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Fuvest 2008 - 1ª fase - Conhecimentos Gerais
Questão 70 - Geografia
O mapa acima retrata a distribuição espacial, no planeta, de núcleos urbanos com mais de 10 milhões de habitantes, as megacidades. Sobre megacidades e os processos que as geraram, é correto afirmar que a)
a maior do mundo, Tóquio, teve
vertiginoso crescimento após a Segunda Guerra Mundial, em razão
do expressivo desenvolvimento econômico do Japão nesse período.
(resposta correta)
Resposta
em VEJA O trecho da reportagem com a resposta está destacado em amarelo. Internacional (publicada em 19/06/1996) Istambul, na Turquia, não é um bom endereço. Com quase 10 milhões de habitantes - número que a coloca entre as megacidades -, é um pesadelo urbano pontilhado de favelas, pesadamente poluído e com trânsito tão caótico quanto o de São Paulo em dia de enchente. Todos os anos, a cidade, chamada Constantinopla até a conquista otomana no século XV, incha com 300 000 novos habitantes. O cenário confuso de Istambul serviu como uma luva para a Conferência da ONU sobre Assentamentos Urbanos, a Habitat 2, encerrada no fim da semana passada. Desse tipo de encontro - um megaevento ao gosto grandiloqüente das Nações Unidas, com 20 000 representantes de mais de 150 países - no passado bem recente se poderia esperar uma premissa básica: a de que o crescimento urbano é incontrolável e necessariamente ruim. A visão atual, no entanto, é bem menos trágica. Muitas cidades provaram que os problemas urbanos podem ser resolvidos com crescimento econômico e administração competente. Na perspectiva otimista, em lugar de condenadas à catástrofe, as megacidades são focos de riquezas e oportunidades. Do ponto de vista realista, elas são simplesmente um fato que ninguém vai reverter radicalmente, mesmo que se queira. Quando a Habitat 1 se instalou em Vancouver, no Canadá, nos anos 70, o êxodo maciço das populações rurais para as áreas urbanas, um fenômeno generalizado nos países subdesenvolvidos, provocava pânico e prognósticos pessimistas. A cidade do futuro era prevista ao estilo da Los Angeles do filme Blade Runner - superpovoada, poluída, miserável e dominada pela criminalidade. O remédio prescrito era deter na marra, ou ao menos limitar, as migrações. Com exceção dos países comunistas que proibiam a livre circulação de seus habitantes, como a antiga União Soviética e a China, nenhum outro conseguiu interromper o êxodo em direção da cidade. Por razões óbvias: é ali que estão as oportunidades de emprego, educação, lazer e de acesso à assistência médica. As grandes cidades são parte natural do desenvolvimento econômico. Se a economia vai para a frente, elas progridem. Se patina, os centros urbanos também decaem. As cidades dos Estados Unidos deram um enorme salto no século passado juntamente com a formidável expansão econômica do país. Tóquio e Seul, no Extremo Oriente, explodiram no século XX. Do mesmo modo, o aumento da população acompanhou a prosperidade da economia na América Latina nas décadas de 60 e 70. ÁGUA E ESGOTO - É natural que as pessoas corram para lugares que oferecem maiores oportunidades de emprego e de comércio - as cidades que experimentam surtos de desenvolvimento econômico ou concentram as maiores fatias do produto interno bruto, o PIB. Em muitos países pobres, as cidades chegam a gerar 70% do PIB. É por isso que, segundo previsão da ONU, oito das dez maiores megacidades em 2015 estarão localizadas na Ásia e na África. Vinte anos depois da Habitat 1 sabe-se que apesar do inchaço das áreas urbanas e da multiplicação de megacidades (serão 27 no ano 2015, duas delas brasileiras) a qualidade de vida nas cidades melhorou. Água encanada e esgotos, por exemplo, são confortos que as áreas rurais, em especial nos países pobres, raramente podem oferecer a seus moradores. A constatação de que a catástrofe pode ser evitada é a melhor notícia da Habitat 2. Já é um bom resultado para uma megaconferência dentro do melhor estilo da ONU: cara e confusa. O maior confronto nos salões de Istambul não se referia propriamente ao urbanismo. Foi entre os países pobres, ansiosos por reforçar a burocracia da ONU e angariar recursos para seus programas sociais, e os primos ricos, firmes na decisão de não soltar o dinheiro. Pode-se morrer de tédio numa conferência cujo programa inclui o inevitável discurso do presidente cubano Fidel Castro contra o embargo econômico americano. Nem por isso o Brasil deixou de enviar à Turquia uma das mais numerosas delegações (veja quadro à pág. 60). "O Brasil lutou para incluir na declaração final o direito à moradia", disse o embaixador Geraldo Holanda Cavalcanti, chefe da delegação brasileira. "E vencemos." Falta, evidentemente, ganhar a batalha fora do papel. CAOS E PARAÍSO - O futuro da civilização, seja qual for, será escrito nas cidades. Na virada do século, pela primeira vez, mais da metade da população mundial vai estar vivendo em áreas urbanas. Vinte anos atrás, pouco mais de 30% viviam nas cidades. Atualmente, a população urbana cresce 2,5 vezes mais depressa do que a rural. Ao lado das megalópoles, que despertam a atenção pelo peso de seus mais