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3 de maio de 2006
CARTA AO LEITOR
COMÉRCIO
PRESENTES
MINHA LOJA
Cris Barros
Caíto Maia
Altino Ito
Cecilia Dale
Ana Claudia Tommasi
Abram Kirszenwurcel
Fernando Luis Droghetti
Franziska Hübener
Mickey Cimerman
Homerio Carlos Ribeiro
ENDEREÇOS
  

GUIA DAS BOAS COMPRAS | MINHA LOJA

Fernando Luis Droghetti,
44 anos

Jacaré do Brasil

Há oito anos, você abriu em Trancoso, na Bahia, a primeira loja Jacaré do Brasil, com a idéia de garimpar e vender móveis e objetos de decoração ao estilo brasileiro. Hoje ela funciona também em São Paulo, onde tem duas unidades. Muitos de seus artigos são surpreendentes e raros. Onde você os encontra?
Tenho dez especialistas em escambo, chamados de catadores. Eles percorrem o interior de todo o país, onde procuram mesas, cadeiras, cômodas, pequenas peças. Quando encontram coisas boas, ligam para meu celular, que, ao receber a ligação de um deles, soa com um toque peculiar: o coaxar de um sapo.  

Por que escambo, ou seja, troca de mercadorias sem o uso do dinheiro?
Nos pequenos vilarejos, as pessoas não se desfazem de coisas antigas por dinheiro. Preferem trocá-las por peças novas. Certa ocasião, viajei durante um mês com Pedro Baiano, um de nossos catadores. Aprendi com ele a arte do escambo. Quando a gente queria, por exemplo, uma masseira – aquela mesa com uma gamela no centro –, tinha de levar no caminhão um móvel de inox para trocar.  

Onde os catadores descobrem esses tesouros?
Do Sul, eles trazem peças da cultura alemã, muitas ainda em uso, como as manteigueiras de madeira; de Minas Gerais, armários de linhas retas, queijeiras, tachos de cobre, mesas e aparadores com gavetas; de Goiás, as masseiras; e do interior de São Paulo, relíquias das antigas estações ferroviárias: bancos de trem e de bondes, mesas, luminárias e até telhas.  

Quem compra em suas lojas?
Muitos estrangeiros e brasileiros de bom gosto, além, é claro, de arquitetos e decoradores. Bruna Lombardi, Ana Maria Braga, Carlos Jereissati e Hector Babenco são alguns de meus clientes. Os publicitários Nizan Guanaes e Bia Aydar compram comigo desde o início. Eu vendo a eles peças originais ou que fizeram parte de suas vidas, como antigas latas de bolacha ou garrafas de guaraná espumante.  

O que há de mais barato e mais caro?
Temos mais de 500 itens na loja: desde uma pinga de bolso, de 2,50 reais, e um pequeno jacaré de miçangas com a bandeira do Brasil, que sai por 6 reais, até um armário de mais de 100 anos, trazido de uma fazenda mineira. Este é bem mais caro: custa 29 000 reais.

O que comprar de presente para quem já tem tudo?
Peças originais ou que tenham um novo uso: lanternas antigas, colares indígenas de miçangas coloridas, almofadinhas com trevos de quatro folhas, talheres de osso, tigelas de ônix branco, folhas de cerâmica, pequenas banquetas.

E o que se deve evitar na decoração de uma casa?
Móveis torneados, com estrutura pesada e de madeira escura, cópias de armários com policromia e desenhos, peças montadas com madeira de demolição, cômodas e altares sacros, pilões e ferros de passar antigos.

Qual a peça que fez mais sucesso até hoje?
Um quadro produzido com um retalho de uma antiga bandeira do Brasil, feita de linho e toda bordada. Montei a peça com a parte azul da bandeira – a única que sobreviveu às traças – e logo três arquitetos estavam disputando o quadro. Acabei levando-o para casa e contratei uma ONG para reproduzir a bandeira. Hoje esse é o quadro mais vendido e decora casas como a de Adriane Galisteu e a de Sig Bergamin.  

Por que sua loja tem esse nome?
As pessoas me chamavam assim. "Jacaré" é o meu apelido de infância.

     
   
 
 
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