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Guia VEJA de Profissões

VEJA.com recrutou 30 profissionais de destaque de diferentes áreas para ajudar você a resolver um dilema: qual carreira seguir. Eles responderam questões da redação e também dos internautas, com o objetivo de esclarecer como é o dia-a-dia de suas áreas, quais as habilidades requeridas por suas atividades e as perspectivas de mercado para os próximos anos, entre outros temas.

Confira as respostas dos vinte primeiros profissionais, das seguintes carreiras:

Fonoaudiologia Fisioterapia Arquitetura e urbanismo
Psicologia Marketing Engenharia de alimentos
Jornalismo Enfermagem Odontologia
Ciência da computação Engenharia civil Pedagogia
Design de games Engenharia elétrica Publicidade
Direito (advocacia) História Relações públicas
Direito (magistratura) Letras Turismo
Economia Medicina Veterinária
Educação física Nutrição Agronomia

As demais serão publicadas nas próximas semanas.

GUIA DO ESTUDANTE: Confira as instituições onde você pode estudar em todo o país

Odontologia
Nome / idade: Martha de Abreu Ávila, 43 anos
Formação / ano: Universidade Estadual Paulista (Unesp), em 1986
Ocupação atual: Atua na área de ortodontia e ortopedia funcional dos maxilares
Destaques da carreira:
  • especialização em ortodontia e ortopedia funcional dos maxilares e em radiologia
  • professora de pós-graduação em ortodontia e ortopedia funcional dos maxilares

Respostas

1. Descreva um dia da sua rotina profissional
2. Em que medida você interage com outras pessoas durante o seu trabalho?
3. Você trabalha nos fins de semanas? Com que frequência?
4. Você pode fazer o seu próprio horário de trabalho?
5. Assim que me formo, quais são os caminhos que posso seguir na profissão?
6. Ao entrar no mercado de trabalho, é melhor experimentar várias empresas de início ou já se estabelecer em um único emprego?
7. É necessário se atualizar de forma permanente na sua profissão?
8. O que mais a decepcionou no exercício da profissão?
9. E o que mais o agradou/surpreendeu de forma positiva?
10. É possível trabalhar como autônomo ou empresário na sua profissão, ou a tendência é continuar sempre como empregado?
11. Na sua opinião, qual é o perfil ideal para um profissional dessa área?
12. Qual é a perspectiva para esse mercado daqui a 5 ou 10 anos?
13. Qual habilidade é a mais útil e necessária para o exercício da profissão?
14. Quanto tempo leva até você conseguir alcançar certa "estabilidade" na sua carreira?
15. Existem cursos de pós para todas as áreas?
16. Durante o curso, qual é a maior dificuldade que os estudantes encontram?
17. Qual área será a mais procurada/necessária no futuro?
18. Esta valendo a pena fazer odontologia hoje em dia? A senhora se sente realizada profissionalmente? Da para trabalhar em consultório?

1. Descreva um dia da sua rotina profissional
No meu caso, não possuo uma rotina fixa, pois exerço trabalhos bastante diversificados. Mas pode-se dizer que, em geral, os dentistas trabalham uma média de dez horas por dia. Duas vezes por semana e em alguns sábados, eu atendo em meu consultório particular como ortodontista. Nestes dias fico praticamente o tempo todo dentro do consultório. Só saio se houver algum intervalo na agenda e precisar resolver algo ali por perto. O horário da noite é bastante procurado, portanto, normalmente termino entre 19:30h e 20h. Duas vezes por semana presto serviço como coordenadora de uma equipe de ortodontistas em uma clínica grande. Estes dias são bastante corridos, pois minha função inclui: diagnosticar e planejar os tratamentos dos pacientes novos; orientar, ensinar e responder as dúvidas dos profissionais da equipe em relação aos pacientes em tratamento; verificar os trabalhos que serão enviados aos laboratórios que confeccionam aparelhos; verificar as documentações ortodônticas finais e orientar a finalização dos tratamentos; resolver eventuais problemas relacionados aos pacientes, funcionários, dentistas etc.; reuniões com a diretoria da clínica; e atender alguns pacientes com problemas muito complexos. Como se pode notar, nestes dias não existe rotina alguma. Como normalmente não consigo dar conta de fazer todos os planejamentos ortodônticos na clínica, sempre acabo trazendo trabalho para casa, portanto, não é incomum eu precisar trabalhar em casa à noite e nos fins de semana. Além destas atividades, sou professora/coordenadora em cursos de aperfeiçoamento em ortodontia. Logicamente, isso implica pesquisar muito, preparar aulas e palestras em Power Point, portanto meu computador me acompanha sempre. Utilizo também o computador para fazer e imprimir relatórios, verificar as agendas das clínicas, o fechamento dos pagamentos do mês etc. Essa foi a minha opção como dentista, pois eu não conseguiria ficar "presa e isolada" num mesmo local todos os dias. Mas existem muitos profissionais que trabalham em um único local diariamente.