de 10 milhões de moradores, existem cerca de 300 cidades com pelo menos 1 milhão de habitantes. Não é, insiste boa parte dos especialistas em questões urbanas, razão para alarme. O crescimento da população nas grandes cidades ocorre em ritmo mais lento do que no passado. Há trinta anos previa-se que São Paulo chegaria ao novo milênio com 26 milhões de habitantes e que, uma década mais tarde, os 400 quilômetros que separam a capital paulista do Rio de Janeiro seriam a grande avenida de um monstrengo unificado, a maior megalópole do planeta. As previsões não se confirmaram. Se não é o pesadelo que se previa, qualquer habitante das grandes metrópoles sabe que elas estão longe do paraíso. A urbanização rápida é inevitavelmente caótica. Além disso, alimenta a multiplicação das multidões de famílias sem-teto. Mais de 600 milhões de pessoas, segundo dados levantados pelos organizadores da Habitat 2, vivem em condições precárias nas cidades, inclusive com risco de vida. Miséria, crime e o uso de drogas são males suficientemente conhecidos nos centros urbanos que mais crescem. SOLUÇÕES BARATAS - A responsabilidade pelas mazelas urbanas não é do pobre que monta seu barraco na cidade grande. Com ajuda, ele provavelmente construiria uma casinha melhor. A experiência compartilhada na Habitat 2 mostra que é a falta de leis e de regulamentações apropriadas que inviabiliza as habitações populares. Na conferência de Istambul, as autoridades municipais surgiram como os vilões da maioria dos problemas que afligem suas cidades. Onde os figurões souberam agir com criatividade, obtiveram-se resultados surpreendentes. Um programa de gestão integrada entre prefeitura e favelados em Fortaleza, por exemplo, permitiu a reurbanização de 400 favelas na capital cearense. Como muitos dos problemas das metrópoles são semelhantes, as soluções podem ser intercambiáveis. Reuniões como a Habitat 2, descontadas a discurseira oca e a briga de bastidores pelo direito de injetar opiniões políticas na declaração final da conferência, servem para que boas experiências acabem sendo compartilhadas. Justamente de olho nessa possibilidade, a Habitat 2 premiou doze projetos como as melhores práticas urbanas recentes, entre eles o programa de recuperação de favelas de Fortaleza. RECURSOS CONCENTRADOS - Os melhores projetos nem sempre são os mais caros. "Trata-se de programas que surgiram na esfera local e que são realizados por meio da parceria entre setores governamentais e organizações não governamentais", martelou em entrevistas o urbanista brasileiro Jorge Wilheim, secretário adjunto da Habitat 2. Devido à sua importância na formulação de políticas urbanas, pela primeira vez as ONGs tiveram participação oficial numa conferência da ONU. A Habitat 1, nos anos 70, apostou que a solução dos problemas urbanos deveria ser entregue aos tecnocratas e aos órgãos públicos. A Habitat 2 deslocou a ênfase para o conceito de parceria entre entidades governamentais e a sociedade civil. Outra noção aposentada nos debates da Habitat 2 foi a de que as concentrações urbanas são necessariamente prejudiciais ao meio ambiente. Defendeu-se na conferência justamente a idéia de que é preferível que as pessoas vivam nas cidades, onde se pode concentrar recursos como água e energia. Na base disso, um cálculo muito simples: com a atual lotação do planeta, se cada família tivesse direito a uma casa e a um pedacinho de terra, não sobraria espaço suficiente para a agricultura. À sombra dos minaretes Brasileiro odeia modéstia - sobretudo quando a conta é paga pelos cofres públicos. A delegação oficial brasileira, a Habitat 2, era de apenas vinte diplomatas e técnicos. O número de enviados engrossou com a primeira-dama Ruth Cardoso (e comitiva), algumas dezenas de prefeitos e parlamentares, até passar de 160 viajantes. a maioria por conta do Erário. Estavam em Istambul também membros de 39 ONGs, a maioria dominada pelo PT, participantes de eventos paralelos à conferência da ONU. Sem ter quem o substituísse na prefeitura, o prefeito da cidade paulista de Diadema, José de Filippi Júnior, do PT, foi à Turquia, voltou a Diadema e mais uma vez voou para Istambul. O governador de São Paulo, Mário Covas, do PSDB, que raramente viaja ao exterior, precisou ir a Londres e aproveitou para visitar a cidade turca. O prefeito carioca César Maia apareceu para tratar da transferência do escritório latino-americano do Habitat para o Rio. Foi um factóide, como ele diz. Evento inútil, mas que repercute na imprensa. Como é de praxe quando o assunto é urbanismo, o destaque brasileiro foi o governador do Paraná, Jaime Lerner, do PDT. Urbanista de prestígio internacional por causa de seus projetos em Curitiba, Lerner materializou-se em Istambul a bordo de um ônibus biarticulado. O ônibus e uma estação-tubo foram transportados a bordo de um gigantesco Antonov, russo, com o grosso das despesas pago pela Volvo. "Trouxe o biarticulado por uma razão emblemática", diz Lerner. "Se nosso ônibus pode ir da Europa à Ásia, cruzando o Estreito de Bósforo, por que as outras cidades não resolvem seus problemas de transporte?"
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