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GUIA DAS BOAS COMPRAS A
cidade do comércio Das bijuterias
baratinhas da Rua 25 de Março aos vestidos das grifes de superluxo
dos Jardins, 300 000 lojas vendem de tudo um pouco na metrópole e empregam
1,4 milhão de pessoas
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| Le Lis Blanc Casa: produtos importados
de sete países da Ásia e Europa |
Na quarta maior metrópole do mundo, onde quase tudo é superlativo,
os números relacionados ao comércio são simplesmente uma
coisa de louco. Quando sai às compras, o paulistano pode escolher entre
300.000 lojas. Todos os anos, 91 bilhões de reais (cinco vezes o orçamento
da prefeitura) entram nas caixas registradoras desses estabelecimentos, seja um
pequeno quiosque localizado em Parelheiros, a 37,5 quilômetros da Praça
da Sé, seja uma superloja dos Jardins. Do lado de dentro do balcão,
os clientes contam com 1,4 milhão de pessoas prontas a atender a seus desejos
– uma população igual à de Porto Alegre. É quase impossível
imaginar um produto que não esteja exposto nos balcões, prateleiras
e corredores dos 55.000 bares e restaurantes, 4.200 pet shops, 4.000 farmácias,
2.700 padarias, 725 supermercados e 150 sex shops de São Paulo, entre muitos
outros. Se quiser achar um pouco de tudo isso em um só lugar, basta ir
a um dos 66 shopping centers da cidade. E se for necessário adquirir alguma
coisa de madrugada? Nenhum problema. Há 370 lojas de conveniência
abertas 24 horas. O perfil econômico da capital mudou
nas últimas duas décadas, quando muitas indústrias foram
seduzidas por condições mais favoráveis no interior e em
outros estados. Floresceu então o setor de serviços, no qual se
inclui o comércio. São Paulo, no entanto, não sofreu abalos
em seu poderio econômico – é responsável por 10% do produto
interno bruto brasileiro (soma de toda a riqueza produzida no país). A
renda per capita de seus moradores (12.250 reais) é 40% maior que a média
nacional (8.694 reais). Está aqui, afinal, o maior mercado consumidor,
com cerca de 15% das vendas de varejo realizadas no Brasil.
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| Rua 15 de Novembro, na década de 50: comprar
no centro nunca foi tão chique |
Na mais famosa rua de comércio de luxo desse mercado fervilhante e diversificado,
a Oscar Freire, no Jardim Paulista, enfileiram-se 113 lojas de grifes estreladas,
como Diesel, Clube Chocolate, Adidas e Lacoste. Em suas vitrines, raramente se
vêem itens à venda por menos de 200 reais. Nas transversais, a Bela
Cintra e a Haddock Lobo, brilham os logos das mais desejadas marcas do mundo,
de Armani a Cartier, de Dior a Montblanc. Para chamar a atenção
dos compradores, há iluminação especial e música ambiente,
principalmente batidas eletrônicas. Nas calçadas, um batalhão
de seguranças se encarrega de manter a tranqüilidade de quem circula
por ali cheio de sacolas. A mais de uma hora de carro da Oscar Freire, a Avenida
Sadamu Inoue, principal via de comércio de Parelheiros, na Zona Sul, é
uma volta ao tempo em que as vitrines não exibiam palavras como "sale"
ou "solde" por todos os lados. Nas quarenta lojas de seu trecho central, ar-condicionado
é artigo raro, encontrado apenas em suas duas lan houses (para garantir
o bom funcionamento dos computadores, não o conforto dos usuários).
Na maioria dos casos, os moradores do bairro fazem suas compras em instalações
simples e apertadas. O mais tradicional ponto-de-venda de roupas das redondezas,
a Papariko Modas vende artigos para homens, mulheres e crianças em araras
bem próximas umas das outras. Blusas custam a partir de 7 reais. Ao pagar
a conta, quem gasta mais de 20 reais ganha de brinde dez minutos de acesso à
internet.
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| Supermercado Pão de Açúcar no
Real Parque: novidades testadas aqui são levadas para o resto do Brasil
| Mimos, aliás, são armas que
seduzem consumidores de todas as classes sociais. Na Le Lis Blanc – rede de moda
feminina com quatro pontos-de-venda na capital, além de uma unidade dedicada
a produtos de decoração, a Le Lis Blanc Casa –, quem vai comprar
aos sábados é recebido com taças de prosecco. "Até
as clientes das outras dezessete cidades onde atuamos fazem questão de
conhecer as filiais daqui", afirma Rahyja Asranje, sócia e diretora comercial
da empresa. "Comprar em São Paulo dá status." Para os executivos
da rede de supermercados Pão de Açúcar, a capital paulista
é uma referência nacional de consumo. "Como aqui a exigência
é maior, acabamos testando as novidades que depois são levadas para
todo o país", conta Paulo Lima, diretor regional da rede. Foi a partir
de um pedido dos paulistanos, por exemplo, que o grupo decidiu colocar pontos
de degustação de frutas na seção de hortifrútis
de suas lojas. Mas há os que conseguem passar ao largo
de inovações. Instalada na Florêncio de Abreu, no centro antigo,
a Casa da Bóia oferece materiais hidráulicos e artigos do gênero
desde 1898. O negócio nasceu sob o comando do imigrante sírio Rizkallah
Jorge Tahan e está na terceira geração da família.
As bóias para caixa-d'água que batizaram a empresa seguem em alta.
"Até hoje elas estão entre os cinco itens mais vendidos", diz Mário
Roberto Rizkallah, neto do fundador. O fato de estar localizada na "rua das ferramentas",
como é conhecida a Florêncio de Abreu, ajuda a entender a longevidade
da loja. Outras ruas especializadas, como a São Caetano (de produtos para
noivas), a Santa Ifigênia (eletroeletrônicos) e a José Paulino
(confecções), atraem visitantes de todo o Brasil.
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| Loja da grife francesa Christian Dior,
na Rua Haddock Lobo: para clientes classe AAA |
O setor no qual hoje tudo é superdimensionado começou a ganhar força
no fim do século XIX, quando a cidade era um pólo do setor cafeeiro.
Relegado pela elite, mais preocupada em enriquecer com o chamado ouro negro, o
comércio ganhava força nas mãos dos imigrantes que aqui desembarcavam.
Foi assim que libaneses, sírios, portugueses e espanhóis, entre
outros, passaram a formar uma camada de médios comerciantes. "Os imigrantes
inauguraram a mobilidade social de São Paulo", explica o empresário
Guilherme Afif Domingos, presidente da Associação Comercial de São
Paulo. E a transformaram na cidade onde não há limites quando o
que se procura são as boas compras.
| O que só se encontra aqui...
35 000 restaurantes
20000 bares
4200 pet shops
4000 farmácias
2700 padarias
1000 estabelecimentos
que vendem discos de vinil 725
supermercados
370 lojas de conveniência
abertas 24 horas 150 sex
shops 130
livrarias 66
shopping centers 20
ruas especializadas 6000
pontos-de-venda apenas no Brás 600
lojas só na Rua Teodoro Sampaio |
| Na caixa registradora 91
bilhões de reais é
o que movimenta por ano o varejo paulistano 8,8
bilhões de reais é
o faturamento anual das lojas localizadas na Rua 25 de Março
15% das vendas no varejo
do Brasil são feitas aqui 846
000 transações de
cartão de crédito são efetuadas por dia
Fontes: Abeme, Abrasel, ACSP, Alshop,
Apas, Baratos Afins, Fecomercio, IBGE, Prefeitura de São Paulo, Provar
e São Paulo Turismo | |