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GUIA DE COMPRAS | MINHA LOJA
Caíto Maia, 36
anos Chilli Beans
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Como surgiu a idéia do negócio?
Morei sete anos na Califórnia, numa praia
chamada Venice Beach. As pessoas viviam comprando óculos baratos para compor
a personalidade que queriam assumir naquele dia. Quando voltei para cá,
trouxe vários modelos e comecei a vender a meus amigos e conhecidos. Depois,
passei a importar regularmente e a vender no atacado. Como eu quase não
tinha capital e era inexperiente, acabei quebrando. Recomecei há dez anos,
no Mercado Mundo Mix, uma feira alternativa de moda que marcou época em
São Paulo. Imaginava que meu público seria de mulheres e gays, mas
descobri que quem mais comprava eram homens heterossexuais. Logo depois abri um
ponto na Galeria Ouro Fino, na Rua Augusta. Na verdade, uma lojinha de 10 metros
quadrados que eu dividia com uma marca de roupas. Era tão apertada que
o pessoal fazia fila do lado de fora. Na base do boca-a-boca a marca ficou conhecida.
Até que, em 2000, o Shopping Villa-Lobos me convidou para montar um quiosque.
Desde então, abrimos 150 lojas. Quantas
são próprias? São todas franqueadas. Mas eu encaro
cada franquia como se fosse uma loja nossa. Duas das lojas estão em Portugal.
Ainda neste semestre será aberta uma em Los Angeles, nos Estados Unidos.
Seus óculos custam muito menos
do que os modelos encontrados em óticas, mas são de qualidade inferior.
Como é essa concorrência? As óticas me odeiam e se
negam a colocar lentes de grau nos nossos óculos. Não recomendamos
que os clientes façam isso. Nossos produtos devem ser usados como óculos
escuros. Mas, em tese, qualquer armação pode ter qualquer tipo de
lente. Os óculos são criados
por vocês? Hoje são. E as lentes têm o selo de qualidade
do Inmetro. Mas nunca escondi de ninguém que são fabricados na China
e que no início fazíamos réplicas de modelos já existentes.
Lançamos atualmente dez modelos por semana, em quatro cores cada um. Eles
vendem rápido e não voltam mais. Isso garante a exclusividade das
peças. A linha de relógios, que lançamos no ano passado,
também é produzida na China e montada na Zona Franca de Manaus.
Como vocês conquistam o cliente?
Com bons preços e bom atendimento. No Brasil, o cliente muitas vezes
é desrespeitado. Eu sempre procurei tratá-lo bem e foi assim que
consegui crescer. Na minha opinião, o que mais importa é o atendimento.
Nossos vendedores jamais dizem "não" e, como eu, não se cansam de
repetir as palavras mágicas: "por favor" e "muito obrigado". Fazemos treinamento
com eles todas as semanas. São jovens e têm o mesmo perfil de nossos
consumidores, que em sua maioria se situam na faixa entre 15 e 30 anos.
Você também vende? Adoro
vender. Pouco antes desta entrevista, vendi três relógios. Dois para
uma cliente, um para outra. Mostrei que combinavam com as roupas que elas usavam
e com o estilo delas. Eu passei o conceito de que nossos produtos não são
apenas um par de óculos ou um relógio, mas um acessório fashion.
Qual o seu próximo passo?
Pretendo abrir, até o próximo ano, o Centro Cultural Chilli
Beans. Será uma escola de varejo e, ao mesmo tempo, um espaço para
as artes. A idéia é incentivar o crescimento, gerar cultura e difundir
conhecimento. |