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Guia VEJA de Profissões
VEJA.com recrutou 30 profissionais de destaque de diferentes áreas para ajudar você a resolver um dilema: qual carreira seguir. Eles responderam questões da redação e também dos internautas, com o objetivo de esclarecer como é o dia-a-dia de suas áreas, quais as habilidades requeridas por suas atividades e as perspectivas de mercado para os próximos anos, entre outros temas.
Confira as respostas dos vinte primeiros profissionais, das seguintes carreiras:
As demais serão publicadas nas próximas semanas.
• GUIA DO ESTUDANTE: Confira as instituições onde você pode estudar em todo o país
| Odontologia |
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Nome / idade: Martha de Abreu Ávila, 43 anos
Formação / ano: Universidade Estadual Paulista (Unesp), em 1986
Ocupação atual: Atua na área de ortodontia e ortopedia funcional dos maxilares
Destaques da carreira:
- especialização em ortodontia e ortopedia funcional dos maxilares e em radiologia
- professora de pós-graduação em ortodontia e ortopedia funcional dos maxilares
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Respostas
1.
Descreva um dia da sua rotina profissional
No meu caso, não possuo uma rotina fixa, pois exerço trabalhos
bastante diversificados. Mas pode-se dizer que, em geral, os dentistas trabalham
uma média de dez horas por dia. Duas vezes por semana e em alguns sábados,
eu atendo em meu consultório particular como ortodontista. Nestes dias
fico praticamente o tempo todo dentro do consultório. Só saio
se houver algum intervalo na agenda e precisar resolver algo ali por perto.
O horário da noite é bastante procurado, portanto, normalmente
termino entre 19:30h e 20h. Duas vezes por semana presto serviço como
coordenadora de uma equipe de ortodontistas em uma clínica grande. Estes
dias são bastante corridos, pois minha função inclui: diagnosticar
e planejar os tratamentos dos pacientes novos; orientar, ensinar e responder
as dúvidas dos profissionais da equipe em relação aos pacientes
em tratamento; verificar os trabalhos que serão enviados aos laboratórios
que confeccionam aparelhos; verificar as documentações ortodônticas
finais e orientar a finalização dos tratamentos; resolver eventuais
problemas relacionados aos pacientes, funcionários, dentistas etc.; reuniões
com a diretoria da clínica; e atender alguns pacientes com problemas
muito complexos. Como se pode notar, nestes dias não existe rotina alguma.
Como normalmente não consigo dar conta de fazer todos os planejamentos
ortodônticos na clínica, sempre acabo trazendo trabalho para casa,
portanto, não é incomum eu precisar trabalhar em casa à
noite e nos fins de semana. Além destas atividades, sou professora/coordenadora
em cursos de aperfeiçoamento em ortodontia. Logicamente, isso implica
pesquisar muito, preparar aulas e palestras em Power Point, portanto meu computador
me acompanha sempre. Utilizo também o computador para fazer e imprimir
relatórios, verificar as agendas das clínicas, o fechamento dos
pagamentos do mês etc. Essa foi a minha opção como dentista,
pois eu não conseguiria ficar "presa e isolada" num mesmo local
todos os dias. Mas existem muitos profissionais que trabalham em um único
local diariamente.

2.
Em que medida você interage com outras pessoas durante o seu trabalho?
O trabalho do dentista sempre deve ser em equipe. No mínimo, deve-se
ter um auxiliar bem treinado para otimizar o tempo e a qualidade do atendimento,
o que é fundamental nesta profissão, pois o ganho está
baseado na quantidade de pacientes atendidos. O preço/hora do dentista
é muito alto, portanto ele não deve desperdiçar tempo com
tarefas que podem ser executadas por outras pessoas, como, lavar e esterilizar
materiais, atender ao telefone, agendar os pacientes, receber os pagamentos
etc. O profissional deve ficar focado no tratamento do paciente e manter um
ótimo relacionamento com ele. No meu consultório, tenho uma auxiliar
que cuida de tudo isso. Na clínica em que presto serviço coordenando
a equipe de ortodontia, devido ao grande volume de pacientes e dentistas, são
necessários muitos funcionários: gerente, recepcionistas, auxiliares
etc.

3.
Você trabalha nos fins de semanas? Com que frequência?
Sim, trabalho quase todos os fins de semana, seja em meu consultório
ou em minha casa, fazendo os planejamentos dos tratamentos, pesquisando e preparando
aulas. A grande maioria dos dentistas recém-formados trabalham em clínicas
ou consultórios aos sábados, às vezes o dia inteiro, e
conheço alguns que trabalham até aos domingos. No início
da carreira principalmente, os fins de semana tornam-se essenciais.

