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Guia VEJA de Profissões
VEJA.com recrutou 30 profissionais de destaque de diferentes áreas para ajudar você a resolver um dilema: qual carreira seguir. Eles responderam questões da redação e também dos internautas, com o objetivo de esclarecer como é o dia-a-dia de suas áreas, quais as habilidades requeridas por suas atividades e as perspectivas de mercado para os próximos anos, entre outros temas.
Confira as respostas dos vinte primeiros profissionais, das seguintes carreiras:
As demais serão publicadas nas próximas semanas.
• GUIA DO ESTUDANTE: Confira as instituições onde você pode estudar em todo o país
| História |
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Nome / idade: Fabrício Pereira da Silva, 30 anos
Formação / ano: Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), 2002
Ocupação atual: Auxiliar de pesquisa do Instituto Universitário de Pesquisas do Rio de Janeiro
Destaques da carreira:
- mestrado em história social pela UFRJ
- doutorando em ciência política pela IUPERJ
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Respostas
1. Descreva um dia da sua rotina
profissional
No momento, estou trabalhando como pesquisador e terminando o doutorado.
A rotina de trabalho tem sido escrever minha tese todos os dias em casa, e fazer
pesquisas relacionadas a ela e ao trabalho de pesquisador, além de frequentar
a aula. Tenho uma rotina fixa para a tese, já a pesquisa na qual trabalho
é mais flexível, e faço diversas atividades relacionadas.
Utilizo sempre o computador, o dia inteiro, e o que tenho feito com mais frequência
é escrever. Trabalho oito horas por dia. O tempo é bem flexível,
mas tenho metas e prazos a cumprir. Além disso, frequento congressos
nacionais e internacionais, e publico artigos em revistas científicas
e livros. Isso é fundamental se você quer ser como no meu
caso professor universitário e pesquisador, mas não tanto
se você quer ser professor no ensino fundamental.

2. Em que medida você interage
com outras pessoas durante o seu trabalho?
Se você for ser professor do ensino fundamental ou universitário,
muito. Se for trabalhar num centro de pesquisa, menos. Se for um pesquisador
freelancer, menos ainda. A necessidade de terceiros acontece principalmente
quando você vai fazer uma pesquisa. Aí, geralmente, você
tem auxiliares de pesquisa. Como professor, pode dar uma aula conjunta também,
um seminário, algo assim.

3. Você trabalha nos fins
de semanas? Com que frequência?
Trabalho se for necessário, para cumprir um prazo ou uma meta. A
rotina é flexível, então, na realidade, você tem
que tomar cuidado para não trabalhar o tempo inteiro, por conta da competição
com outros profissionais. A competição é grande, principalmente
na área de pesquisa e na universidade. É muito importante escrever
artigos e mandar trabalho para congressos e continuar sempre se reciclando.
Então você tem que se impor um tempo de descanso.

4. Você pode fazer o seu próprio
horário de trabalho?
No momento, sim. Meu horário é bem flexível e só
tenho que comparecer algumas vezes na universidade para participar de reuniões
sobre a pesquisa de que participo e assistir a aulas. Em breve vai deixar de
ser assim. Para um professor do ensino fundamental e para um pesquisador de
um centro de pesquisas, o horário não é muito flexível.
É um pouco mais para um professor universitário. Mas, de qualquer
forma, um historiador tem mais chances de gerir seu próprio tempo de
trabalho que muitos outros profissionais.

5. Ao entrar no mercado de trabalho,
é melhor experimentar várias empresas de início ou já
se estabelecer em um único emprego?
"Empresa" não é bem a palavra correta. Um historiador
até pode trabalhar numa empresa (e o espaço nessa área
está crescendo), mas geralmente trabalha numa universidade, escola ou
centro de pesquisa. Não há uma regra. Durante a faculdade você
vai passar por um ou vários estágios, conforme as oportunidades
forem surgindo. Depois, vai se estabelecer em algum trabalho por conta das redes
que construiu, ou vai fazer algum concurso para universidade ou escola. Se estiver
insatisfeito em uma experiência de trabalho, você não é
mal visto nessa área se trocar seu trabalho por outra oportunidade que
tenha surgido (ou que você tenha procurado).

6. É necessário se
atualizar de forma permanente na sua profissão?
É fundamental se atualizar de forma permanente, em qualquer um dos
caminhos que você escolha. É muito importante fazer pós-graduação:
mestrado se você quiser se especializar como professor do ensino fundamental,
e mestrado e doutorado se quiser ser pesquisador e professor universitário.
Nessas últimas, sem doutorado, hoje em dia não se consegue muita
coisa. Quanto às línguas, não é tão necessário
se você quiser ser somente professor de ensino fundamental (mas, mesmo
assim, vai ter que ler em inglês durante a faculdade). Se exercer atividades
de pesquisador e na universidade, vai ter que saber obrigatoriamente inglês
e, preferencialmente, também espanhol e francês.

