| |
|
|
 |
|
CIDADE
Vizinhos
do barulho
Moradores
da Vila Madalena
embargam obras e
tentam fechar
estabelecimentos irregulares
Carlos
Eduardo Palhano
Renato Chaui
 |
| Entrada
do restaurante Capim Santo: alvará para funcionar como
bar |
Com
cerca de 45.000 habitantes, a Vila Madalena é conhecida por
sua agitação noturna. Espalham-se pelo bairro mais
de 300 restaurantes, bares, botecos e casas noturnas. É claro
que tudo isso representa uma grande dor de cabeça para quem
vive ali. Os moradores queixam-se do trânsito intenso, do
aparecimento de flanelinhas e do barulho até altas horas
da madrugada. Agora, alguns deles resolveram se reunir para tentar
colocar um pouco de ordem nessa algazarra. Um dos grupos mais atuantes
está nas ruas Delfina e Arapiraca. Os vizinhos mapearam o
comércio local e identificaram quatro novos estabelecimentos
em construção. Conseguiram que a prefeitura embargasse,
em maio, as obras de dois deles uma choperia que estava em
fase inicial e um sushibar, praticamente concluído. Os dois
projetos previam uma área construída maior que a permitida
pela Lei de Zoneamento. "Queremos atuar como fiscais", diz o editor
gráfico Alex Wissenbach, que mora com a mulher em um imóvel
comprado por seu pai há mais de setenta anos. "Vamos apontar
as irregularidades para que a prefeitura possa tomar as providências
legais."
Depois do embargo das duas obras, os moradores voltaram-se contra
algumas casas já abertas. O principal alvo tem sido o Capim
Santo, instalado na Rua Arapiraca, em frente à Praça
João Francisco Lisboa. Como na região não se
permite a abertura de restaurantes, os proprietários pediram
licença para funcionar como bar. "Nosso alvará é
igual ao de 98% do comércio da Vila Madalena", diz Antônio
Marques, um dos sócios do Capim Santo. "Estamos esperando
uma definição da Secretaria Municipal de Abastecimento
para agir", afirma a administradora regional de Pinheiros, Bia Pardi.
Segundo o advogado Waldir de Arruda Carneiro, autor do livro Perturbações
Sonoras nas Edificações Urbanas, reunir um grupo
de moradores e entrar com uma ação na Justiça
pode ser a maneira mais rápida de resolver casos como esse.
"Dependendo do problema, é possível obter uma liminar
para fechar o estabelecimento em uma semana", diz ele.
|