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COMPORTAMENTO
Eles adoram colecionar Nana Caetano Fotos Daniela Toviansky
"Comprei uma camiseta usada por 400 dólares"
"Quando viajo, levo uma mala vazia só
para trazer miniaturas de leões" "Encomendei
vestidos exclusivos para minhas Barbies" Para
a maioria das pessoas, as frases acima podem soar esdrúxulas. Mas há
um grupo de paulistanos que não se importa de parecer obsessivo quando
o assunto são seus objetos de desejo. Para os colecionadores, bonecos,
roupas e acessórios aparentemente comuns atingem status de obras de arte.
"Vou emoldurar uma das minhas camisetas velhas", diz a modelo Mariana Weickert.
"Trago pelo menos dois chapéus a cada viagem que faço", conta a
banqueteira Neka Menna Barreto. Segundo estimativa do colecionismo.com.br, o maior
portal em língua portuguesa sobre o assunto, somente em São Paulo
existem 250.000 colecionadores. Há quem comece guardando lembranças
de cidades que conheceu, resolva resgatar símbolos da infância ou
mesmo queira deixar suas peças para a posteridade. "Meus lápis serão
a maior herança de meus filhos", brinca o empresário Renato Kherlakian,
dono de 4.000 deles. As Barbies da Barbie
Quando
alguns colegas de profissão (e desafetos) da arquiteta Brunete Fraccaroli
começaram a chamá-la de Barbie, não imaginavam que ela entraria
no jogo. "Em vez de me irritar, resolvi assumir o apelido", conta a loira Brunete,
com seu cabelo liso e o corpinho mignon. Em onze anos, ela acumulou 190 bonecas,
de variados tipos, todas Barbie. Tem chinesa, negra, com roupa de patricinha,
produzida como destaque de escola de samba... Sem falar nas que vestem modelitos
exclusivos desenhados por estilistas brasileiros. "Há uns sete anos, minha
filha doou a coleção inteira sem me consultar", lembra. "Quando
recuperei as bonecas, estavam sem as roupinhas." A solução foi encomendar
os tais modelos exclusivos. "Não são lindos?", diz Brunete, depois
de confessar que, se pudesse, só sairia na rua vestida de "árvore
de Natal". Uma coisa bem Barbie. Sapatinhos
nº 40
Enfileirados, os sapatos da supermodelo e apresentadora Ana Hickmann ocupariam
as duas laterais de um campo de futebol. E ainda sobrariam alguns. São
420 pares tamanho 40 (às vezes 41). Superfemininos, têm, na maioria,
salto 10. "Rasteirinha eu não uso nem morta", diz. Como calça um
número grande embora proporcional ao seu 1,85 metro de altura ,
Ana precisa encomendar ou pesquisar bastante para encontrar sapatos que lhe sirvam.
"Quando acho, tenho de comprar mesmo. É um problema sério." Foi
desse garimpo que surgiu a coleção. "Não dou nem quando ficam
velhos e cuido muito bem de todos." Acondicionados em prateleiras abertas, ficam
em um quarto exclusivo de sua casa nas Perdizes. Duas vezes por mês, sua
faxineira deixa de lado banheiros e janelas e passa o dia inteiro tirando o pó
dos calçados. Chapéus no
lugar dos quadros
Entrar na casa da banqueteira Neka Menna Barreto, no Jardim Paulistano,
é como visitar um pequeno museu de coleções. Ela guarda pedras,
gravetos encontrados durante caminhadas no mato, xicrinhas, tapetes, taças...
Só de chapéus, tem uma parede inteira (ali, eles funcionam como
peças de decoração), mais um armário lotado. No total,
são 118 modelos. "Quando viajo, tenho de me cuidar para não comprar
tudo o que vejo", conta. "Saio daqui com uma mochila e volto carregada." Transportar
os chapéus dá trabalho e ocupa muito espaço. Os mais especiais
como este que usa na foto, fabricado na Tanzânia e comprado na África
do Sul ela traz na cabeça mesmo. "Fica engraçado, mas garanto
que eles não amassam." Cercado
de feras
Se o apresentador de TV Gilberto Barros reunisse toda a sua coleção
de miniaturas de leão, seriam necessárias vinte fotos como esta
para mostrá-la. Ou 21, se ele posasse ao lado do casal de feras que ganhou
de um circo, abrigou em sua casa por quatro meses e hoje mantém no parque
Beto Carrero World, em Santa Catarina. Leão, como é conhecido, tem
mais de 1.000 reis dos animais de pelúcia, madeira, metal, neon... "Quando
viajo, levo uma mala para as minhas roupas e outra só para os bichos",
diz. Ele vai ao exterior pelo menos quatro vezes por ano só a Disney,
sua paixão, garante ter visitado 43 vezes. "Eu choro quando vejo o Mickey",
confessa. Foi lá nos Estados Unidos que adquiriu sua peça mais cara:
uma réplica de cabeça de leão da Universal Studios. "Custou
20.000 dólares", afirma. Velharias
no armário
A peça mais cara da coleção da top model e apresentadora
Mariana Weickert custou 400 dólares. Comprada em um brechó
de Nova York, a camiseta azul-turquesa da OP que ela veste na foto já saiu
da loja com a malha molinha, a gola esgarçada e a manga puída. Exatamente
como ela gosta. Mariana tem fixação por camiseta velha. "Não
dou nem jogo fora", afirma. Mas a modelo nem sempre precisa abrir a carteira para
aumentar sua coleção, com mais de 300 peças. "Mariana vive
pedindo para a moça que trabalha em casa tirar a camiseta", dedura a mãe,
Anamaria. "Dá uma blusa nova e fica com a usada." Uma de suas peças
favoritas, pintada e detonada pelo artista plástico americano Stephen Sprouse
(aquele que grafitou as bolsas da Louis Vuitton), vai ser emoldurada para enfeitar
a parede de sua sala. Do estúdio
para casa
A
coleção de bonecos do apresentador de televisão Otávio
Mesquita começou à sua revelia. Há três anos, a
direção do programa A Noite É uma Criança,
da Bandeirantes, decidiu que seria legal se o cenário remetesse ao universo
infantil e mandou comprar algumas miniaturas. O apresentador pegou gosto, começou
a levá-las para casa e a comprar outras para o estúdio. Viciou.
"Toda vez que vou ao shopping, tenho de entrar numa loja de brinquedos", afirma.
"Não tive muitos bonecos na infância, talvez por isso sinta esse
fascínio hoje em dia." DVDs de desenhos animados como Monstros S.A.
também fazem parte de seu acervo. "Assistir a animações me
dá um relax..." 
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