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3 de maio de 2006
CARTA AO LEITOR
COMÉRCIO
PRESENTES
MINHA LOJA
Cris Barros
Caíto Maia
Altino Ito
Cecilia Dale
Ana Claudia Tommasi
Abram Kirszenwurcel
Fernando Luis Droghetti
Franziska Hübener
Mickey Cimerman
Homerio Carlos Ribeiro
ENDEREÇOS
  

GUIA DAS BOAS COMPRAS | MINHA LOJA

Mickey Cimerman,
68 anos

Presentes Mickey

Como tudo começou?
A primeira coisa que vendi foi um relógio, quando eu tinha 12 anos. Aos 20, abri minha loja pioneira, no Bom Retiro. Tinha 25 metros quadrados. Os comerciantes do bairro trabalhavam basicamente com roupas. Para não concorrer com eles, decidi vender presentes. Afinal, todo mundo presenteia alguém. No começo, eu mesmo ia de ônibus fazer as entregas dos pacotes maiores. Hoje, tenho três lojas, nos Jardins, em Higienópolis e no Shopping Iguatemi, e seis veículos para entregar 10 000 presentes por mês.

Qual foi o diferencial que o levou a fazer sucesso?
A lista de casamento. Peguei a idéia na Galeria Lafayette, em Paris, e lancei-a no Brasil em 1960. Em vez de os convidados comprarem o que eles gostavam, os noivos é que passaram a escolher o que queriam ganhar. Custou a pegar, mas hoje quase todo mundo faz assim. As compras nesse sistema correspondem a 80% de nossas vendas. Organizamos em média 200 listas por mês.

O que mudou com as listas?
Antes, os noivos trocavam 80% do que recebiam. Agora, as trocas não passam de 20%. Elas só acontecem quando a noiva indica itens por impulso e depois se arrepende. Mais ou menos 45 dias antes do casamento os noivos visitam a loja e escolhem, com a ajuda de uma vendedora, entre as mais de 16 000 opções que temos disponíveis, uns 200 ou 300 produtos que gostariam de receber.

O que vende primeiro na lista?
Em geral, é claro, os presentes de preços menores. Mas, em alguns casos, ocorre o contrário. Recentemente, no casamento do filho de um banqueiro, os artigos de maior procura foram os mais caros e mais sofisticados.

Como o senhor escolhe suas vendedoras?
Elas são selecionadas pessoalmente por mim. A vendedora mais experiente da loja tem 81 anos e a mais nova, 28. Elas usam sua própria experiência de vida para identificar o gosto do cliente e sua condição financeira. Elas sabem orientá-lo a comprar dentro de suas possibilidades ou resolver questões como coordenar pratos e copos de diferentes cores e texturas.

Quais são os produtos mais procurados?
Em primeiro lugar, os jogos de copos de cristal, coloridos ou não. Depois, porcelanas e faqueiros. Também vendemos bem tábuas e bandejas de madeira com alumínio fundido. Ultimamente, tem sido grande a procura por utensílios de cozinha de alta qualidade. Quase sempre são comprados como presente para homens que se tornaram cozinheiros. Ou eles mesmos se presenteiam.

Como é trabalhar num ambiente em que praticamente tudo pode quebrar?
É difícil, pois as pessoas que entram na loja gostam de mexer nas coisas. Nos dias de maior movimento, cerca de 500 pessoas circulam em meio aos cristais e porcelanas. Por isso, cada uma é acompanhada por uma vendedora.

E se o cliente quebra uma peça valiosa?
Cobrar a peça seria muito indelicado. Quando acontece um acidente, alguns clientes se dispõem a pagar o prejuízo. Certa vez, uma senhora de tradicional família paulistana quebrou um vaso de cristal sueco que estava examinando. Ela quis pagar, mas eu não aceitei. Dias depois, mandou-me um presente que valia o dobro.

Qual o presente mais caro de suas lojas?
Tenho um jogo de sessenta copos de cristal Baccarat que custa 30 000 reais.

E o mais barato?
Um porta-retratos de madeira, por sinal muito bonito. Sai por 15 reais.

     
   
 
 
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