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Guia VEJA de Profissões
VEJA.com recrutou 30 profissionais de destaque de diferentes áreas para ajudar você a resolver um dilema: qual carreira seguir. Eles responderam questões da redação e também dos internautas, com o objetivo de esclarecer como é o dia-a-dia de suas áreas, quais as habilidades requeridas por suas atividades e as perspectivas de mercado para os próximos anos, entre outros temas.
Confira as respostas dos vinte primeiros profissionais, das seguintes carreiras:
As demais serão publicadas nas próximas semanas.
• GUIA DO ESTUDANTE: Confira as instituições onde você pode estudar em todo o país
| Design de Games |
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Nome / idade: Thiago Guarino Appella, 23 anos
Formação / ano: Universidade Anhembi Morumbi, em 2006
Ocupação atual: Gerente de produtos da Electronic Arts (EA), produtora e distribuidora de jogos de computador
Destaques da carreira:
- especialização em gerenciamento de projetos
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Respostas
1. Descreva
um dia da sua rotina profissional
Por conta de oportunidades no mercado de trabalho brasileiro, hoje atuo como
gerente de produtos, no departamento de marketing da Electronic Arts. É
sempre bom dizer que, por conta da pirataria, há muitas limitações
em ações e campanhas para os lançamentos, já que
a verba é definida de acordo com o volume de vendas projetado. Meu trabalho
é baseado em um escritório, mas não se restringe somente
a este local. Além de muitos encontros sobre parcerias, visitas a clientes-chave
e ações de relações públicas, quem trabalha
com marketing deve sempre estar em alerta para toda e qualquer oportunidade
que aparecer. Ou seja, mesmo aos finais de semana, quando estou passeando e,
teoricamente, não deveria pensar em trabalho, acabo sempre avaliando
as possibilidades de atividades que se encaixam com a estratégia para
os produtos que gerencio. Sendo o "embaixador" de um produto/franquia
dentro da empresa, preciso estar disponível no período comercial
para todo e qualquer suporte para outros setores - que sempre precisam de detalhes
sobre os produtos e do plano de marketing destes. Mesmo utilizando o computador
em quase 100% do tempo, ainda há espaço para muitas apresentações,
nas quais é preciso uma habilidade extra para transmitir sua comunicação
da melhor forma possível. E, sem dúvida, o que consome mais tempo
é o e-mail a melhor e mais barata forma de comunicação
em uma empresa global.

2. Em
que medida você interage com outras pessoas durante o seu trabalho?
O tempo todo é preciso estar em contato com outras pessoas e outros setores,
principalmente quando a data de lançamento do jogo está chegando
e é preciso ter respostas e informações rápidas
para que você prossiga com seu trabalho. Cada departamento tem seu planejamento
e é preciso trabalhar o seu produto de acordo com as limitações
que outros setores terão, principalmente para não acontecer retrabalho
e atrasar um lançamento.

3. Você
trabalha nos fins de semanas? Com que freqüência?
Não trabalho aos fins de semana. Tento deixar tudo em dia durante a semana.
Entretanto, como ofereço um alto comprometimento com a empresa, quando
é extremamente necessário ter que trabalhar nos fins de semana
para cumprir uma data, trabalho sem nenhum problema.

4. Você
pode fazer o seu próprio horário de trabalho?
Não posso fazer meu próprio horário de trabalho, pois há
outros departamentos e outras empresas que dependem de informações
que eu devo fornecer; e como eles trabalham somente em horário comercial,
é este o horário que devo estar disponível.

5. Assim
que me formo, quais são os caminhos que posso seguir na profissão?
Existem diversos caminhos depois que você pode seguir quando se forma,
mas isso não é exclusivo para games. Assim como em qualquer área,
você pode seguir a área acadêmica e de pesquisa (que considero
a mesma) ou ir para o mercado de trabalho, tanto em uma empresa de terceiros
como abrindo a sua própria. Como o mercado de games no Brasil ainda é
muito pequeno, a alternativa mais vista é a abertura do próprio
negócio. Lembrando que isso não é conselho algum, somente
um retrato do que acontece no mercado.

6. Ao
entrar no mercado de trabalho, é melhor experimentar várias empresas de início
ou já se estabelecer em um único emprego?
Nenhuma empresa e nenhum emprego é igual ao outro. Por experiência
própria, aprendi muito passando por várias empresas e a experiência
adquirida em empregos anteriores e diversificados compõe minha caixa
de ferramentas de conhecimento e habilidades. Mudar de emprego é bom,
mas chega um momento em que as opções se esgotam, já que
temos poucas empresas de games no Brasil, com forte concentração
em São Paulo. Há até mesmo carência de algumas carreiras
dentro da área de games no Brasil, nas quais a única alternativa
é trabalhar no exterior.