4. Você
pode fazer o seu próprio horário de trabalho?
Sim, agora eu posso fazer meu próprio horário, mas no início
da carreira eu trabalhava em uma clínica e tinha horário de entrada
e de saída.

5.
Assim que me formo, quais são os caminhos que posso seguir na profissão?
Realmente são muitos os caminhos a seguir: abrir o próprio
consultório atualmente são poucos os recém-formados
que conseguem se sustentar apenas com consultório particular. O investimento
é alto e formar uma clientela é muito difícil, leva tempo
e grande parte da população possui plano odontológico.
A maioria dos planos exige que o profissional seja especialista para poder se
credenciar. Há também a possibilidade de trabalhar em clínicas
grandes, com vários convênios, que necessitam frequentemente de
novos dentistas para atenderem na área de clínica geral (tratar
cáries, fazer limpeza etc.). Algumas exigem que o profissional tenha
alguns anos de formado (2 a 3 anos), outras não. Seguir carreira acadêmica
também é outra opção. Existe a possibilidade de
fazer estágio na própria faculdade, para depois seguir fazendo
mestrado, doutorado etc. Pode-se ainda conseguir uma bolsa de estudos ou prestar
concurso público, trabalhando em postos de saúde, Marinha, Aeronáutica,
Exército.

6.
Ao entrar no mercado de trabalho, é melhor experimentar várias
empresas de início ou já se estabelecer em um único
emprego?
A menos que se consiga um ótimo emprego com um bom salário,
no início é melhor trabalhar em dois ou três lugares diferentes,
pois apenas após algum tempo é possível avaliar se realmente
deseja continuar trabalhando naquele determinado local (condições
de trabalho, relacionamento entre profissionais, retorno financeiro etc). O
mercado está muito instável e muitas clínicas acabam fechando,
portanto, o ideal é possuir mais de uma fonte de renda.
7.
É necessário se atualizar de forma permanente na sua profissão?
É extremamente importante manter-se constantemente atualizado na
odontologia, pois é incrível a velocidade com que surgem novas
técnicas, novos materiais, novos instrumentos, novos equipamentos, em
todas as especialidades. O Brasil é um dos países mais evoluídos
em termos de odontologia e sempre há muito o que aprender. Participar
de congressos, ler livros e artigos em revistas especializadas deve fazer parte
da rotina do dentista. Existem muitos cursos que podem ser feitos, por exemplo:
cursos teóricos rápidos de 2 ou 3 dias sobre determinado tema
ou técnica; cursos de aperfeiçoamento em determinada especialidade,
com durações que variam de 6 meses a 2 anos, teórico/laboratorial
ou teórico/clínico/laboratorial; cursos de especialização
em universidades ou entidades de classe, com duração de 24 a 36
meses, no qual se recebe o título de especialista; mestrado/doutorado,
para quem prioriza a carreira acadêmica. É importante obter informações
e referências sobre os ministradores, o curso e o local. Com relação
a línguas estrangeiras, pelo menos o inglês é fundamental
para estudos e pesquisas.

8. O
que mais a decepcionou no exercício da profissão?
Infelizmente o que me decepciona é a falta de ética profissional
entre colegas. Além disso, a desvalorização da profissão,
uma vez que a maior parte dos convênios repassam valores insignificantes
aos cirurgiões dentistas.

9.
E o que mais o agradou/surpreendeu de forma positiva?
A grande variedade de áreas permite que o dentista escolha a especialidade
de que ele gosta mais, que sente que tem mais habilidade, pois assim podemos
trabalhar exclusivamente nesta especialidade, o que traz muita satisfação,
realização pessoal e profissional.

10. É
possível trabalhar como autônomo ou empresário na sua profissão,
ou a tendência é continuar sempre como empregado?
Existem todas as possibilidades. Eu iniciei como autônoma e empregada
no início. Hoje, trabalho como autônoma em meu consultório
e como empresária há alguns anos, prestando serviço especializado
com uma equipe, funcionários contratados, contador etc. Muitos profissionais
trabalham como prestadores de serviço em diversos locais, ou seja, tornam-se
pessoa jurídica e emitem nota fiscal. Uma grande tendência atual
tem sido as grandes franquias, que diminuem a possibilidade de fracasso padronizando
o público alvo, o padrão da clínica, dos profissionais,
da qualidade de atendimento, orientando os profissionais em todas as áreas
e com um forte marketing.

