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3 de maio de 2006
CARTA AO LEITOR
COMÉRCIO
PRESENTES
MINHA LOJA
Cris Barros
Caíto Maia
Altino Ito
Cecilia Dale
Ana Claudia Tommasi
Abram Kirszenwurcel
Fernando Luis Droghetti
Franziska Hübener
Mickey Cimerman
Homerio Carlos Ribeiro
ENDEREÇOS
  

GUIA DAS BOAS COMPRAS | MINHA LOJA

Franziska Hübener,
39 anos

Franziska Hübener

Como você se tornou fabricante e vendedora de bolsas e sapatos?
Sou alemã, mas moro no Brasil desde criança. Há vinte anos, minha mãe queria que eu voltasse à Alemanha para fazer faculdade. Resolvi ficar e logo inventei um trabalho que justificasse minha permanência e criasse um vínculo com São Paulo. Eu havia tido uma experiência como produtora de moda e sempre me interessei por acessórios. De repente, tive a idéia de lançar uma marca de bolsas e sapatos no estilo que eu mesma gostaria de usar. Desenhei a primeira coleção e levei para um sapateiro fabricar. Quando ficou tudo pronto, por sugestão de uma amiga fui mostrar o que tinha para Eliana Tranchesi, dona da Daslu, loja ainda bem pequena naquela época. Ela adorou e fez um pedido.

Você tinha estrutura para isso?
No começo, eu trabalhava com duas costureiras. Algumas amigas ajudavam. A gente ficava trançando cinto, colando pedrinhas. Aos poucos, fui crescendo. Hoje tenho quarenta funcionários e uma produção mensal de 2 000 pares de sapatos e de 700 bolsas.

Sua loja funciona no Shopping Iguatemi, um dos pontos mais valorizados do Brasil. Como você chegou lá?
Além da Daslu, minhas criações eram vendidas em boas lojas. Com isso, eu me tornei conhecida no mercado. Durante uma das expansões do shopping, fui convidada a abrir meu ponto. Eu não entendia nada de loja, só de bolsas e sapatos. Mas aprendi.

Você passa mais tempo na fábrica ou na loja?
Eu me divido entre as duas. Mas poucas coisas me dão tanto prazer como estar dentro da loja. As consumidoras me apontam o caminho, fazem críticas, dão sugestões. Algumas dessas clientes são advogadas, que trabalham no centro e andam bastante a pé. Por causa delas, passei a produzir uma linha de sapatos mais fechados, com salto baixinho.

Algum truque de venda?
Honestidade. Não adianta falar que o sapato vai lassear quando o calcanhar está visivelmente sobrando. Sapato menor do que o pé é a coisa mais horrível do mundo.

Existe algum macete para reconhecer o poder aquisitivo de quem entra na loja?
É impossível. Mesmo porque ninguém tem obrigação de se arrumar para ir às compras. Já tive várias surpresas, gente por quem você não dava nada e que gastou muito. O dinheiro mudou de mãos.

Seus sapatos custam de 300 a 1 500 reais. As bolsas chegam a ser vendidas por 3 000 reais. Não são caros demais?
Podem ser caros para nossa realidade, mas acho que o preço é justo. Trata-se de peças artesanais, com material nobre e muita qualidade. Tanto que hoje meus produtos são também encontrados, ao lado das mais famosas grifes, em lojas como a Moss, em Paris, a Paul&Joe, em Londres, e a Lane&Crawford, em Hong Kong, entre outras.

Quantos sapatos você tem?
Nem conto. Fico com medo de saber, porque tenho mais do que deveria. Às vezes faço peças únicas para mim, como um sapato forrado com tecido que eu trouxe do Quênia.

Você tem uma marca-fetiche?
Eu acho a italiana Renè Caovilla o máximo, são jóias, mas infelizmente não tenho nenhum par. Sou louca por Havaianas para usar em casa e na praia. Tenho mais de vinte. E elas são um superpresente para as amigas estrangeiras.

Que sapato nunca deveria ter sido inventado?
Bota de plataforma. É horripilante.

E a melhor invenção?
Escarpim de bico e salto finos. É o modelo mais feminino que existe.

     
   
 
 
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