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Guia VEJA de Profissões

VEJA.com recrutou 30 profissionais de destaque de diferentes áreas para ajudar você a resolver um dilema: qual carreira seguir. Eles responderam questões da redação e também dos internautas, com o objetivo de esclarecer como é o dia-a-dia de suas áreas, quais as habilidades requeridas por suas atividades e as perspectivas de mercado para os próximos anos, entre outros temas.

Confira as respostas dos vinte primeiros profissionais, das seguintes carreiras:

Fonoaudiologia Fisioterapia Arquitetura e urbanismo
Psicologia Marketing Engenharia de alimentos
Jornalismo Enfermagem Odontologia
Ciência da computação Engenharia civil Pedagogia
Design de games Engenharia elétrica Publicidade
Direito (advocacia) História Relações públicas
Direito (magistratura) Letras Turismo
Economia Medicina Veterinária
Educação física Nutrição Agronomia

As demais serão publicadas nas próximas semanas.

GUIA DO ESTUDANTE: Confira as instituições onde você pode estudar em todo o país

História
Nome / idade: Fabrício Pereira da Silva, 30 anos
Formação / ano: Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), 2002
Ocupação atual: Auxiliar de pesquisa do Instituto Universitário de Pesquisas do Rio de Janeiro
Destaques da carreira:
  • mestrado em história social pela UFRJ
  • doutorando em ciência política pela IUPERJ

Respostas

1. Descreva um dia da sua rotina profissional
2. Em que medida você interage com outras pessoas durante o seu trabalho?
3. Você trabalha nos fins de semanas? Com que frequência?
4. Você pode fazer o seu próprio horário de trabalho?
5. Ao entrar no mercado de trabalho, é melhor experimentar várias empresas de início ou já se estabelecer em um único emprego?
6. É necessário se atualizar de forma permanente na sua profissão?
7. É possível trabalhar como autônomo ou empresário na sua profissão, ou a tendência é continuar sempre como empregado?
8. Na sua opinião, qual é o perfil ideal para um profissional dessa área?
9. Qual é a perspectiva para esse mercado daqui a 5 ou 10 anos?
10. Qual é o maior desafio para o exercício da sua profissão?
11. Qual habilidade é a mais útil e necessária para o exercício da profissão?
12. Quanto tempo leva até você conseguir alcançar certa "estabilidade" na sua carreira?
13. É verdade que não existe profissional de história desempregado?
14. O campo de trabalho para o historiador é pequeno? Quais são as opções do mercado de trabalho?
15. Gostaria de saber os pontos positivos e negativos do curso de história?

1. Descreva um dia da sua rotina profissional
No momento, estou trabalhando como pesquisador e terminando o doutorado. A rotina de trabalho tem sido escrever minha tese todos os dias em casa, e fazer pesquisas relacionadas a ela e ao trabalho de pesquisador, além de frequentar a aula. Tenho uma rotina fixa para a tese, já a pesquisa na qual trabalho é mais flexível, e faço diversas atividades relacionadas. Utilizo sempre o computador, o dia inteiro, e o que tenho feito com mais frequência é escrever. Trabalho oito horas por dia. O tempo é bem flexível, mas tenho metas e prazos a cumprir. Além disso, frequento congressos nacionais e internacionais, e publico artigos em revistas científicas e livros. Isso é fundamental se você quer ser – como no meu caso – professor universitário e pesquisador, mas não tanto se você quer ser professor no ensino fundamental.

2. Em que medida você interage com outras pessoas durante o seu trabalho?
Se você for ser professor do ensino fundamental ou universitário, muito. Se for trabalhar num centro de pesquisa, menos. Se for um pesquisador freelancer, menos ainda. A necessidade de terceiros acontece principalmente quando você vai fazer uma pesquisa. Aí, geralmente, você tem auxiliares de pesquisa. Como professor, pode dar uma aula conjunta também, um seminário, algo assim.

3. Você trabalha nos fins de semanas? Com que frequência?
Trabalho se for necessário, para cumprir um prazo ou uma meta. A rotina é flexível, então, na realidade, você tem que tomar cuidado para não trabalhar o tempo inteiro, por conta da competição com outros profissionais. A competição é grande, principalmente na área de pesquisa e na universidade. É muito importante escrever artigos e mandar trabalho para congressos e continuar sempre se reciclando. Então você tem que se impor um tempo de descanso.

4. Você pode fazer o seu próprio horário de trabalho?
No momento, sim. Meu horário é bem flexível e só tenho que comparecer algumas vezes na universidade para participar de reuniões sobre a pesquisa de que participo e assistir a aulas. Em breve vai deixar de ser assim. Para um professor do ensino fundamental e para um pesquisador de um centro de pesquisas, o horário não é muito flexível. É um pouco mais para um professor universitário. Mas, de qualquer forma, um historiador tem mais chances de gerir seu próprio tempo de trabalho que muitos outros profissionais.

