Publicidade
 
 

 
 


3 de maio de 2006
CARTA AO LEITOR
COMÉRCIO
PRESENTES
MINHA LOJA
Cris Barros
Caíto Maia
Altino Ito
Cecilia Dale
Ana Claudia Tommasi
Abram Kirszenwurcel
Fernando Luis Droghetti
Franziska Hübener
Mickey Cimerman
Homerio Carlos Ribeiro
ENDEREÇOS
  

GUIA DAS BOAS COMPRAS | MINHA LOJA

Abram Kirszenwurcel,
52 anos

Chapelaria El Sombrero

Hoje em dia quase mais ninguém usa chapéu. Como é que sua loja consegue sobreviver?
Se eu vendesse só chapéus, teria fechado há muito tempo. Nem na década de 50, quando ninguém andava com a cabeça descoberta, isso seria possível. Tanto que meu pai, que fundou a loja em 1935, vendia também calçados. Hoje vendo bengala, suspensórios, cinto, fivela de cinto, mala de viagem, pasta executiva, guarda-chuva e roupas masculinas. Mas o chapéu é o nosso charme. Temos tradição e somos referência nacional há 71 anos.

Quem ainda compra chapéus?
O jovem que quer se diferenciar dos amigos. O sujeito fashion que gosta de lançar um novo estilo. Aquele que é naturalmente elegante, do tipo dândi. O homem de meia-idade cujo médico recomendou só sair de casa com chapéu para curar sinusite ou para se proteger do sol. E, finalmente, aquele tipo de pessoa que tem mais de 60 anos e é de uma geração que cresceu usando chapéu a vida inteira. Infelizmente, estão acabando.

O senhor tem clientes famosos?
Vários, como o apresentador Jô Soares e o cantor Sérgio Reis. Já compraram aqui o jogador Viola, o ator Sérgio Mambertti e o apresentador Ratinho. Em 2000, vendemos 400 chapéus para a delegação brasileira que foi aos Jogos Olímpicos de Sydney. Além disso, fornecemos figurinos para novelas, peças teatrais, programas de auditório e grupos de dança.

Como seus funcionários são treinados para vender um artigo tão difícil?
O treinamento se dá no dia-a-dia. Meus quatro funcionários são antigos na loja. Recentemente, aposentou-se um vendedor que estava conosco havia 51 anos. Quem nos procura sabe o que quer. É preciso estabelecer com os clientes uma relação de confiança. Quando entram aqui, a primeira coisa em que reparamos não é a roupa nem o sapato, e sim o tamanho e o formato da cabeça.

Como funciona a numeração de chapéus?
De centímetro em centímetro. Para saber o número do chapéu, passe uma fita métrica pela circunferência da cabeça e aperte-a a ponto de o dono da cabeça dizer "ai!". Em adultos, a medida varia de 53 a 61 centímetros.

Se um chapéu está grande, ele pode ser ajustado?
Chapéu é igual a sapato, tem de servir de primeira. Existe um ajuste, que podemos comparar à palmilha, mas só funciona para solucionar os casos de meio número, por exemplo.

Quantos modelos de chapéu o senhor oferece?
Trabalhamos com quatro linhas: a social, a country, a casual e a de boinas e bonés. São mais de 200 modelos. Tudo com estoque grande, pois é preciso dispor da numeração completa.

Quanto custam?
Os chapéus mais caros são os de pêlo de lebre, impermeáveis, cujo preço chega a 500 reais. O preço médio de um chapéu de feltro oscila entre 60 e 95 reais. Bonés variam de 20 a 40 reais.

Alguma roupa não combina com chapéu?
Existem chapéus para todo tipo de traje, do social ao esportivo. Só não dá para usar com roupa de mergulho.

E todo mundo pode usar?
Todo mundo. Indicar o chapéu ideal de acordo com o perfil, o biotipo e a necessidade da pessoa é o meu segredo profissional. Um cara baixinho e gordinho, por exemplo, não fica bem com chapéu de aba estreita.

O senhor usa chapéu?
Só quando está frio, pois sou semicalvo.

     
   
 
 
VEJA on-line | Veja São Paulo
copyright © Editora Abril S.A. . todos os direitos reservados