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Guia VEJA de Profissões
VEJA.com recrutou 30 profissionais de destaque de diferentes áreas para ajudar você a resolver um dilema: qual carreira seguir. Eles responderam questões da redação e também dos internautas, com o objetivo de esclarecer como é o dia-a-dia de suas áreas, quais as habilidades requeridas por suas atividades e as perspectivas de mercado para os próximos anos, entre outros temas.
Confira as respostas dos vinte primeiros profissionais, das seguintes carreiras:
As demais serão publicadas nas próximas semanas.
• GUIA DO ESTUDANTE: Confira as instituições onde você pode estudar em todo o país
| Direito (Advocacia) |
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Nome / idade: Luiz Fernando Martins Castro, 47 anos
Formação / ano: Faculdade de Direito do Largo de São Francisco (USP), 1984
Ocupação atual: Advogado e vice-presidente da Comissão Especial de Informática da Ordem dos Advogados do Brasil, em São Paulo
Destaques da carreira:
- mestre em direito civil pela USP
- doutor em direito e informática pela Faculdade de Direito de Montpellier, na França
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Respostas
1. Descreva
um dia da sua rotina profissional
Os advogados trabalham pelo menos 8 horas por dia. Normalmente, começam
mais tarde do que as empresas (por volta das 9h) e também terminam mais
tarde (após as 18h). As atividades são variadas e dependem do
tipo de trabalho que eles fazem, e também do local onde trabalham. Estamos
sempre trabalhando no computador, seja para realizar um trabalho (petições,
contratos, memorandos), seja para receber e mandar e-mails profissionais, além
de pesquisa de textos (leis e julgados), e também para acompanhar o andamento
de processos. Geralmente, temos horário de almoço, mas não
raras vezes somos chamados para reuniões ou audiências que nos
obrigam a fazer um lanche rápido.

2. Em
que medida você interage com outras pessoas durante o seu trabalho?
O advogado interage com muita gente, raramente trabalhando sozinho. Tem que
receber o cliente, que o procura com alguma demanda, precisa interagir com a
sua equipe jurídica dentro do escritório ou empresa, além
do pessoal de apoio (secretária, bibliotecária e estagiários
que dão uma grande ajuda nas tarefas diárias). E, externamente,
isso também acontece muito, pois estamos em constante contato com juízes,
funcionários de cartórios judiciais (nos fóruns), delegados
de polícia, escrivãos e funcionários de outros órgãos
da administração pública, junto aos quais realizamos algum
tipo de serviço. Eu diria que o advogado tem de interagir sempre, e que
o resultado de seu trabalho depende em grande parte dessa habilidade de se relacionar
com pessoas, pois sempre estamos "advogando" e não "impondo"
o interesse de nossos clientes.

3. Você
trabalha nos fins de semanas? Com que freqüência?
Um advogado que organiza o seu tempo de maneira produtiva consegue, na maioria
das vezes, não levar trabalho para casa, à noite, ou nos fins
de semana. Mas é inevitável que em momentos de maior demanda,
ou urgência, isso ocorra. E se você atuar na área criminal,
saiba que essas urgências sempre surgem nesses horários.

4. Você
pode fazer o seu próprio horário de trabalho?
Eu diria que o advogado mais experiente, e que tenha uma equipe, tem maior flexibilidade
de horário, mas isso não se aplica aos profissionais que estão
começando, pois senão cada um desejaria fazer o seu horário.
Mas não se esqueça de que o advogado acaba tendo de se sujeitar
a horários de reuniões marcados por clientes e de audiências
designadas pelo juiz, cujo horário pode atrasar bastante.

5. Ao
entrar no mercado de trabalho, é melhor experimentar várias empresas de início
ou já se estabelecer em um único emprego?
Por um lado, como os jovens ingressam muito cedo na faculdade, com pouco conhecimento
da profissão, seria útil e recomendável que pudessem conhecer
diferentes atividades da advocacia (escritório pequenos, especializados
em matérias específicas ou mais generalizadas, ou em escritório
grandes, com dezenas, ou mesmo centenas de advogados), e mesmo das demais profissões
jurídicas, como a de juiz e promotor de Justiça, além da
advocacia em defesa dos entes públicos (procuradorias). Mas hoje em dia,
com a grande concorrência na profissão, existe uma tendência
de se efetivarem estagiários mais antigos, que já estejam integrados
na "cultura" do escritório ou empresa. Em resumo, eu diria
que o aluno pode e deve testar diferentes trabalhos nos dois primeiros anos
da faculdade e já tentar focar em algo mais preciso e com que mais se
identifique, a partir do terceiro ano.

6. É
necessário se atualizar de forma permanente na sua profissão?
O advogado tem de estudar sempre, em toda a sua vida profissional. Durante a
faculdade, deve buscar frequentar os vários cursos e atividades extracurriculares
que são oferecidos, o que, além de enriquecer a sua formação,
lhe permitem ter uma ideia mais clara dos diferentes ramos do direito. Hoje,
vemos muitos cursos de pós-graduação (latu sensu ou de
"especialização") impropriamente procurados por alunos
que tiveram uma formação deficiente na graduação.
Mas isso lhes permite rever muita matéria que não foi aprendida
na graduação, e se aprofundar em outras mais específicas
e focadas, objetivo principal desses cursos. Quanto a línguas estrangeiras,
acho fundamental e mesmo imprescindível que o advogado saiba se comunicar,
ler e escrever em inglês, e preferencialmente em uma outra língua
(como o espanhol, em primeiro lugar, ou outras línguas mais usuais como
francês, alemão e italiano). Atualmente, é comum vermos
alunos estudando línguas como japonês e chinês. Na prática,
não acredito que um advogado brasileiro (sem ascendentes dessas nacionalidades)
possa dominar amplamente uma dessas línguas, a ponto de trabalhar efetiva
e autonomamente numa delas, mas conhecê-las será sempre um facilitador
de relações pessoais, se você for lidar com pessoas, advogados
e empresas que sejam desses países.

7. O
que mais o decepcionou no exercício da profissão?
Não acho que a profissão tenha me trazido grandes decepções.
Posso, contudo, qualificar de frustrante o fato de a advocacia não ser
devidamente valorizada, existindo uma certa prevenção, ou má-vontade,
por parte de alguns juízes, promotores, delegados de polícia e
funcionários em geral, que não raras vezes possuem uma ideia preconceituosa
face aos advogados, ignorando as dificuldades permanentes no exercício
da advocacia.

8. E
o que mais o agradou/surpreendeu de forma positiva?
A profissão de advogado nos obriga a buscar uma evolução
constante, seja através dos estudos, seja no campo do relacionamento
humano. Lembre-se que o advogado é sempre procurado para resolver um
problema concreto do cliente, que normalmente lhe traz graves preocupações
(questões de família, empresariais, desafios econômicos),
assumindo assim grande responsabilidade, pois passa a fazer parte de sua vidas.
Tudo isso permite um enriquecimento de suas relações humanas,
e costumo dizer que o advogado aprende com os erros dos clientes.

9. É
possível trabalhar como autônomo ou empresário na sua profissão, ou a tendência
é continuar sempre como empregado?
O modelo da advocacia autônoma, do profissional generalista, que era comum
há 20 ou 30 anos, vem sendo substituído pelo modelo de escritórios
maiores, com equipes especializadas em determinados temas, sobretudo nas grandes
cidades. Mesmo nesse modelo, a tendência
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