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Unicamp 2008 - 2ª fase - História

Questão 18

Sobre a transferência da Corte de D. João VI para o Brasil, o historiador Kenneth Maxwell afirma: Novas instituições foram criadas pela coroa portuguesa, e a maioria delas foi estabelecida no Rio de Janeiro, que, assim, assumiu um papel centralizador dentro de uma América portuguesa que antes era muito fragmentada no sentido administrativo. Houve resistência a isso, principalmente em Pernambuco, em 1817. Mas, no final, o poder central foi mantido. (Adaptado de Kenneth Maxwell, "Para Maxwell, país não permite leituras convencionais". Entrevista concedida a Marcos Strecker. Folha de São Paulo, 25/11/2007, Mais, p. 5.)

a) Segundo o texto, quais as mudanças suscitadas pela transferência da Corte portuguesa para o Rio de Janeiro em 1808?
b) Quais os objetivos do movimento de Pernambuco em 1817?

Resolução

a) O estabelecimento da Corte Lusitana no Brasil, a partir de 1808, exigiu a criação de órgãos político-administrativos, como ministérios, a imprensa oficial, o Banco do Brasil, a Casa da Moeda e outros. Esse processo representou a constituição de um aparelho de Estado central que assumiu relevante papel na independência concretizada em 1822.

b) A chamada Revolução Pernambucana de 1817 levantou os setores liberais mais radicais, entre civis e militares, com o intuito de romper o domínio colonial português e estabelecer uma república federativa no paíssegundo o modelo norte-americano de Estado livre vigente desde 1776.

Resposta em VEJA

O trecho da reportagem com a resposta está destacado em amarelo.

Controvérsias na corte
Eles eram 30 000, 4 500 ou 500? Os historiadores não se entendem
sobre o número de pessoas que a família real trouxe ao Brasil

Marcelo Bortoloti

(publicada em 20/06/2007)

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Para o Brasil, a vinda da corte portuguesa teve enorme impacto positivo. O príncipe regente mandou abrir os portos brasileiros ao comércio internacional e apressou a vinda de imigrantes. Liberou a circulação de moedas, criou o Banco do Brasil e as faculdades de medicina e engenharia. Enfim, emancipou o país, que se libertaria oficialmente da metrópole em 1822

(...)

O impacto da civilização
A mudança da corte portuguesa para o Rio de Janeiro ocasionou transtornos e também mudanças positivas para a cidade e o país

Demografia
Em 1810, a população da cidade era de 60 000 habitantes. Quando a corte deixou o Brasil, em 1821, o número havia chegado a 112 000

Habitação
Pelo menos 150 famílias foram despejadas de suas casas para dar lugar aos nobres vindos de Portugal

Economia
A circulação de moedas de ouro foi autorizada com a criação do Banco do Brasil. Os portos foram abertos para o comércio internacional. A proibição de instalar fábricas no país feita para proteger as mercadorias da metrópole foi suspensa

Cultura
A Gazeta do Rio de Janeiro tornou-se o primeiro jornal impresso no Brasil. Os nobres criaram a Biblioteca Real, o Museu Nacional e o Real Teatro de São João, hoje Teatro João Caetano

Urbanização
Com a presença provisória da corte foi criado o Jardim Botânico e ampliados o calçamento e o sistema de iluminação das ruas do Rio

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Cariocas d'antanho
Um estudo clássico - e delicioso - sobre o Rio de Janeiro da época imperial

Marcelo Camacho

(publicada em 01/11/2000)

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Quando desembarcou no Rio de Janeiro colonial, em 1808, a família real portuguesa encontrou uma cidade que possuía 71 ruas, 27 becos, sete travessas e cinco ladeiras. Habitado por 60.000 pessoas (sendo que 30.000 eram escravos), o Rio era um lugar atrasado, de costumes rígidos, comércio limitadíssimo e sem nenhuma vida cultural. A chegada da corte de dom João VI, que trouxe para cá 12.000 pessoas de uma só vez, provocou mudanças radicais na cidade.

