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31 de agosto de 2005
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COMPORTAMENTO

Eles adoram colecionar

Nana Caetano
Fotos Daniela Toviansky

"Comprei uma camiseta usada por 400 dólares"

"Quando viajo, levo uma mala vazia só para trazer miniaturas de leões"

"Encomendei vestidos exclusivos para minhas Barbies"

Para a maioria das pessoas, as frases acima podem soar esdrúxulas. Mas há um grupo de paulistanos que não se importa de parecer obsessivo quando o assunto são seus objetos de desejo. Para os colecionadores, bonecos, roupas e acessórios aparentemente comuns atingem status de obras de arte. "Vou emoldurar uma das minhas camisetas velhas", diz a modelo Mariana Weickert. "Trago pelo menos dois chapéus a cada viagem que faço", conta a banqueteira Neka Menna Barreto. Segundo estimativa do colecionismo.com.br, o maior portal em língua portuguesa sobre o assunto, somente em São Paulo existem 250.000 colecionadores. Há quem comece guardando lembranças de cidades que conheceu, resolva resgatar símbolos da infância ou mesmo queira deixar suas peças para a posteridade. "Meus lápis serão a maior herança de meus filhos", brinca o empresário Renato Kherlakian, dono de 4.000 deles.

 

As Barbies da Barbie

 

Quando alguns colegas de profissão (e desafetos) da arquiteta Brunete Fraccaroli começaram a chamá-la de Barbie, não imaginavam que ela entraria no jogo. "Em vez de me irritar, resolvi assumir o apelido", conta a loira Brunete, com seu cabelo liso e o corpinho mignon. Em onze anos, ela acumulou 190 bonecas, de variados tipos, todas Barbie. Tem chinesa, negra, com roupa de patricinha, produzida como destaque de escola de samba... Sem falar nas que vestem modelitos exclusivos desenhados por estilistas brasileiros. "Há uns sete anos, minha filha doou a coleção inteira sem me consultar", lembra. "Quando recuperei as bonecas, estavam sem as roupinhas." A solução foi encomendar os tais modelos exclusivos. "Não são lindos?", diz Brunete, depois de confessar que, se pudesse, só sairia na rua vestida de "árvore de Natal". Uma coisa bem Barbie.

 

Sapatinhos nº 40

 

Enfileirados, os sapatos da supermodelo e apresentadora Ana Hickmann ocupariam as duas laterais de um campo de futebol. E ainda sobrariam alguns. São 420 pares tamanho 40 (às vezes 41). Superfemininos, têm, na maioria, salto 10. "Rasteirinha eu não uso nem morta", diz. Como calça um número grande – embora proporcional ao seu 1,85 metro de altura –, Ana precisa encomendar ou pesquisar bastante para encontrar sapatos que lhe sirvam. "Quando acho, tenho de comprar mesmo. É um problema sério." Foi desse garimpo que surgiu a coleção. "Não dou nem quando ficam velhos e cuido muito bem de todos." Acondicionados em prateleiras abertas, ficam em um quarto exclusivo de sua casa nas Perdizes. Duas vezes por mês, sua faxineira deixa de lado banheiros e janelas e passa o dia inteiro tirando o pó dos calçados.

 

Chapéus no lugar dos quadros

Entrar na casa da banqueteira Neka Menna Barreto, no Jardim Paulistano, é como visitar um pequeno museu de coleções. Ela guarda pedras, gravetos encontrados durante caminhadas no mato, xicrinhas, tapetes, taças... Só de chapéus, tem uma parede inteira (ali, eles funcionam como peças de decoração), mais um armário lotado. No total, são 118 modelos. "Quando viajo, tenho de me cuidar para não comprar tudo o que vejo", conta. "Saio daqui com uma mochila e volto carregada." Transportar os chapéus dá trabalho e ocupa muito espaço. Os mais especiais – como este que usa na foto, fabricado na Tanzânia e comprado na África do Sul – ela traz na cabeça mesmo. "Fica engraçado, mas garanto que eles não amassam."

 

Cercado de feras

 

Se o apresentador de TV Gilberto Barros reunisse toda a sua coleção de miniaturas de leão, seriam necessárias vinte fotos como esta para mostrá-la. Ou 21, se ele posasse ao lado do casal de feras que ganhou de um circo, abrigou em sua casa por quatro meses e hoje mantém no parque Beto Carrero World, em Santa Catarina. Leão, como é conhecido, tem mais de 1.000 reis dos animais de pelúcia, madeira, metal, neon... "Quando viajo, levo uma mala para as minhas roupas e outra só para os bichos", diz. Ele vai ao exterior pelo menos quatro vezes por ano – só a Disney, sua paixão, garante ter visitado 43 vezes. "Eu choro quando vejo o Mickey", confessa. Foi lá nos Estados Unidos que adquiriu sua peça mais cara: uma réplica de cabeça de leão da Universal Studios. "Custou 20.000 dólares", afirma.

 

Velharias no armário

 

A peça mais cara da coleção da top model e apresentadora Mariana Weickert custou 400 dólares. Comprada em um brechó de Nova York, a camiseta azul-turquesa da OP que ela veste na foto já saiu da loja com a malha molinha, a gola esgarçada e a manga puída. Exatamente como ela gosta. Mariana tem fixação por camiseta velha. "Não dou nem jogo fora", afirma. Mas a modelo nem sempre precisa abrir a carteira para aumentar sua coleção, com mais de 300 peças. "Mariana vive pedindo para a moça que trabalha em casa tirar a camiseta", dedura a mãe, Anamaria. "Dá uma blusa nova e fica com a usada." Uma de suas peças favoritas, pintada e detonada pelo artista plástico americano Stephen Sprouse (aquele que grafitou as bolsas da Louis Vuitton), vai ser emoldurada para enfeitar a parede de sua sala.

 

Do estúdio para casa

A coleção de bonecos do apresentador de televisão Otávio Mesquita começou à sua revelia. Há três anos, a direção do programa A Noite É uma Criança, da Bandeirantes, decidiu que seria legal se o cenário remetesse ao universo infantil e mandou comprar algumas miniaturas. O apresentador pegou gosto, começou a levá-las para casa e a comprar outras para o estúdio. Viciou. "Toda vez que vou ao shopping, tenho de entrar numa loja de brinquedos", afirma. "Não tive muitos bonecos na infância, talvez por isso sinta esse fascínio hoje em dia." DVDs de desenhos animados como Monstros S.A. também fazem parte de seu acervo. "Assistir a animações me dá um relax..."

 

     
   
 
 
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