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3 de maio de 2006
CARTA AO LEITOR
COMÉRCIO
PRESENTES
MINHA LOJA
Cris Barros
Caíto Maia
Altino Ito
Cecilia Dale
Ana Claudia Tommasi
Abram Kirszenwurcel
Fernando Luis Droghetti
Franziska Hübener
Mickey Cimerman
Homerio Carlos Ribeiro
ENDEREÇOS
  

GUIA DAS BOAS COMPRAS

A cidade do comércio

Das bijuterias baratinhas da Rua 25 de
Março aos vestidos das grifes de superluxo
dos Jardins, 300 000 lojas vendem de tudo
um pouco na metrópole e empregam
1,4 milhão de pessoas

 
Le Lis Blanc Casa: produtos importados de sete países da Ásia e Europa

Na quarta maior metrópole do mundo, onde quase tudo é superlativo, os números relacionados ao comércio são simplesmente uma coisa de louco. Quando sai às compras, o paulistano pode escolher entre 300.000 lojas. Todos os anos, 91 bilhões de reais (cinco vezes o orçamento da prefeitura) entram nas caixas registradoras desses estabelecimentos, seja um pequeno quiosque localizado em Parelheiros, a 37,5 quilômetros da Praça da Sé, seja uma superloja dos Jardins. Do lado de dentro do balcão, os clientes contam com 1,4 milhão de pessoas prontas a atender a seus desejos – uma população igual à de Porto Alegre. É quase impossível imaginar um produto que não esteja exposto nos balcões, prateleiras e corredores dos 55.000 bares e restaurantes, 4.200 pet shops, 4.000 farmácias, 2.700 padarias, 725 supermercados e 150 sex shops de São Paulo, entre muitos outros. Se quiser achar um pouco de tudo isso em um só lugar, basta ir a um dos 66 shopping centers da cidade. E se for necessário adquirir alguma coisa de madrugada? Nenhum problema. Há 370 lojas de conveniência abertas 24 horas.

O perfil econômico da capital mudou nas últimas duas décadas, quando muitas indústrias foram seduzidas por condições mais favoráveis no interior e em outros estados. Floresceu então o setor de serviços, no qual se inclui o comércio. São Paulo, no entanto, não sofreu abalos em seu poderio econômico – é responsável por 10% do produto interno bruto brasileiro (soma de toda a riqueza produzida no país). A renda per capita de seus moradores (12.250 reais) é 40% maior que a média nacional (8.694 reais). Está aqui, afinal, o maior mercado consumidor, com cerca de 15% das vendas de varejo realizadas no Brasil.

 
Rua 15 de Novembro, na década de 50: comprar no centro nunca foi tão chique

Na mais famosa rua de comércio de luxo desse mercado fervilhante e diversificado, a Oscar Freire, no Jardim Paulista, enfileiram-se 113 lojas de grifes estreladas, como Diesel, Clube Chocolate, Adidas e Lacoste. Em suas vitrines, raramente se vêem itens à venda por menos de 200 reais. Nas transversais, a Bela Cintra e a Haddock Lobo, brilham os logos das mais desejadas marcas do mundo, de Armani a Cartier, de Dior a Montblanc. Para chamar a atenção dos compradores, há iluminação especial e música ambiente, principalmente batidas eletrônicas. Nas calçadas, um batalhão de seguranças se encarrega de manter a tranqüilidade de quem circula por ali cheio de sacolas. A mais de uma hora de carro da Oscar Freire, a Avenida Sadamu Inoue, principal via de comércio de Parelheiros, na Zona Sul, é uma volta ao tempo em que as vitrines não exibiam palavras como "sale" ou "solde" por todos os lados. Nas quarenta lojas de seu trecho central, ar-condicionado é artigo raro, encontrado apenas em suas duas lan houses (para garantir o bom funcionamento dos computadores, não o conforto dos usuários). Na maioria dos casos, os moradores do bairro fazem suas compras em instalações simples e apertadas. O mais tradicional ponto-de-venda de roupas das redondezas, a Papariko Modas vende artigos para homens, mulheres e crianças em araras bem próximas umas das outras. Blusas custam a partir de 7 reais. Ao pagar a conta, quem gasta mais de 20 reais ganha de brinde dez minutos de acesso à internet.