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O primeiro rei
O relançamento de um clássico da História do Brasil mostra como era o país governado por dom João VI

Heitor Aquino Ferreira

(publicada em 24/07/1996)

Os milhões de descendentes brasileiros de outros imigrantes que se conformem: este país é de fato muito português. Está bem que somos país de imigração e de mistura, mas a matriz é portuguesa e sem entendê-la, nada feito. Para entender a herança lusitana no Brasil, há pouca coisa melhor que o clássico, ora reeditado, D. João VI no Brasil (Oliveira Lima; Topbooks; 790 páginas; 50 reais), de que se festeja a volta às vitrines iluminadas depois de longos anos de existência quase clandestina em alguns sebos de melhor catálogo.

A primeira edição é de 1908, comemorando o centenário do assunto, logo esgotada. Nova aclamação de suas qualidades só em 1944, numa edição da José Olympio, quando Octavio Tarquínio qualificou de espantoso o decurso de tanto tempo entre a primeira e a segunda edição. Segue-se outro imenso intervalo, de mais de cinqüenta anos, até a que temos em mãos.

Que fantástico momento conta o livro: o dos sucessos na borda atlântica da Europa apenas dezoito anos depois da Revolução Francesa, a nada mais que três anos de Napoleão imperador. Portugal apanhado no meio do grande conflito ideológico da época entre os ingleses, distantes aliados tradicionais, e os franceses, poderosos e exigentes conquistadores continentais. A pressão desse esmeril político chega a tal ponto no final do ano de 1807 que numa certa madrugada se fazem subitamente ao mar, em emergência grave, a rainha viúva e insana interdita, o filho regente com a mulher e os meninos, os grandes da corte quase todos, fidalgos e dependentes, fâmulos da ucharia real, milhares de funcionários, servidores e famílias, embarcados às pressas e trazidos sob a proteção da Royal Navy dos velhos aliados. Umas 15 000 almas ao todo. Imagine-se o que terá sido esse êxodo, em que estado se fez a demorada travessia do oceano, com que disposição chegaram em navios dispersos, primeiro à Bahia depois ao Rio, e que grau de adaptação - entre os extremos de dom João jubiloso e dona Carlota Joaquina desesperada - apresentaram esses emigrados em tão dramáticas circunstâncias. É como Oliveira Lima começa a narrativa do episódio que vai deixar Portugal, durante treze anos, primeiro sob a ocupação francesa, depois sob o que foi na prática uma regência inglesa do general Beresford. Mas o episódio, por outro lado, que nos valeu, aos brasileiros, uma pacífica promoção de fato, na direção de futura independência ou separação, da qual não mais foi possível recuar quando a longa estada de dom João findou, em 1821.

E aqui nestas bandas recebedoras como eram então as coisas? Que era este Brasil, colônia da qual até mesmo o nome se impusera pela natureza às forçadas denominações geográficas oficiais de Santa Cruz e Vera Cruz. Explicação, aliás, do nome nacional de brasileiro. O homem daqui não era o angolano de um lugar chamado Angola. Era o brasileiro que mexia com brasil e que herdaria sua denominação nacional do ofício de quem chegava à metrópole com carregamentos de um pau que dava o verzino para tinturarias e para ilustrações.

TEMPO DO ONÇA - Quando dom João chegou à sua nova sede, aqui já não era mais o "tempo do Onça", apelido do governador e vice-rei que deixara saudade nos habitantes da colônia como governante realizador, o conde de Bobadela, Gomes Freire de Andrade. Tudo quanto era de grata memória, até então, em matéria de urbanização, de lei e ordem, de aquedutos, era do tempo do Onça. Inclusive o casarão dos governadores na praça hoje chamada Quinze de Novembro, no Rio, onde o regente e a família moraram uns tempos antes de se mudar para os melhores ares de São Cristóvão. É no paço da cidade que a história de Oliveira Lima prossegue, o conto de como se organiza a administração, de como se formam os governos, os personagens palacianos apresentados com nitidez, estadistas que auxiliam o regente, depois rei: dom Rodrigo de Souza Coutinho, da estirpe de Pombal, que abominava chorar em vez de obrar, Antonio Araújo de Azevedo, o cuidadoso liberal numa corte absolutista, Thomaz Antonio de Vila Nova Portugal, que foi ministro de todas as pastas. Cuidaram esses homens de prover a estrutura do imenso país como um prolongamento da pátria. Daí que o Brasil é dos poucos países coloniais que estudam com naturalidade sua fase de colônia como parte da própria História.

