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URBANISMO
Refresco para os olhos Especialista em comunicação
visual, João Carlos Cauduro discute projetos para a cidade na 6ª
Bienal de Arquitetura Rodrigo Brancatelli
Mario
Rodrigues
 | | Cauduro:
"São Paulo é o pior pesadelo de qualquer urbanista" | |
Carros,
placas de publicidade gigantescas, postes, fios, faixas de promoções,
sinalização de tráfego, mais carros, backlights, obras inacabadas,
buracos, totens coloridíssimos, lambe-lambes e sujeira. Muita sujeira.
Mesmo que seja difícil descrever em poucas palavras o caos que reina na
cidade, os paulistanos não precisam fazer muita força para lembrar
o desconforto criado por essa balbúrdia estética. As 390.000 placas
de trânsito fincadas nas ruas e avenidas, por exemplo, às vezes mais
atrapalham do que ajudam os próprios moradores se sentem como turistas
recém-chegados com tamanha poluição visual. Isso sem falar
nos 8.000 outdoors cadastrados na prefeitura e outros tantos irregulares. "São
Paulo é o pior pesadelo de qualquer urbanista", diz o arquiteto João
Carlos Cauduro, professor da Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da USP. "Nada
combina com nada. São tantas as referências que a capital se transformou
em um monstro sem identidade."
Cauduro é
um dos principais nomes da 6ª Bienal Internacional de Arquitetura de São
Paulo, que discute até 11 de dezembro na Fundação Bienal
novos rumos para as metrópoles. Neste sábado (26), o arquiteto participa
de um debate sobre planejamento visual urbano. O seu projeto carro-chefe para
"organizar" a cidade é a revitalização da Avenida Pacaembu,
proposto na gestão da prefeita Marta Suplicy e arquivado por falta de verbas.
Muretas seriam destruídas para a criação de uma calçada
uniforme, a publicidade teria de seguir especificações, a sinalização
de trânsito se tornaria padronizada e a fiação iria para debaixo
da terra. O custo? Cerca de 55 milhões de reais. Sem o enterramento dos
fios, seriam 17 milhões de reais (quase um sexto do valor de uma obra como
o túnel da Avenida Rebouças sob a Faria Lima) para transformar a
Pacaembu em um bulevar harmonioso. Reprodução
 | | Mudanças
na Pacaembu: como mostra a perspectiva acima, os fios seriam enterrados, as placas
uniformizadas e os muros derrubados |  |
Limpar a cidade é a obsessão de Cauduro desde o início da
década de 1970, quando ele cuidou da comunicação visual dos
trens e do metrô da capital. Em 1974, seu escritório foi contratado
para dar à Avenida Paulista uma nova identidade, condizente com seu simbolismo.
Instituiu semáforos e os pontos de ônibus do corredor. "Os prefeitos
que vieram não se preocuparam com a estética de São Paulo",
afirma. "O pouco que eu tinha criado acabou destruído e esquecido." Mesmo
decepcionado com a falta de fiscalização e manutenção
do mobiliário da Paulista (em junho, um totem chegou a cair em um pedestre),
o arquiteto continua com planos para a avenida. Além de reformar os postes,
recuperar calçadas, bancas de jornal e pontos de ônibus, Cauduro
sonha em uniformizar a vegetação e desenvolver uma paisagem coerente.
O prefeito José Serra chegou a colocar os olhos no projeto, cuja cópia
estava juntando pó na Empresa Municipal de Urbanização (Emurb),
mas por enquanto o sonho continua no papel. Reprodução
 | | A
Avenida Paulista dos sonhos: estrutura única para cobrir bancas, floriculturas
e pontos de ônibus | Mario
Rodrigues
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