7. É possível trabalhar
como autônomo ou empresário na sua profissão, ou a tendência
é continuar sempre como empregado?
Como empresário ainda é raro, mas já existem algumas
pequenas empresas de historiadores (consultorias que fazem pesquisas ou elaboram
questionários para terceiros). Como autônomo, você pode ser
um pesquisador freelancer. Fora isso, vai estar ligado a uma universidade, escola,
centro de pesquisa ou empresa na maioria dos casos. Se o local de trabalho for
público, ninguém vai ser exatamente seu "patrão"
há uma autonomia grande para escolher seus temas de pesquisa e
fazer seus horários.

8. Na sua opinião, qual é
o perfil ideal para um profissional dessa área?
Estudar muito, a vida inteira; adorar ler; ter disciplina, organização
e muita curiosidade.

9. Qual é a perspectiva para
esse mercado daqui a 5 ou 10 anos?
Crescimento. Acredito que vão aumentar as possibilidades de trabalhos
autônomos e vão se desenvolver mais consultorias, além de
aumentar o contato entre historiadores e o setor privado da economia. Quanto
ao setor público, está aumentando também. O investimento
em cursos universitários e em pesquisa aumentou muito durante o governo
Lula, e o número de vagas para historiadores no setor público
aumentou com isso (e a remuneração também).

10. Qual é o maior desafio
para o exercício da sua profissão?
O maior desafio é a falta de estrutura que ainda existe, especialmente
no ensino fundamental público, e certa falta de reconhecimento por parte
de setores da sociedade da importância da profissão. Por exemplo,
a profissão de historiador até hoje não é regulamentada.
Não existe legalmente a figura do historiador, mas sim a figura do pesquisador
ou do professor. Esse reconhecimento é uma luta antiga das associações
de classe do setor.

11. Qual habilidade é a
mais útil e necessária para o exercício da profissão?
Interesse pela leitura e compreensão da escrita científica.
Habilidade para escrever, principalmente no caso de seguir numa atividade "acadêmica".
E habilidade para comunicação, principalmente no caso de exercer
atividades de professor.

12. Quanto tempo leva até
você conseguir alcançar certa "estabilidade" na sua carreira?
Geralmente você começa a atingir certa estabilidade quando
termina o mestrado, que hoje em dia se costuma fazer logo, emendado com a graduação.
Depois disso, passando para um concurso em universidade ou centro de pesquisa,
ou dando aula em bons colégios, você pode ter certa estabilidade.
Se fizer um doutorado também, certamente vai ter grandes chances de se
estabilizar logo depois.

13. É verdade que não
existe profissional de história desempregado? Marília,
18 anos
Realmente não conheço nenhum, ainda que os trabalhos às
vezes sejam precários e o profissional tenha que acumular alguns. Com
doutorado, não existe desempregado mesmo.

14. O campo de trabalho para o
historiador é pequeno? Quais são as opções do mercado
de trabalho? Gleison Stievano, 18 anos
É razoável, e está crescendo. O importante é
que a profissão de historiador tem muitos caminhos possíveis.
Pode-se seguir uma vida mais "acadêmica" e ser professor universitário,
escrever livros e artigos e participar de congressos, além de desenvolver
pesquisas próprias na universidade. Mas também é possível
ser somente pesquisador, sem estar ligado a uma universidade. Você pode
trabalhar em algum centro de pesquisa, ou fazer pesquisas como freelancer, como
trabalhos para jornal, empresa, produção de filmes etc. Finalmente,
um terceiro caminho é ser professor de colégio e, para isso, você
deve fazer a licenciatura junto com a faculdade (muitas vezes, é um ano
a mais de curso). É possível conciliar dois ou três desses
caminhos sem problemas.

15. Gostaria de saber os pontos
positivos e negativos do curso de história? Renan Henrique Zanutto,
18 anos
Os positivos são a flexibilidade e a liberdade para buscar pesquisas
e trabalhos do seu agrado. É mais comum você estar numa instituição
em que pode pesquisar o que gosta, ou dar aula sobre os temas de que gosta mais.
Os pontos negativos são os salários, que não são
tão altos quanto em outras carreiras (são baixos para um professor
do ensino fundamental, e razoáveis para um professor universitário
ou pesquisador de uma instituição de bom nível). E a falta
de reconhecimento legal da profissão.
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