avaliar continuamente a intensidade da fumaça, a direção dos ventos e as condições de visibilidade, porque são esses fatores que determinam se haverá impacto sobre pousos e decolagens”, explica Victor Reis, presidente do Grupo Med+, maior empresa de emergências aeroportuárias da América Latina.
O aumento da preocupação dos aeroportos acompanha a intensificação das temporadas de queimadas registrada em diversas regiões do país. Especialistas apontam que a combinação entre estiagens mais prolongadas, ondas de calor e vegetação cada vez mais seca tem ampliado o número de dias com risco elevado de incêndios, tornando episódios de fumaça próximos aos aeroportos mais frequentes do que há uma década. Para a aviação, isso significa incorporar o monitoramento das queimadas como parte permanente do planejamento operacional durante a estação seca.
Marcos históricos de quimadas no estado de Goiás
2007: 12.638 focos de calor
2010: 13.419
2024: 6.362 focos de incêndio