2. Em que medida você interage com outras pessoas durante o seu trabalho?
O trabalho do dentista sempre deve ser em equipe. No mínimo, deve-se ter um auxiliar bem treinado para otimizar o tempo e a qualidade do atendimento, o que é fundamental nesta profissão, pois o ganho está baseado na quantidade de pacientes atendidos. O preço/hora do dentista é muito alto, portanto ele não deve desperdiçar tempo com tarefas que podem ser executadas por outras pessoas, como, lavar e esterilizar materiais, atender ao telefone, agendar os pacientes, receber os pagamentos etc. O profissional deve ficar focado no tratamento do paciente e manter um ótimo relacionamento com ele. No meu consultório, tenho uma auxiliar que cuida de tudo isso. Na clínica em que presto serviço coordenando a equipe de ortodontia, devido ao grande volume de pacientes e dentistas, são necessários muitos funcionários: gerente, recepcionistas, auxiliares etc.

3. Você trabalha nos fins de semanas? Com que frequência?
Sim, trabalho quase todos os fins de semana, seja em meu consultório ou em minha casa, fazendo os planejamentos dos tratamentos, pesquisando e preparando aulas. A grande maioria dos dentistas recém-formados trabalham em clínicas ou consultórios aos sábados, às vezes o dia inteiro, e conheço alguns que trabalham até aos domingos. No início da carreira principalmente, os fins de semana tornam-se essenciais.

4. Você pode fazer o seu próprio horário de trabalho?
Sim, agora eu posso fazer meu próprio horário, mas no início da carreira eu trabalhava em uma clínica e tinha horário de entrada e de saída.

5. Assim que me formo, quais são os caminhos que posso seguir na profissão?
Realmente são muitos os caminhos a seguir: abrir o próprio consultório – atualmente são poucos os recém-formados que conseguem se sustentar apenas com consultório particular. O investimento é alto e formar uma clientela é muito difícil, leva tempo e grande parte da população possui plano odontológico. A maioria dos planos exige que o profissional seja especialista para poder se credenciar. Há também a possibilidade de trabalhar em clínicas grandes, com vários convênios, que necessitam frequentemente de novos dentistas para atenderem na área de clínica geral (tratar cáries, fazer limpeza etc.). Algumas exigem que o profissional tenha alguns anos de formado (2 a 3 anos), outras não. Seguir carreira acadêmica também é outra opção. Existe a possibilidade de fazer estágio na própria faculdade, para depois seguir fazendo mestrado, doutorado etc. Pode-se ainda conseguir uma bolsa de estudos ou prestar concurso público, trabalhando em postos de saúde, Marinha, Aeronáutica, Exército.

6. Ao entrar no mercado de trabalho, é melhor experimentar várias empresas de início ou já se estabelecer em um único emprego?
A menos que se consiga um ótimo emprego com um bom salário, no início é melhor trabalhar em dois ou três lugares diferentes, pois apenas após algum tempo é possível avaliar se realmente deseja continuar trabalhando naquele determinado local (condições de trabalho, relacionamento entre profissionais, retorno financeiro etc). O mercado está muito instável e muitas clínicas acabam fechando, portanto, o ideal é possuir mais de uma fonte de renda.

7. É necessário se atualizar de forma permanente na sua profissão?
É extremamente importante manter-se constantemente atualizado na odontologia, pois é incrível a velocidade com que surgem novas técnicas, novos materiais, novos instrumentos, novos equipamentos, em todas as especialidades. O Brasil é um dos países mais evoluídos em termos de odontologia e sempre há muito o que aprender. Participar de congressos, ler livros e artigos em revistas especializadas deve fazer parte da rotina do dentista. Existem muitos cursos que podem ser feitos, por exemplo: cursos teóricos rápidos de 2 ou 3 dias sobre determinado tema ou técnica; cursos de aperfeiçoamento em determinada especialidade, com durações que variam de 6 meses a 2 anos, teórico/laboratorial ou teórico/clínico/laboratorial; cursos de especialização em universidades ou entidades de classe, com duração de 24 a 36 meses, no qual se recebe o título de especialista; mestrado/doutorado, para quem prioriza a carreira acadêmica. É importante obter informações e referências sobre os ministradores, o curso e o local. Com relação a línguas estrangeiras, pelo menos o inglês é fundamental para estudos e pesquisas.

8. O que mais a decepcionou no exercício da profissão?
Infelizmente o que me decepciona é a falta de ética profissional entre colegas. Além disso, a desvalorização da profissão, uma vez que a maior parte dos convênios repassam valores insignificantes aos cirurgiões dentistas.

9. E o que mais o agradou/surpreendeu de forma positiva?
A grande variedade de áreas permite que o dentista escolha a especialidade de que ele gosta mais, que sente que tem mais habilidade, pois assim podemos trabalhar exclusivamente nesta especialidade, o que traz muita satisfação, realização pessoal e profissional.