11. Na
sua opinião, qual é o perfil ideal para um profissional dessa
área?
Como existem muitas áreas para atuar na odontologia, o perfil do
profissional pode variar bastante, mas as características, em geral,
são: gostar muito de estudar, ter bom relacionamento com as pessoas,
possuir sensibilidade para ouvi-las e entender suas expectativas, ter habilidade
manual (se não tiver, pode ser desenvolvida com muito treino), ser perseverante,
ser muito paciente e gostar de ajudar pessoas. Há um provérbio
clássico da odontologia: "A odontologia é uma profissão
que exige dos que a ela se dedicam: os conhecimentos científicos de um
médico, o senso estético de um artista, a destreza manual de um
cirurgião e a paciência de um monge". Poderíamos acrescentar
ainda: "A percepção de um psicólogo".

12. Qual
é a perspectiva para esse mercado daqui a 5 ou 10 anos?
A odontologia se aproxima cada vez mais da medicina, ou seja, aumenta cada
vez mais a quantidade de convênios e planos odontológicos. Poucos
profissionais conseguirão ter agenda cheia apenas de pacientes particulares
e trabalhando sozinhos em seus consultórios. Acredito que a tendência
é a união de vários profissionais atendendo a vários
convênios, formando parcerias, franquias, e que cada vez mais será
necessário trabalhar em diversos locais.

13.
Qual habilidade é a mais útil e necessária para o exercício
da profissão?
A habilidade manual sem dúvida. Algumas pessoas a possuem naturalmente,
o que ajuda muito. Outras necessitam de muitos exercícios práticos
e perseverança para desenvolvê-la.

14.
Quanto tempo leva até você conseguir alcançar certa "estabilidade"
na sua carreira?
Atualmente, é difícil de responder. Mas, como em qualquer
profissão, apenas os mais dedicados, preparados, esforçados, atualizados,
estudiosos e perseverantes poderão progredir na profissão.

15.
Existem cursos de pós para todas as áreas? Jéssica
Cristina Rodrigues, 16 anos
Sim, em todas as áreas e, às vezes, surgem novas especialidades.

16.
Durante o curso, qual é a maior dificuldade que os estudantes encontram?
Jéssica Cristina Rodrigues, 16 anos
Uma grande dificuldade é a financeira. Mesmo estudando em universidades
estaduais ou federais, existe o gasto com os materiais e instrumentais, que
são caros. Outra dificuldade encontrada é o tempo necessário
para se dedicar aos estudos, aos trabalhos e aos exercícios.

17. Qual
área será a mais procurada/necessária no futuro? Jéssica
Cristina Rodrigues, 16 anos
Sem dúvida, a estética está cada vez mais em evidência.
Portanto, as especialidades diretamente relacionadas à odontologia estética
como implantodontia, ortodontia, restaurações estéticas,
facetas, próteses estão sendo cada vez mais procuradas.
Devido ao aumento de incidência de stress e doenças cada vez mais
comuns, como depressão e ansiedade, os pacientes estão apresentando
problemas de disfunção têmporomandibular (DTM) com maior
frequência. Assim, os especialistas em DTM também estão
sendo muito solicitados.

18.
Esta valendo a pena fazer odontologia hoje em dia? A senhora se sente realizada
profissionalmente? Da para trabalhar em consultório? Eduardo Esteves
Raposo
Antigamente, era muito comum dentistas que ficavam muito ricos com a profissão.
Apenas as pessoas com melhores condições financeiras podiam pagar
o tratamento, cujo valor era muito maior se comparado aos dias atuais, pois
o número de profissionais era bem menor. Algumas pessoas faziam odontologia
apenas baseados nesta perspectiva. Atualmente, se alguém
quiser escolher a profissão baseado apenas na possibilidade de remuneração,
a odontologia não seria a mais indicada. O número de profissionais
novos no mercado aumentou muito devido ao aumento da quantidade de faculdades.
Além disso, como a renda familiar diminuiu, muitas pessoas que davam
prioridade à qualidade na escolha do profissional foram obrigadas a dar
prioridade aos preços. Eu me sinto muito realizada profissionalmente,
pois exerço a profissão e a especialidade que adoro. Também
é muito gratificante poder ensinar; ao mesmo tempo me obriga a estudar
muito e a me manter sempre atualizada, além de me proporcionar a oportunidade
de participar como palestrante em congressos nacionais e internacionais (como
Roma, Isla de Margarita, Paris, Casablanca). Foram muitos anos
de luta, de investimentos em cursos, de muita dedicação, trabalho
e estudo, e isso ainda continua, mas me sinto realizada por estar crescendo
cada vez mais na profissão e por ter a oportunidade de ensinar o que
aprendi a outros e continuar aprendendo sempre.
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