5. Ao entrar no mercado de trabalho, é melhor experimentar várias empresas de início ou já se estabelecer em um único emprego?
"Empresa" não é bem a palavra correta. Um historiador até pode trabalhar numa empresa (e o espaço nessa área está crescendo), mas geralmente trabalha numa universidade, escola ou centro de pesquisa. Não há uma regra. Durante a faculdade você vai passar por um ou vários estágios, conforme as oportunidades forem surgindo. Depois, vai se estabelecer em algum trabalho por conta das redes que construiu, ou vai fazer algum concurso para universidade ou escola. Se estiver insatisfeito em uma experiência de trabalho, você não é mal visto nessa área se trocar seu trabalho por outra oportunidade que tenha surgido (ou que você tenha procurado).

6. É necessário se atualizar de forma permanente na sua profissão?
É fundamental se atualizar de forma permanente, em qualquer um dos caminhos que você escolha. É muito importante fazer pós-graduação: mestrado se você quiser se especializar como professor do ensino fundamental, e mestrado e doutorado se quiser ser pesquisador e professor universitário. Nessas últimas, sem doutorado, hoje em dia não se consegue muita coisa. Quanto às línguas, não é tão necessário se você quiser ser somente professor de ensino fundamental (mas, mesmo assim, vai ter que ler em inglês durante a faculdade). Se exercer atividades de pesquisador e na universidade, vai ter que saber obrigatoriamente inglês e, preferencialmente, também espanhol e francês.

7. É possível trabalhar como autônomo ou empresário na sua profissão, ou a tendência é continuar sempre como empregado?
Como empresário ainda é raro, mas já existem algumas pequenas empresas de historiadores (consultorias que fazem pesquisas ou elaboram questionários para terceiros). Como autônomo, você pode ser um pesquisador freelancer. Fora isso, vai estar ligado a uma universidade, escola, centro de pesquisa ou empresa na maioria dos casos. Se o local de trabalho for público, ninguém vai ser exatamente seu "patrão" – há uma autonomia grande para escolher seus temas de pesquisa e fazer seus horários.

8. Na sua opinião, qual é o perfil ideal para um profissional dessa área?
Estudar muito, a vida inteira; adorar ler; ter disciplina, organização e muita curiosidade.

9. Qual é a perspectiva para esse mercado daqui a 5 ou 10 anos?
Crescimento. Acredito que vão aumentar as possibilidades de trabalhos autônomos e vão se desenvolver mais consultorias, além de aumentar o contato entre historiadores e o setor privado da economia. Quanto ao setor público, está aumentando também. O investimento em cursos universitários e em pesquisa aumentou muito durante o governo Lula, e o número de vagas para historiadores no setor público aumentou com isso (e a remuneração também).

10. Qual é o maior desafio para o exercício da sua profissão?
O maior desafio é a falta de estrutura que ainda existe, especialmente no ensino fundamental público, e certa falta de reconhecimento por parte de setores da sociedade da importância da profissão. Por exemplo, a profissão de historiador até hoje não é regulamentada. Não existe legalmente a figura do historiador, mas sim a figura do pesquisador ou do professor. Esse reconhecimento é uma luta antiga das associações de classe do setor.

11. Qual habilidade é a mais útil e necessária para o exercício da profissão?
Interesse pela leitura e compreensão da escrita científica. Habilidade para escrever, principalmente no caso de seguir numa atividade "acadêmica". E habilidade para comunicação, principalmente no caso de exercer atividades de professor.

12. Quanto tempo leva até você conseguir alcançar certa "estabilidade" na sua carreira?
Geralmente você começa a atingir certa estabilidade quando termina o mestrado, que hoje em dia se costuma fazer logo, emendado com a graduação. Depois disso, passando para um concurso em universidade ou centro de pesquisa, ou dando aula em bons colégios, você pode ter certa estabilidade. Se fizer um doutorado também, certamente vai ter grandes chances de se estabilizar logo depois.

13. É verdade que não existe profissional de história desempregado? Marília, 18 anos
Realmente não conheço nenhum, ainda que os trabalhos às vezes sejam precários e o profissional tenha que acumular alguns. Com doutorado, não existe desempregado mesmo.

14. O campo de trabalho para o historiador é pequeno? Quais são as opções do mercado de trabalho? Gleison Stievano, 18 anos
É razoável, e está crescendo. O importante é que a profissão de historiador tem muitos caminhos possíveis. Pode-se seguir uma vida mais "acadêmica" e ser professor universitário, escrever livros e artigos e participar de congressos, além de desenvolver pesquisas próprias na universidade. Mas também é possível ser somente pesquisador, sem estar ligado a uma universidade. Você pode trabalhar em algum centro de pesquisa, ou fazer pesquisas como freelancer, como trabalhos para jornal, empresa, produção de filmes etc. Finalmente, um terceiro caminho é ser professor de colégio e, para isso, você deve fazer a licenciatura junto com a faculdade (muitas vezes, é um ano a mais de curso). É possível conciliar dois ou três desses caminhos sem problemas.

15. Gostaria de saber os pontos positivos e negativos do curso de história? Renan Henrique Zanutto, 18 anos
Os positivos são a flexibilidade e a liberdade para buscar pesquisas e trabalhos do seu agrado. É mais comum você estar numa instituição em que pode pesquisar o que gosta, ou dar aula sobre os temas de que gosta mais. Os pontos negativos são os salários, que não são tão altos quanto em outras carreiras (são baixos para um professor do ensino fundamental, e razoáveis para um professor universitário ou pesquisador de uma instituição de bom nível). E a falta de reconhecimento legal da profissão.

 

 
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