|
Guia VEJA de Profissões
VEJA.com recrutou 30 profissionais de destaque de diferentes áreas para ajudar você a resolver um dilema: qual carreira seguir. Eles responderam questões da redação e também dos internautas, com o objetivo de esclarecer como é o dia-a-dia de suas áreas, quais as habilidades requeridas por suas atividades e as perspectivas de mercado para os próximos anos, entre outros temas.
Confira as respostas dos vinte primeiros profissionais, das seguintes carreiras:
As demais serão publicadas nas próximas semanas.
• GUIA DO ESTUDANTE: Confira as instituições onde você pode estudar em todo o país
| Economia |
 |
Nome / idade: Alexandre Manoel, 32 anos
Formação / ano: Universidade Federal de Alagoas (Ufal), em 1998
Ocupação atual: Pesquisador do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea)
Destaques da carreira:
- mestrado em economia na Escola de Pós-Graduação em Economia da Fundação Getúlio Vargas (FGV)
- doutorado em economia pela Universidade de Brasília (UnB)
|
|
Respostas
1. Descreva
um dia da sua rotina profissional
Trabalho como pesquisador do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (IPEA,
órgão vinculado ao Ministério do Planejamento) e a minha rotina tende a ser
bastante diversificada. Uma vez que trabalhamos tanto sob encomendas de pesquisas
de interesse dos ministérios como em nossas próprias linhas de pesquisa, criadas
por interesse próprio, não há como se falar em rotina. Trabalha-se de oito a
dez horas por dia, dependendo das demandas e dos prazos. Computador é essencial
no meu trabalho e ir à rua depende muito do tipo de pesquisa que está se fazendo.

2. Em
que medida você interage com outras pessoas durante o seu trabalho?
No meu caso, sempre interajo com outras pessoas, seja para trocar idéias, seja
para partilhar informações, entender a demanda ministerial e assim por diante.

3. Você
trabalha nos fins de semanas? Com que frequência?
Pela minha experiência, o trabalho nos fins de semana no serviço público, é
mais devido a uma questão de organização de tempo do que de necessidade. De
fato, muitas vezes há superposição de tarefas, duplicação de trabalhos realizados
e assim por diante. Contudo, se você tem outras atividades, como dar aulas em
faculdades particulares, proferir seminários e escrever artigos, naturalmente
seu tempo durante a semana vai se tornando exíguo e seus fins de semanas, também.
Em geral, isso é mais escolha do que necessidade.

4. Você
pode fazer o seu próprio horário de trabalho?
Como sou servidor público, não tenho essa liberdade. Tenho de trabalhar, no
mínimo, oito horas por dia.

5. Assim
que me formo, quais são os caminhos que posso seguir na profissão?
A profissão de economista é bastante ampla para que você escolha quaisquer dessas
áreas: carreira acadêmica, área de pesquisa e trabalho em empresas. Todavia,
se optar pela área acadêmica ou de pesquisa, é recomendável fazer ao menos um
mestrado.

6. Ao
entrar no mercado de trabalho, é melhor experimentar várias empresas de início
ou já se estabelecer em um único emprego?
Tenho feito minha carreira somente no setor público. Então, posso dizer que,
além do IPEA, é possível trabalhar na Secretaria de Política Econômica do Ministério
da Fazenda, assim como eu fiz. Essa se constituiu em uma experiência muito proveitosa
para minha vida profissional, no sentido de formar uma rede maior de contatos,
dentre outras vantagens que há em trabalhar em lugares diferentes.

7. É
necessário se atualizar de forma permanente na sua profissão?
Sim. Creio que essa exigência de se atualizar permanentemente seja uma obrigação
não apenas na área econômica, como em todas as outras. Inglês é básico e fundamental.
Saber outras línguas, como espanhol, por exemplo, é desejável. A opção pela
pós-graduação depende das necessidades que o próprio profissional percebe ao
longo de sua carreira. Cada um terá suas próprias respostas e necessidades.