 

Supermercado Pão de Açúcar no Real Parque: novidades testadas aqui são levadas para o resto do Brasil

Mimos, aliás, são armas que seduzem consumidores de todas as classes sociais. Na Le Lis Blanc – rede de moda feminina com quatro pontos-de-venda na capital, além de uma unidade dedicada a produtos de decoração, a Le Lis Blanc Casa –, quem vai comprar aos sábados é recebido com taças de prosecco. "Até as clientes das outras dezessete cidades onde atuamos fazem questão de conhecer as filiais daqui", afirma Rahyja Asranje, sócia e diretora comercial da empresa. "Comprar em São Paulo dá status." Para os executivos da rede de supermercados Pão de Açúcar, a capital paulista é uma referência nacional de consumo. "Como aqui a exigência é maior, acabamos testando as novidades que depois são levadas para todo o país", conta Paulo Lima, diretor regional da rede. Foi a partir de um pedido dos paulistanos, por exemplo, que o grupo decidiu colocar pontos de degustação de frutas na seção de hortifrútis de suas lojas.

Mas há os que conseguem passar ao largo de inovações. Instalada na Florêncio de Abreu, no centro antigo, a Casa da Bóia oferece materiais hidráulicos e artigos do gênero desde 1898. O negócio nasceu sob o comando do imigrante sírio Rizkallah Jorge Tahan e está na terceira geração da família. As bóias para caixa-d'água que batizaram a empresa seguem em alta. "Até hoje elas estão entre os cinco itens mais vendidos", diz Mário Roberto Rizkallah, neto do fundador. O fato de estar localizada na "rua das ferramentas", como é conhecida a Florêncio de Abreu, ajuda a entender a longevidade da loja. Outras ruas especializadas, como a São Caetano (de produtos para noivas), a Santa Ifigênia (eletroeletrônicos) e a José Paulino (confecções), atraem visitantes de todo o Brasil.

 

Loja da grife francesa Christian Dior, na Rua Haddock Lobo: para clientes classe AAA

O setor no qual hoje tudo é superdimensionado começou a ganhar força no fim do século XIX, quando a cidade era um pólo do setor cafeeiro. Relegado pela elite, mais preocupada em enriquecer com o chamado ouro negro, o comércio ganhava força nas mãos dos imigrantes que aqui desembarcavam. Foi assim que libaneses, sírios, portugueses e espanhóis, entre outros, passaram a formar uma camada de médios comerciantes. "Os imigrantes inauguraram a mobilidade social de São Paulo", explica o empresário Guilherme Afif Domingos, presidente da Associação Comercial de São Paulo. E a transformaram na cidade onde não há limites quando o que se procura são as boas compras.

 

O que só se encontra aqui... 

35 000 restaurantes  

20000 bares

4200 pet shops

4000 farmácias

2700 padarias

1000 estabelecimentos que vendem discos de vinil

725 supermercados

370 lojas de conveniência abertas 24 horas

150 sex shops  

130 livrarias  

66 shopping centers  

20 ruas especializadas

6000 pontos-de-venda apenas no Brás

600 lojas só na Rua Teodoro Sampaio

 

Na caixa registradora

91 bilhões de reais é o que movimenta
por ano o varejo paulistano  

8,8 bilhões de reais é o faturamento anual das lojas localizadas na Rua 25 de Março

15% das vendas no varejo do Brasil são feitas aqui  

846 000 transações de cartão de crédito são efetuadas por dia

Fontes: Abeme, Abrasel, ACSP, Alshop, Apas, Baratos Afins, Fecomercio,
IBGE, Prefeitura de São Paulo, Provar e São Paulo Turismo

 

 

     
   
 
 
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