No decorrer dessa bem pesquisada novela, acompanhamos fios domésticos como o comportamento da rainha e o rumo das idéias dos príncipes, que vai degenerar lustros depois na guerra portuguesa entre dom Pedro e o mano Miguel. Mas também a criação da maquinaria de um novo Estado, a vinda de cientistas e de militares, a introdução da vacina, o surgimento da imprensa, do Banco do Brasil, a vida cotidiana, o embelezamento do Rio, as relações com o interior, Minas, Pernambuco, São Paulo, Rio Grande, estradas, pontes, a metalurgia do ferro, a construção naval, a política interna entre o partido inglês e o partido francês, as habilidades no trato com o grupo que ficara em Portugal e vivia as emoções de sua própria política interna de lá, tema principal da qual era sempre "que raios faz dom João na América que não volta para casa?"

PÉS DE CHUMBO - Depois daquela tarde de domingo em Waterloo, o mundo se transfigura, os vencedores voltam ao interrompido Congresso de Viena e recomeçam a desenhar a nova ordem, da qual faz parte marginal a criação do reino unido de Portugal, Brasil e Algarves, sugerida numa conversa de salão pelo príncipe de Talleyrand ao conde de Palmela, representante de Portugal entre os vencedores. Reina a paz na Europa, mas dom João vai-se deixando ficar por aqui mesmo. Passa o tempo, personagens sucedem a velha-guarda. As atenções do Estado voltam-se agora para a missão do marquês de Marialva em Viena, para negociar o casamento austríaco de dom Pedro e trazer aos trópicos a noiva Leopoldina; para nossas tensas negociações com a Inglaterra, que nos pressionava contra o tráfico de escravos em geral e contra o mau trato nos navios negreiros em particular; para a revolução pernambucana de 1817, "a mais espontânea, a mais desorganizada e a mais simpática de nossas revoluções". Animados capítulos, "O espetáculo das ruas" e "As solenidades da corte", sumarizam a vida do Rio de Janeiro ao tempo de dom João, das grandes festas aos conflitos de rua entre soldados, do mesmo exército mas portugueses e brasileiros, pés de chumbo e pés de cabra. Há cenas como a do ministro russo credenciado junto à corte do Rio de Janeiro visitando dom João para reclamar das atitudes do conde da Barca. O livro transcreve-lhe o interessante relatório, com dom João traindo de frase em frase o tique de dizer "hem! hem!"

Oliveira Lima sentencia que dom João não foi o que se pode chamar de um grande soberano, mas o que fez, que não foi pouco, fê-lo pelo exercício combinado de dois predicados que denotam superioridade, um de caráter, a bondade, o outro de inteligência, o senso prático ou de governo. Foi brando e sagaz, insinuante e precavido, afável e pertinaz, traços mais autênticos que as anedotas picarescas que lhe davam a caricatura de desmazelo bonacheirão e de esperteza saloia. Um dos mais fracos soberanos da Europa, foi o único que escapou às humilhações pessoais por que fez Napoleão passar os representantes do direito divino: os Bourbons da Espanha e da Itália, o rei da Prússia, o César austríaco, o próprio czar.