7. É
necessário se atualizar de forma permanente na sua profissão?
Sem dúvida alguma deve-se estar sempre atualizado sobre o mundo dos games.
Esta indústria, apesar de estar muito baseada em criatividade e comunicação,
tem como fundação a tecnologia. Portanto, nesta área é
preciso estar atualizado não só nos games que revolucionam no
roteiro, na direção de arte ou na tecnologia, mas é muito
importante também saber como está o modelo de negócio,
ações virais e correlatos do mundo corporativo. Há um erro
gravíssimo na concepção dos cursos de games hoje, sem exceção:
games não é uma formação ou disciplina, na verdade
é um conglomerado de disciplinas. Em outras palavras, os cursos oferecem
uma formação em games com diversas matérias, desde matemática
até animação 3D, passando por marketing e inteligência
artificial, que no final de quatro anos formam um profissional genérico.
Mas o mercado não é composto dessa forma e muito menos sua formação
acadêmica. O correto seria estudar a fundo o que você quer fazer
dentro da indústria de games e escolher seu curso universitário:
fazer ciências da computação, caso você queira programar,
fazer design, caso você queira ser artista/designer e assim por diante.
Portanto, para quem se forma nos cursos de games disponíveis atualmente,
faz-se extremamente necessário uma pós-graduação
para especialização em sua área e evitar que o profissional
seja mais um genérico no mercado. Não tente fazer tudo. Escolha
uma área e seja o melhor nela. E, claro: inglês é fundamental.
Qualquer kit de desenvolvimento, manual de software, literatura da área
e possíveis investidores exigirão inglês.

8. O
que mais o decepcionou no exercício da profissão?
Me decepciona o amadorismo que ainda temos no Brasil e a falta de apoio do governo
com nossa categoria, que poderia dar um grande boom em terras tupiniquins. Assim
como divulgado por toda mídia, nossa categoria fatura mais que Hollywood,
nos EUA, já faz um tempo.

9. E
o que mais o agradou/surpreendeu de forma positiva?
Ultimamente tem me surpreendido como este mundinho, antes considerado nerd,
está se massificando. Muito pelo leque de produtos oferecidos, mas também
por conta da geração que já nasce conectada e high tech.
Quem não conhece o Nintendo Wii ou mesmo nunca perdeu umas horas em um
jogo de internet?

10.
É possível trabalhar como autônomo ou empresário na sua profissão, ou
a tendência é continuar sempre como empregado?
Como a indústria brasileira de games é muito pequena, a tendência
é que as pessoas comecem a abrir o próprio negócio. Isso
já está acontecendo aos poucos, e tende a aumentar, já
que a cada ano muitos profissionais entram no mercado oriundos dos diversos
cursos de games, mas as empresas não podem absorvê-los.

11.
Na sua opinião, qual é o perfil ideal para um profissional dessa área?
Sem entrar nos quesitos técnicos, o profissional na área de games
principalmente no Brasil precisa ter em mente que ele deve fazer
mais que o combinado. Essa é a principal característica que vejo
nas pessoas ao meu lado. Além disso, o pensamento coletivo é muito
bem vindo, visto o cenário brasileiro e o quanto podemos contribuir para
o nosso próprio crescimento. Esta é uma idéia que venho
praticando com o IGDA (uma associação internacional de desenvolvedores
de games, na qual represento o capítulo Paulista).

12.
Qual é o maior desafio para o exercício da sua profissão?
A tentação em mudar de área. Definitivamente, games não
é uma área onde se ganha muito bem no Brasil. Mas trabalhar com
algo que você ama, não tem preço. Ainda mais depois que
você se envolve com os bastidores - você não quer largar
nunca.

13.
Qual habilidade é a mais útil e necessária para o exercício da profissão?
Isto é muito pessoal e cada um deve se conhecer primeiramente. Como em
qualquer área, o profissional tem qualidades e fraquezas. No meu caso,
como tenho muitos títulos sob meu gerenciamento, a organização
e atenção aos detalhes são habilidades que estão
em meu radar em todo período de trabalho.

14.
Quanto tempo leva até você conseguir alcançar certa "estabilidade" na
sua carreira?
Infelizmente nossa carreira não é uma ciência exata, ou
seja, depende muito de nosso empenho e das oportunidades de mercado. Comecei
a trabalhar com games em 2003, quando iniciei a faculdade, e creio que somente
hoje tenho certa estabilidade. Entretanto, o período que nos deixa mais
inseguro é logo após nos formarmos. Correr atrás do primeiro
emprego sob CLT e assumir mais responsabilidades são os primeiros passos
para esta estabilidade.

