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30 de agosto de 2006
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MEU ESTILO

Antônio Ermírio
Empresário, 78 anos

Sandra Soares

Mario Rodrigues


Um dos empresários mais poderosos, respeitados e influentes do Brasil, Antônio Ermírio de Moraes esbanja vitalidade aos 78 anos. Além de trabalhar pelo menos dez horas diárias à frente do grupo Votorantim, ele dedica-se à Beneficência Portuguesa de São Paulo, uma de suas obras de assistência a pessoas que não podem pagar por tratamento médico, e escreve peças para o teatro. A terceira delas, Acorda Brasil, trata da importância da educação e acaba de virar livro, que será distribuído em bibliotecas e escolas públicas. Com tantos compromissos, não sobra tempo para que ele se divirta. Famoso por sua despreocupação com a aparência, o quarto homem mais rico do Brasil revela que seu terno mais novo (este da foto) foi confeccionado em 1987. Ou seja, há quase vinte anos.

O senhor se incomoda quando o chamam de malvestido?
Sinceramente, não me vejo assim. Só não tenho o hábito de usar um terno diferente toda semana. Quero ser simples, que ninguém me reconheça e que eu possa andar no meio do povo. O luxo excessivo é uma bobagem.

Quem faz os seus ternos?
Meu alfaiate já morreu. A última roupa que ele fez para mim é esta com a qual estou vestido, de... (olha a etiqueta) 1987.

O senhor freqüenta shopping centers?
Claro que não! Pelo amor de Deus, eu tenho mais o que fazer.

Quantos ternos o senhor tem?
Meia dúzia no máximo, todos de cor clara. Cor escura é só para o dia em que eu morrer.

É verdade que o senhor usava ternos de seu pai?
Herdei ternos lindíssimos de meu pai (o empresário e senador José Ermírio de Moraes, morto em 1973). Mas, claro, já não os uso mais. Teve uma vez que ganhei de presente dele um par de sapatos novos, tamanho 42. Quando eu os devolvi para o papai, dava para calçar alguém do tamanho 44, de tão largos que ficaram.

Que paulistano o senhor considera um modelo de elegância?
Minha mulher, a Maria Regina. Ela é simples. E para mim simplicidade é sinônimo de elegância.

Costuma passear pela cidade?
Eu também trabalho nos fins de semana. Mas às vezes leio algo no jornal, me interesso e vou lá ver. Teve um sábado em que li que iam fechar o Colégio de São Bento. Eu estava no meu escritório, na Praça Ramos de Azevedo. Na mesma hora saí e fui a pé até lá, mas não queriam me deixar falar com o padre. Eu insisti e apareceu um de terceira categoria. Bastou eu me apresentar e dizer que tinha interesse em manter o colégio para surgirem padres de tudo quanto é lado (risos).

Acorda Brasil, seu texto mais recente, foi inspirado em uma visita à favela de Heliópolis. O que o fez ir até lá?
Durante um desses passeios de fim de semana conheci a favela, quatro anos atrás. Tive curiosidade de visitar a escola de música erudita que ali existe. Hoje vários de seus alunos são atores da peça.

Sendo autor de teatro, costuma freqüentar espetáculos?
A última vez que fui ao teatro foi há uns dois anos. Costumo ir para cama no mais tardar às 22 horas porque acordo todos os dias às 5h30. E as peças começam tarde.

Sua mulher não reclama de seus hábitos de trabalho?
Desde cedo a Maria Regina se acostumou com o meu jeito. Na nossa lua-de-mel, em 1953, fomos visitar fábricas de aço na Áustria. Mas ela sabe que eu não trabalho só para mim. Tenho quase quarenta anos de atuação em entidades hospitalares de atendimento a carentes.

     
   
 
 
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