REVOLUÇÃO LIBERAL - Chega o ano de 1820, na Ibéria a situação torna-se grave, propagada a revolução liberal de Cádiz. Beresford vem ao Rio alertar lealmente dom João dos queixumes portugueses. Na sua volta, a junta liberal nem o deixa desembarcar. Como o Brasil sempre reflete a política da Europa, ocorre no Rio a curiosa cena em que um movimento em prol de uma constituição vaga obriga dom João a descer de São Cristóvão e a contragosto jurar antecipadamente qualquer constituição que viesse de Lisboa, e que ali mesmo se aclama, na ignorância do que ela pudesse vir a ser. Declamaram-se, além disso, uns versos, que exaltavam a divinal Constituição desconhecida, tudo com a entusiasmada participação do príncipe Pedro.

Depois dessa passagem, os dois lados da política queriam que dom João deixasse o Brasil. Um, para ter o rei de volta lá, o outro, para ter dom Pedro aqui. Daí as coisas aceleram-se, o velho reino volta-se ao objetivo de recolonizar o Brasil e o conto de Oliveira Lima pinta um novo quadro geral que vai mais tarde resolver-se às margens do Ipiranga. Assunto, aliás, de outros livros do autor, pernambucano, diplomata de carreira, com postos em Lisboa, Berlim, Caracas, Tóquio, Bruxelas e cuja biblioteca (http://www.cua.edu/ www/mullen/limacoll.html) é hoje uma das coleções na Catholic University, em Washington, onde morreu em 1928. Serão, quem sabe, próximos lançamentos da série. As safras literárias de História andam fartas, coisa muito boa. E oportuna, pois é muito agradável ler História nesta fase sem mais os preconceitos de grandes antagonismos ideológicos.

Trecho
Em dom João VI as imperfeições de todo ser humano não chegavam para que desmerecessem as sólidas qualidades. Se era tímido, pusilânime mesmo, como tal egoísta, ressentido, ciumento de atenções, amigo de monopolizar as deferências e inimigo de perdoar os agravos menores, também era clemente e misericordioso nas grandes ocasiões, quando se fazia apelo direto ao seu coração, e arguto em qualquer emergência e invariavelmente bem-intencionado.

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Roberto Pompeu de Toledo
Joaquim José, um brasileiro
As razões que levaram Tiradentes, homenageado a cada 21 de abril, a virar herói supremo da nação

(publicada em 25/04/2007)

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A primeira razão para seu triunfo póstumo tem base no próprio caráter esquivo do personagem. Como não se sabe direito quem ele foi, virou figura fácil de ser puxada para este ou aquele lado. O regime militar declarou-o "Patrono Cívico da Nação Brasileira" por decreto do marechal Castello Branco de dezembro de 1965. Em 1967, o Teatro de Arena, de São Paulo, um templo da esquerda, montou a peça Arena Conta Tiradentes, de Augusto Boal e Gianfrancesco Guarnieri. Se o Tiradentes de Castello Branco era um herói para personificar os valores que o regime militar pretendia representar, o do Arena era um contestador desses mesmos valores.

A segunda razão, conforme a lúcida argumentação do historiador José Murilo de Carvalho, é o fato de a frustrada tentativa de insurreição de que Tiradentes acabou o símbolo ter ocorrido em Minas Gerais, com desdobramentos no Rio de Janeiro, onde ele foi preso e enforcado. Não faltaram insurreições de coloração republicana, tanto no período colonial quanto no imperial. As revoluções pernambucanas de 1817 e 1824 são duas delas, outra é a Farroupilha, do Rio Grande do Sul. Os cabeças do movimento que proclamou a República poderiam ter escolhido, como heróis da nação, tanto o frei Caneca dos levantes pernambucanos como o Bento Gonçalves do movimento gaúcho. José Murilo de Carvalho sugere no entanto que um e outro acabaram descredenciados por ter atuado em regiões consideradas, àquela altura, secundárias em relação ao eixo político do país. Tiradentes, ao contrário, "era o herói de uma área que, a partir da metade do século XIX, já podia ser considerada o centro político do país - Minas Gerais, Rio de Janeiro e São Paulo".

(...)

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