15.
Quais tipos de cursos livres eu poderia fazer para conseguir trabalhar
nesta profissão? Raul de Carvalho La Rocca, 17 anos
Complementando o que disse anteriormente, games não é uma disciplina
por si só. Você pode fazer vários tipos de cursos livres,
mas antes de tudo você precisa decidir o que quer fazer. Um exemplo da
área de design: você pode fazer alguns treinamentos em animação
e 3D, desde estudos sobre anatomia humana, como silhuetas (posições-chave),
e timing. Esse processo de escolha da sua área de atuação
é difícil, já que o mundo de desenvolvimento de games não
é muito difundido e você acaba optando por fazer uma faculdade
de games somente para descobrir sua vocação.

16.
Uma pessoa que não tem dom para fazer desenho pode fazer o curso de design
de games? Ana Maria, 17 anos
Com certeza. O nome design foi erroneamente traduzido e reconhecido como "desenho",
o que não é verdade. Melhor seria falar em "planejamento",
"projeto". O designer de games é o responsável pela
diversão, mecânicas de jogo e a forma como o jogo deve ser jogado.
Este profissional precisa ter uma bagagem de jogo incrível e o processo
de criação de jogos é um aprendizado. Ao passo que você
vai criando jogos, seu conhecimento vai aumentando e seu trabalho se aprimora.

17.
Qual seria a expectativa para o profissional desta área aqui no Brasil?
Realmente existe mercado de trabalho e o profissional brasileiro é bem visto
pelas grandes empresas? André Aparecido de Souza, 23 anos
Espero não estar sendo a pessoa que o faça desistir dos seus sonhos,
espero que pondere meus comentários e que tome a melhor direção
baseado neles. A minha impressão é que curso de games virou a
"bola da vez", toda universidade vai ter o seu, já que o interesse
está aumentando cada vez mais. Entretanto, não há nada
fomentando o desenvolvimento do mercado, nem universidades, nem o governo. E
tenho certeza de que o mercado brasileiro não tem capacidade de absorver
os profissionais recém-formados. Como citado acima, o que tem acontecido
muito é a abertura de novos negócios pelos recém-formados.
No mercado internacional de desenvolvimento de games, não conta muito
sua nacionalidade. Conta sua experiência e casos de sucesso. É
muito comum ver em descrições de empregos o requisito: ter trabalhado
no processo de desenvolvimento de, no mínimo, dois jogos lançados.

18.
Qual seria a diferença entre um curso técnico em design de games e o
bacharelado oferecido nas faculdades? Pedro Aranha, 19 anos
A diferença é a bagagem cultural que você terá a
oportunidade de adquirir em uma universidade. Sendo que a criação
de um game é baseada muito em inspiração, conhecimento
e cultura, a universidade se torna essencial para sua formação.
Mas caso você opte por fazer outro curso universitário, já
adquirindo a bagagem importante para você, não vejo nenhum problema
em fazer um curso técnico em games para conhecer mais sobre este mundo.
Como o nome do curso diz, é técnico e, normalmente, vai te ensinar
como fazer, mas não o que fazer.

19.
É muito complicado montar sua própria empresa de animações e jogos digitais?
Como dar o primeiro passo? Ivan Sendin Silveira, 21 anos
Esta é uma visão muito particular: eu não abriria minha
empresa sem antes ter conhecimento e experiência de mercado que me dessem
um bom destaque e reconhecimento na área. Abrir empresa é fácil,
o difícil é você fazer a empresa girar com o que se propôs
a fazer. Conheço pessoas que abriram empresas de jogos logo depois de
terminarem a faculdade e acabaram por serem especialistas em desenvolver sites.
Quando se tem uma empresa, você tem necessidades primárias a serem
cumpridas, e a principal é fazer dinheiro.

20.
Sempre curti jogos e sempre gostei de criar histórias e personagens,
mas não tenho paciência para ficar mexendo com programação.
Esse curso é realmente mais voltado para programação? Vita,
17 anos
Aconselho você a fazer um curso que atenda às suas necessidades:
para trabalhar com games, não é preciso um curso de games. Escolha
uma disciplina e siga em frente. Games não é uma disciplina, é
um conglomerado delas. Será importante você conhecer como funciona
e como se integram as disciplinas que compõem a indústria, mas
isso é facilmente obtido em sites, revistas especializadas, fóruns
de discussão e palestras. Infelizmente, os cursos de games no Brasil
são bem genéricos e acabam abordando as diversas disciplinas da
área de forma superficial, alguns se aprofundam mais do que outros em
alguns conhecimentos uns em design, outros em programação.
Não tenho dúvida de que, se você fizer um curso profundo
na área de conhecimento almejada, poderá trabalhar na área
de games com um conhecimento maior ao obtido em um curso de games.
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