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Guia VEJA de Profissões

VEJA.com recrutou 30 profissionais de destaque de diferentes áreas para ajudar você a resolver um dilema: qual carreira seguir. Eles responderam questões da redação e também dos internautas, com o objetivo de esclarecer como é o dia-a-dia de suas áreas, quais as habilidades requeridas por suas atividades e as perspectivas de mercado para os próximos anos, entre outros temas.

Confira as respostas dos vinte primeiros profissionais, das seguintes carreiras:

Fonoaudiologia Fisioterapia Arquitetura e urbanismo
Psicologia Marketing Engenharia de alimentos
Jornalismo Enfermagem Odontologia
Ciência da computação Engenharia civil Pedagogia
Design de games Engenharia elétrica Publicidade
Direito (advocacia) História Relações públicas
Direito (magistratura) Letras Turismo
Economia Medicina Veterinária
Educação física Nutrição Agronomia

As demais serão publicadas nas próximas semanas.

GUIA DO ESTUDANTE: Confira as instituições onde você pode estudar em todo o país

Direito (Magistratura)
Nome / idade: Eleusa Maria do Valle Passos, 46 anos
Formação / ano: Universidade Federal de Sergipe (UFS), em 1987
Ocupação atual: Juíza do Tribunal Regional do Trabalho da 20ª região
Destaques da carreira:
  • pós-graduação em direito do trabalho pela UFS

Respostas

1. Descreva um dia da sua rotina profissional
2. Em que medida você interage com outras pessoas durante o seu trabalho?
3. Você trabalha nos fins de semanas? Com que freqüência?
4. Você pode fazer o seu próprio horário de trabalho?
5. Assim que me formo, quais são os caminhos que posso seguir na profissão?
6. Ao entrar no mercado de trabalho, é melhor experimentar várias empresas de início ou já se estabelecer em um único emprego?
7. É necessário se atualizar de forma permanente na sua profissão?
8. O que mais o decepcionou no exercício da profissão?
9. E o que mais o agradou/surpreendeu de forma positiva?
10. É possível trabalhar como autônomo ou empresário na sua profissão, ou a tendência é continuar sempre como empregado?
11. Na sua opinião, qual é o perfil ideal para um profissional dessa área?
12. Qual é o maior desafio para o exercício da sua profissão?
13. Qual habilidade é a mais útil e necessária para o exercício da profissão?
14. Quanto tempo leva até você conseguir alcançar certa "estabilidade" na sua carreira?
15. O que é exigido do indivíduo para torna-se juiz (a)?
16. Sempre admirei a carreira de juíza, por isso e muito mais quero seguir esta profissão. Qual objetivo uma juíza tem na vida?
17. O mercado vai ser bom e valorizado depois de 2015, ou já existem muitos profissionais na área?
18. Para ingressar na área, eu preciso ter alguém na família que já trabalhe na área para conseguir estágios?
19. A magistratura, assim imagino, é um desafio pelo simples fato de manejar interesses e pretensões de seres humanos em relação conflituosa. Como isso se manifesta na rotina do magistrado? Em que medida essa responsabilidade causa impacto na sua vida ?
20. Faço direito, mas ainda não sei realmente se quero ser juíza ou advogada. Como você conseguiu se decidir?

1. Descreva um dia da sua rotina profissional
Em geral, meu dia de trabalho tem início às 8h, quando, em casa, começo a fazer as sentenças dos processos conclusos, observando a ordem cronológica, já que há prazos a serem cumpridos. Às 13 horas, impreterivelmente, estou na 4ª Vara do Trabalho de Aracaju (SE) para as audiências da tarde - são 15 em média. A Vara prioriza a realização de audiências unas, nas quais, na medida do possível, são apresentadas as defesas, as partes se manifestam sobre os documentos juntados e são ouvidas - se for o caso, as testemunhas são inquiridas e os processos ficam conclusos para decisão. Terminadas as audiências, é chegada a hora da feitura e assinatura dos despachos, dando andamento aos processos em curso. Como visto, o trabalho do magistrado é interno, seja em sua casa, na sala de audiências ou no seu gabinete, salvo eventualidades, quando, por exemplo, faz uma inspeção judicial com o objetivo de ver in loco determinada situação. O computador se faz necessário e seu uso é prolongado, já que as decisões são digitadas e enviadas por e-mail para a Vara, onde seguem o trâmite necessário.