8. O
que mais o decepcionou no exercício da profissão?
Quem se tornar economista deve respeitar a pluralidade de teorias para explicar
um mesmo fenômeno, principalmente na área macroeconômica. Isso é uma condição
elementar para se ter um bom convívio com os colegas. Contudo, a grande decepção
é encontrar economistas que explicam algum fenômeno sem teoria econômica alguma.
Isso, sim, é muito decepcionante.

9. E
o que mais o agradou/surpreendeu de forma positiva?
A possibilidade de, a partir da teoria econômica, compreender os mais diversos
fenômenos sociológicos, históricos e políticos.

10.
É possível trabalhar como autônomo ou empresário na sua profissão, ou
a tendência é continuar sempre como empregado?
Sim, é possível. Isso depende muito do seu perfil e do seu talento em ofertar
serviços úteis ao setor privado ou público.

11.
Na sua opinião, qual é o perfil ideal para um profissional dessa área?
O economista não pode ser avesso nem à matemática nem à história. Em geral,
deve ser relativamente bem treinado nessas duas áreas do conhecimento. Saber
inglês e ter conhecimento de alguma linguagem de programação parece ser também
elementar para transitar em estudos empíricos que utilizem a teoria econômica
moderna.

12.
Qual é o maior desafio para o exercício da sua profissão?
Nas mais diversas áreas em que o economista trabalha, o desafio tende a ser
sempre alocar recursos escassos de maneira eficiente.

13.
Qual habilidade é a mais útil e necessária para o exercício da profissão?
Em minha opinião, na prática, um bom economista tem que ter uma boa leitura
diária de jornal e revistas, deve possuir hábitos de comunicação verbal e de
leitura em inglês e deve ter familiaridade com a matemática.

14.
Quanto tempo leva até você conseguir alcançar certa "estabilidade" na
sua carreira?
O alcance dessa "estabilidade" depende muito das ambições pessoais e do perfil
de cada profissional.

15.
Pretendo fazer engenharia de produção como curso universitário, mas meu
interesse é desenvolver carreira no mercado financeiro, com ambições de morar
nos EUA. Qual é o melhor caminho para atingir meus objetivos, e em que momento
devo começar a ter experiência prática no setor? Philippe, 17 anos
A resposta a essa pergunta depende muito do seu perfil. Há, porém, uma regra
básica: de maneira geral, para que você, na qualidade de economista, consiga
fazer entrevista e ser um potencial participante do mercado financeiro brasileiro,
é fundamental ter sido aluno de uma escola que não apenas seja "referência"
em economia, como também esteja situada no Rio de Janeiro ou em São Paulo. Cito
alguns exemplos em ordem alfabética: FGV, IBMEC, PUC-RJ, Unicamp, USP. Na minha
turma de mestrado, há aqueles que foram direto para o mercado financeiro. Há
outros que foram fazer doutorado nos EUA e voltaram para trabalhar em bancos
de investimento no Brasil. Há, ainda, uma colega que fez o doutorado nos EUA
e desenvolve carreira no Goldman Sachs. Enfim, ressalto que isso depende muito
do perfil e das habilidades do aluno.

16.
Qual a perspectiva para a profissão de economista? Ela não está desacreditada
depois das falhas na previsão da crise financeira que está preocupando o mundo?
João Felipe Mayer Saucedo, 17 anos
Há, certamente, uma descrença enorme com as previsões macroeconômicas. No entanto,
a teoria econômica é algo muito maior do que a macroeconomia. De fato, há várias
vertentes na teoria microeconômica que estão em pura ascensão. Nessas vertentes,
busca-se estudar o comportamento do consumidor, o comportamento das empresas,
do mercado, e assim por diante. Vou dar dois exemplos de áreas em ascensão.
No setor privado, um exemplo concreto são economistas que se debruçam em formas
de dirimir assimetrias de informações entre o empregador e o empregado. Em outras
palavras, é cada vez maior o número de economistas que estudam qual tipo de
incentivos devem ser postos para que o empregado faça exatamente aquilo que
deve ser feito em sua função. No setor público, por sua vez, há economistas
que estudam como incrementar a eficiência do gasto público e, consequentemente,
a qualidade dos gastos públicos.
|
|
|
Publicidade
|
 |
|
|
|