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30 de novembro de 2005
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URBANISMO

Refresco para os olhos

Especialista em comunicação visual,
João Carlos Cauduro discute projetos
para a cidade na 6ª Bienal de Arquitetura

Rodrigo Brancatelli

Mario Rodrigues
Cauduro: "São Paulo é o pior pesadelo de qualquer urbanista"
Veja também
Projetos de revitalização visual das avenidas Paulista e Pacaembu


Carros, placas de publicidade gigantescas, postes, fios, faixas de promoções, sinalização de tráfego, mais carros, backlights, obras inacabadas, buracos, totens coloridíssimos, lambe-lambes e sujeira. Muita sujeira. Mesmo que seja difícil descrever em poucas palavras o caos que reina na cidade, os paulistanos não precisam fazer muita força para lembrar o desconforto criado por essa balbúrdia estética. As 390.000 placas de trânsito fincadas nas ruas e avenidas, por exemplo, às vezes mais atrapalham do que ajudam – os próprios moradores se sentem como turistas recém-chegados com tamanha poluição visual. Isso sem falar nos 8.000 outdoors cadastrados na prefeitura e outros tantos irregulares. "São Paulo é o pior pesadelo de qualquer urbanista", diz o arquiteto João Carlos Cauduro, professor da Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da USP. "Nada combina com nada. São tantas as referências que a capital se transformou em um monstro sem identidade."

Cauduro é um dos principais nomes da 6ª Bienal Internacional de Arquitetura de São Paulo, que discute até 11 de dezembro na Fundação Bienal novos rumos para as metrópoles. Neste sábado (26), o arquiteto participa de um debate sobre planejamento visual urbano. O seu projeto carro-chefe para "organizar" a cidade é a revitalização da Avenida Pacaembu, proposto na gestão da prefeita Marta Suplicy e arquivado por falta de verbas. Muretas seriam destruídas para a criação de uma calçada uniforme, a publicidade teria de seguir especificações, a sinalização de trânsito se tornaria padronizada e a fiação iria para debaixo da terra. O custo? Cerca de 55 milhões de reais. Sem o enterramento dos fios, seriam 17 milhões de reais (quase um sexto do valor de uma obra como o túnel da Avenida Rebouças sob a Faria Lima) para transformar a Pacaembu em um bulevar harmonioso.

 

Reprodução
Mudanças na Pacaembu: como mostra a perspectiva acima, os fios seriam enterrados, as placas uniformizadas e os muros derrubados

Limpar a cidade é a obsessão de Cauduro desde o início da década de 1970, quando ele cuidou da comunicação visual dos trens e do metrô da capital. Em 1974, seu escritório foi contratado para dar à Avenida Paulista uma nova identidade, condizente com seu simbolismo. Instituiu semáforos e os pontos de ônibus do corredor. "Os prefeitos que vieram não se preocuparam com a estética de São Paulo", afirma. "O pouco que eu tinha criado acabou destruído e esquecido." Mesmo decepcionado com a falta de fiscalização e manutenção do mobiliário da Paulista (em junho, um totem chegou a cair em um pedestre), o arquiteto continua com planos para a avenida. Além de reformar os postes, recuperar calçadas, bancas de jornal e pontos de ônibus, Cauduro sonha em uniformizar a vegetação e desenvolver uma paisagem coerente. O prefeito José Serra chegou a colocar os olhos no projeto, cuja cópia estava juntando pó na Empresa Municipal de Urbanização (Emurb), mas por enquanto o sonho continua no papel.

 

Reprodução
A Avenida Paulista dos sonhos: estrutura única para cobrir bancas, floriculturas e pontos de ônibus
Mario Rodrigues
     
   
 
 
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