2. Em que medida você interage com outras pessoas durante o seu trabalho?
A interação com outras pessoas é constante, ora nas audiências (contato direto com as partes, testemunhas, advogados - parte que mais gosto, e com a qual me identifico), ora no atendimento de advogados, partes, servidores etc. Não obstante as decisões sejam feitas pelo magistrado, este, sem a colaboração dos servidores, não vai a lugar algum, uma vez que necessários se fazem a liquidação, publicação, notificação, entre outros, dos atos judiciais.

3. Você trabalha nos fins de semanas? Com que freqüência?
Procuro não trabalhar nos fins de semana, mas se necessário...

4. Você pode fazer o seu próprio horário de trabalho?
De certa forma, sim, na medida em que o trabalho em casa, como a elaboração de sentenças, pode ser feito pela manhã, à noite ou nos fins de semana.

5. Assim que me formo, quais são os caminhos que posso seguir na profissão?
O bacharel em direito, aquele que ainda não prestou o exame da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), pode prestar alguns concursos públicos para se tornar auxiliar de Promotor e Procurador de Justiça, analista Judiciário, oficial de Justiça etc., ou ensinar em cursos preparatórios para concursos, entre outros. O advogado, já possuidor da carteira emitida pela OAB, pode advogar, prestar concursos específicos (Ministério Público, Magistratura, Advocacia Geral da União, Universidades Federais etc.).

6. Ao entrar no mercado de trabalho, é melhor experimentar várias empresas de início ou já se estabelecer em um único emprego?
No meu entender, não há como definir esta ou aquela situação como a melhor: se o profissional sabe a área de atuação que mais lhe agrada e já trabalha nela, não vejo razão para mudanças; ao revés, se insatisfeito, deve, literalmente, correr atrás da sua realização profissional, de grande importância para a realização pessoal.

7. É necessário se atualizar de forma permanente na sua profissão?
Certamente, a atualização profissional é necessária e urgente, sempre e em qualquer área de atuação. O mundo globalizado impõe mudanças constantes nas relações sociais e, consequentemente, o profissional precisa se adequar a elas. O graduado pode fazer especializações diversas, pós-graduação, mestrado, doutorado, pós-doutorado e, quando em estágio avançado, PHD, grau mais elevado na carreira acadêmica, todas com crescimento profissional. Os cursos de língua estrangeira são importantes, especialmente para os profissionais que trabalham/advogam para empresas multinacionais.

8. O que mais o decepcionou no exercício da profissão?
A pouca efetividade dos julgados, vez que muitas vezes a parte ganha mas não leva, o que acontece quando a execução é frustrada por falta de condições do devedor.

9. E o que mais o agradou/surpreendeu de forma positiva?
O contato direto com as partes, que me faz sentir mais cidadã, participando da sociedade em todos os seus aspectos.

10. É possível trabalhar como autônomo ou empresário na sua profissão, ou a tendência é continuar sempre como empregado?
Sim, o advogado pode ser empregado de empresa ou ter escritório e atender a diversos clientes. O magistrado, por sua vez, pode lecionar, não podendo, no entanto, a teor da LOMAN, Lei nº 35/1979 "exercer o comércio ou participar de sociedade comercial, inclusive de economia mista, exceto como acionista ou cotista; exercer cargo de direção ou técnico de sociedade civil, associação ou fundação, de qualquer natureza ou finalidade, salvo de associação de classe, e sem remuneração".

