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31 de julho de 2002
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POLÊMICA

Bate-boca no parque

Militantes gays e associação do Jardim
Lusitânia brigam por área no Ibirapuera


Renato Chaui
Rogério Albuquerque
O terreno de
6 000 metros quadrados: durante o dia é usado pelo Detran para testes com motociclistas e à noite vira ponto de paquera, com até 1 000 carros nos fins de semana


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Sem grama, jardim, pista de cooper ou playground, a área de 6.000 metros quadrados localizada ao lado da Passarela Ciccillo Matarazzo nunca chamou muito a atenção de quem vai ao Parque do Ibirapuera. Durante o dia, é utilizada pelo Detran como pista de testes para habilitação de motociclistas. À noite, transforma-se em agitado ponto de paquera entre homossexuais. Há duas semanas, o lugar ganhou destaque e virou tema de discussões acaloradas. A Secretaria Municipal do Meio Ambiente anunciou que pretende reintegrá-lo ao parque. Ainda não foi anunciado nenhum projeto, mas tanto a associação de moradores do bairro quanto representantes de movimentos gays passaram a brigar pelo destino do terreno.


Rogério Albuquerque
Renato Chaui
"O lugar já virou um ponto turístico GLS. Não tem sentido acabar com ele agora."
FERNANDO VADERS JUNIOR,
da comissão de defesa do "Autorama"
"Por que os homossexuais querem aquele espação todo? Por que não fazer ali uma pista de cooper?"
MARIO LORENZETTI,
da Sociedade dos Moradores e Amigos do Jardim Lusitânia

Os militantes homossexuais alegam que o "Autorama" – apelido dado ao local por causa dos carros que circulam ali após as 21 horas – existe há mais de vinte anos. Por isso, teriam o direito de permanecer na área, seja qual for o projeto urbanístico proposto pela prefeitura. "Já virou um ponto turístico GLS", diz o engenheiro Fernando Vaders Junior, que integra uma recém-criada comissão para defender a manutenção do Autorama. "Queremos fazer um centro de convivência e tolerância, ao qual mesmo os heterossexuais possam ir sem preconceito." Apesar de o Ibirapuera fechar às 20 horas, o portão que cerca a área está sempre aberto. O espaço conta com trailers que vendem comida e bebida. Estima-se que, nos fins de semana, cheguem a passar por lá 1 000 veículos.

Segundo Vaders Junior, os problemas são raros. Desde que o canteiro de obras do Complexo Viário João Jorge Saad, o Cebolinha, foi instalado, em meados dos anos 90, no entanto, parte do lugar se deteriorou. Tapumes sujos e pichados ficaram espalhados na entrada, formando corredores feios, escuros e perigosos. Neste ano, uma pessoa foi baleada no local. "Precisamos de revitalização, com seguranças, postes de iluminação, sanitários e outras melhorias", afirma o engenheiro. Os vizinhos do terreno reclamam do barulho dos carros e do comportamento de parte dos freqüentadores. "É uma situação constrangedora", declara o arquiteto Mario Lorenzetti, da Sociedade dos Moradores e Amigos do Jardim Lusitânia. "Por que os gays querem aquilo tudo para eles? Por que não fazer uma pista de cooper para todo mundo?" Em reuniões com o Departamento de Parques e Áreas Verdes (Depave), representantes da associação propuseram uma mudança nos horários de funcionamento do parque, inclusive do Autorama. Para eles, todos os portões poderiam ser fechados à meia-noite. "Quem quiser paquerar que paquere. Mas só até a hora de fechar os portões. Depois vai todo mundo para casa dormir", diz Lorenzetti. Os tapumes da construção do Cebolinha devem ser retirados até outubro. Uma das idéias do Depave é fazer ali uma praça ou um jardim. O Detran ainda não foi notificado de que terá de se retirar. "Vamos tentar ouvir todos os lados, para buscar uma solução", promete Caio Boucinhas, diretor do Depave. "A única coisa certa é que daremos prioridade às áreas verdes."

         
     
 
 
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