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GUIA DAS BOAS COMPRAS | MINHA LOJA Franziska
Hübener, 39
anos Franziska Hübener Como você se tornou fabricante
e vendedora de bolsas e sapatos? Sou alemã,
mas moro no Brasil desde criança. Há vinte anos, minha mãe
queria que eu voltasse à Alemanha para fazer faculdade. Resolvi ficar e
logo inventei um trabalho que justificasse minha permanência e criasse um
vínculo com São Paulo. Eu havia tido uma experiência como
produtora de moda e sempre me interessei por acessórios. De repente, tive
a idéia de lançar uma marca de bolsas e sapatos no estilo que eu
mesma gostaria de usar. Desenhei a primeira coleção e levei para
um sapateiro fabricar. Quando ficou tudo pronto, por sugestão de uma amiga
fui mostrar o que tinha para Eliana Tranchesi, dona da Daslu, loja ainda bem pequena
naquela época. Ela adorou e fez um pedido. Você
tinha estrutura para isso? No começo, eu trabalhava com duas costureiras.
Algumas amigas ajudavam. A gente ficava trançando cinto, colando pedrinhas.
Aos poucos, fui crescendo. Hoje tenho quarenta funcionários e uma produção
mensal de 2 000 pares de sapatos e de 700 bolsas. Sua
loja funciona no Shopping Iguatemi, um dos pontos mais valorizados do Brasil.
Como você chegou lá? Além da Daslu, minhas criações
eram vendidas em boas lojas. Com isso, eu me tornei conhecida no mercado. Durante
uma das expansões do shopping, fui convidada a abrir meu ponto. Eu não
entendia nada de loja, só de bolsas e sapatos. Mas aprendi.
Você passa mais tempo na fábrica ou na loja?
Eu me divido entre as duas. Mas poucas coisas me dão tanto prazer como
estar dentro da loja. As consumidoras me apontam o caminho, fazem críticas,
dão sugestões. Algumas dessas clientes são advogadas, que
trabalham no centro e andam bastante a pé. Por causa delas, passei a produzir
uma linha de sapatos mais fechados, com salto baixinho.
Algum truque de venda? Honestidade. Não
adianta falar que o sapato vai lassear quando o calcanhar está visivelmente
sobrando. Sapato menor do que o pé é a coisa mais horrível
do mundo. Existe algum macete
para reconhecer o poder aquisitivo de quem entra na loja? É impossível.
Mesmo porque ninguém tem obrigação de se arrumar para ir
às compras. Já tive várias surpresas, gente por quem você
não dava nada e que gastou muito. O dinheiro mudou de mãos.
Seus sapatos custam de 300 a 1 500 reais.
As bolsas chegam a ser vendidas por 3 000 reais. Não são caros demais?
Podem ser caros para nossa realidade, mas acho que o preço é justo.
Trata-se de peças artesanais, com material nobre e muita qualidade. Tanto
que hoje meus produtos são também encontrados, ao lado das mais
famosas grifes, em lojas como a Moss, em Paris, a Paul&Joe, em Londres, e
a Lane&Crawford, em Hong Kong, entre outras. Quantos
sapatos você tem? Nem conto. Fico com medo de saber, porque tenho
mais do que deveria. Às vezes faço peças únicas para
mim, como um sapato forrado com tecido que eu trouxe do Quênia.
Você tem uma marca-fetiche?
Eu acho a italiana Renè Caovilla o máximo, são jóias,
mas infelizmente não tenho nenhum par. Sou louca por Havaianas para usar
em casa e na praia. Tenho mais de vinte. E elas são um superpresente para
as amigas estrangeiras. Que sapato
nunca deveria ter sido inventado? Bota de plataforma. É horripilante.
E a melhor invenção?
Escarpim de bico e salto finos. É o modelo mais feminino que existe.
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