11. Na sua opinião, qual é o perfil ideal para um profissional dessa área?
O magistrado deve ser alguém sensível o suficiente para tratar com igualdade os iguais e desigualmente os desiguais, atendo sempre à verdade real, ainda que os autos sejam o seu "mundo".

12. Qual é o maior desafio para o exercício da sua profissão?
Fazer justiça, algo tão subjetivo (o que é justo para mim pode não ser para você).

13. Qual habilidade é a mais útil e necessária para o exercício da profissão?
Saber ouvir e conceder a palavra a quem quer falar.

14. Quanto tempo leva até você conseguir alcançar certa "estabilidade" na sua carreira?
Os magistrados tornam-se vitalícios após dois anos de efetivo exercício, quando então terão as garantias de inamovibilidade e irredutibilidade de vencimentos. Os advogados e demais profissionais que desenvolvem suas tarefas com responsabilidade, competência e profissionalismo trabalham muito, mas não tardam a ter a sonhada estabilidade no mercado.

15. O que é exigido do indivíduo para torna-se juiz (a)? Luiz Renato Martins Aires, 16anos
Aprovação em concurso público de provas e títulos, após preenchimento dos requisitos previstos no edital e na legislação pátria (idade, nacionalidade, bons antecedentes etc.)

16. Sempre admirei a carreira de juíza, por isso e muito mais quero seguir esta profissão. Qual objetivo uma juíza tem na vida? Aline Nascimento, 16 anos
O objetivo do juiz é, a par de dúvidas, fazer justiça, dando a cada um aquilo que lhe pertence por direito.

17. O mercado vai ser bom e valorizado depois de 2015, ou já existem muitos profissionais na área? Débora Lorena de Lima Silva, 16 anos
Para bons profissionais, sempre haverá mercado de trabalho; no caso da magistratura, em particular, o número de vagas tende a acompanhar o visível aumento de conflitos na sociedade.

18. Para ingressar na área, eu preciso ter alguém na família que já trabalhe na área para conseguir estágios? Martha Mariana Souza, 19 anos
Qualquer pessoa pode ingressar no universo jurídico, seja como advogado, juiz ou promotor. A antecedência familiar na área, pode, obviamente, ajudar a impulsionar a carreira, que somente se sustentará ao longo do tempo com a competência profissional. Atualmente, os estágios, nos setores público e privado, são precedidos de pequenos concursos (provas/testes), facilitando e democratizando o acesso aos estudantes, que desde cedo devem mostrar conhecimento na área.

19. A magistratura, assim imagino, é um desafio pelo simples fato de manejar interesses e pretensões de seres humanos em relação conflituosa. Como isso se manifesta na rotina do magistrado? Em que medida essa responsabilidade causa impacto na sua vida ? Pedro Marques Teixeira, 19 anos
O juiz, representante do estado, tem como principal atribuição solver as questões conflituosas das mais diversas, brigas de vizinhos, relações familiares, vínculos de emprego, crimes contra a vida etc. O magistrado não pode levar para a sua vida privada os casos vividos no seu dia-a-dia, visto que ele se envolveria nas questões processuais, o que acarretaria em conflito vida privada versus vida magistrado. A responsabilidade do juiz é tamanha, devendo ele agir de acordo com a sua consciência e com total independência, sem olvidar que a força do juiz está na sua força moral.

20. Faço direito, mas ainda não sei realmente se quero ser juíza ou advogada. Como você conseguiu se decidir? Alyne Rocha Fraga, 20 anos
Uma dica que pode ajudar na decisão da área a ser seguida seria estagiar em diversos órgãos, a exemplo do Ministério Público, Justiça federal ou Estadual, além de escritórios, possibilitando assim uma visão mais específica dos misteres desenvolvidos em cada área de atuação. No meu caso, trabalhei cerca de dez anos no comércio, vindo depois a me dedicar ao concurso para juiz do trabalho, tendo sido aprovada em 1998, salientando que direito do trabalho era uma das matérias que mais gostava durante a graduação em direito.

 

 
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