10. É possível trabalhar como autônomo ou empresário na sua profissão, ou a tendência é continuar sempre como empregado?
Existem todas as possibilidades. Eu iniciei como autônoma e empregada no início. Hoje, trabalho como autônoma em meu consultório e como empresária há alguns anos, prestando serviço especializado com uma equipe, funcionários contratados, contador etc. Muitos profissionais trabalham como prestadores de serviço em diversos locais, ou seja, tornam-se pessoa jurídica e emitem nota fiscal. Uma grande tendência atual tem sido as grandes franquias, que diminuem a possibilidade de fracasso padronizando o público alvo, o padrão da clínica, dos profissionais, da qualidade de atendimento, orientando os profissionais em todas as áreas e com um forte marketing.

11. Na sua opinião, qual é o perfil ideal para um profissional dessa área?
Como existem muitas áreas para atuar na odontologia, o perfil do profissional pode variar bastante, mas as características, em geral, são: gostar muito de estudar, ter bom relacionamento com as pessoas, possuir sensibilidade para ouvi-las e entender suas expectativas, ter habilidade manual (se não tiver, pode ser desenvolvida com muito treino), ser perseverante, ser muito paciente e gostar de ajudar pessoas. Há um provérbio clássico da odontologia: "A odontologia é uma profissão que exige dos que a ela se dedicam: os conhecimentos científicos de um médico, o senso estético de um artista, a destreza manual de um cirurgião e a paciência de um monge". Poderíamos acrescentar ainda: "A percepção de um psicólogo".

12. Qual é a perspectiva para esse mercado daqui a 5 ou 10 anos?
A odontologia se aproxima cada vez mais da medicina, ou seja, aumenta cada vez mais a quantidade de convênios e planos odontológicos. Poucos profissionais conseguirão ter agenda cheia apenas de pacientes particulares e trabalhando sozinhos em seus consultórios. Acredito que a tendência é a união de vários profissionais atendendo a vários convênios, formando parcerias, franquias, e que cada vez mais será necessário trabalhar em diversos locais.

13. Qual habilidade é a mais útil e necessária para o exercício da profissão?
A habilidade manual sem dúvida. Algumas pessoas a possuem naturalmente, o que ajuda muito. Outras necessitam de muitos exercícios práticos e perseverança para desenvolvê-la.

14. Quanto tempo leva até você conseguir alcançar certa "estabilidade" na sua carreira?
Atualmente, é difícil de responder. Mas, como em qualquer profissão, apenas os mais dedicados, preparados, esforçados, atualizados, estudiosos e perseverantes poderão progredir na profissão.

15. Existem cursos de pós para todas as áreas? Jéssica Cristina Rodrigues, 16 anos
Sim, em todas as áreas e, às vezes, surgem novas especialidades.

16. Durante o curso, qual é a maior dificuldade que os estudantes encontram? Jéssica Cristina Rodrigues, 16 anos
Uma grande dificuldade é a financeira. Mesmo estudando em universidades estaduais ou federais, existe o gasto com os materiais e instrumentais, que são caros. Outra dificuldade encontrada é o tempo necessário para se dedicar aos estudos, aos trabalhos e aos exercícios.

17. Qual área será a mais procurada/necessária no futuro? Jéssica Cristina Rodrigues, 16 anos
Sem dúvida, a estética está cada vez mais em evidência. Portanto, as especialidades diretamente relacionadas à odontologia estética – como implantodontia, ortodontia, restaurações estéticas, facetas, próteses – estão sendo cada vez mais procuradas. Devido ao aumento de incidência de stress e doenças cada vez mais comuns, como depressão e ansiedade, os pacientes estão apresentando problemas de disfunção têmporomandibular (DTM) com maior frequência. Assim, os especialistas em DTM também estão sendo muito solicitados.

18. Esta valendo a pena fazer odontologia hoje em dia? A senhora se sente realizada profissionalmente? Da para trabalhar em consultório? Eduardo Esteves Raposo
Antigamente, era muito comum dentistas que ficavam muito ricos com a profissão. Apenas as pessoas com melhores condições financeiras podiam pagar o tratamento, cujo valor era muito maior se comparado aos dias atuais, pois o número de profissionais era bem menor. Algumas pessoas faziam odontologia apenas baseados nesta perspectiva. Atualmente, se alguém quiser escolher a profissão baseado apenas na possibilidade de remuneração, a odontologia não seria a mais indicada. O número de profissionais novos no mercado aumentou muito devido ao aumento da quantidade de faculdades. Além disso, como a renda familiar diminuiu, muitas pessoas que davam prioridade à qualidade na escolha do profissional foram obrigadas a dar prioridade aos preços. Eu me sinto muito realizada profissionalmente, pois exerço a profissão e a especialidade que adoro. Também é muito gratificante poder ensinar; ao mesmo tempo me obriga a estudar muito e a me manter sempre atualizada, além de me proporcionar a oportunidade de participar como palestrante em congressos nacionais e internacionais (como Roma, Isla de Margarita, Paris, Casablanca). Foram muitos anos de luta, de investimentos em cursos, de muita dedicação, trabalho e estudo, e isso ainda continua, mas me sinto realizada por estar crescendo cada vez mais na profissão e por ter a oportunidade de ensinar o que aprendi a outros e continuar aprendendo sempre.

 

 
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