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SAÚDE
Duelo
de gigantes
Os
dois maiores laboratórios da cidade,
Fleury e
Delboni Auriemo, investem em
equipamentos de última geração,
serviços diferenciados e megaunidades
para vencer a batalha pelos clientes
Alessandro
Duarte
Fotos Heudes Regis
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egis
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| Investimento
estrangeiro no Delboni propiciou a compra de máquinas de última
geração: tudo automatizado |
Todas
as imagens geradas pelo Fleury podem ser enviadas via internet
a médicos e pacientes: rapidez |
Sair
de casa para encarar uma batelada de exames médicos está
longe de ser um programão. Mesmo quem precisa apenas de um
check-up preventivo fica com aquele friozinho na barriga até
receber os resultados. Fazer com que o paciente se sinta bem na
hora de render-se às agulhas, então, é uma
tarefa dificílima. Mas para os maiores laboratórios
da cidade, Fleury e Delboni Auriemo, realizar essa proeza é
uma questão de sobrevivência. Atualmente os dois travam
uma acirrada batalha em busca da preferência do mercado de
1 milhão de paulistanos que se submetem mensalmente a exames
na capital. Ambos apostam em estratégias parecidas: atendimento
personalizado, unidades cada vez mais luxuosas e equipamentos de
última geração que garantam diagnósticos
rápidos e precisos.
Unidades
do Fleury e do Delboni Auriemo estão espalhadas por todos
os cantos de São Paulo quase sempre uma ao lado da
outra (veja mapa).
A proliferação de filiais do Delboni na cidade nos
últimos quatro anos é surpreendente. Passaram de onze
para dezessete. O Fleury contra-atacou inaugurando duas unidades
nos últimos dois anos (são dez ao todo) e fincou sua
bandeira em Campinas, Brasília e Rio de Janeiro. Apesar da
ofensiva do Delboni, o Fleury ainda lucra mais que o concorrente.
Como centra suas atenções nos paulistanos endinheirados,
seus exames são mais caros e a porcentagem de clientes particulares
(que acabam pagando mais que os convênios) é maior.
No ano passado, realizou 3.000 atendimentos
diários e faturou 250 milhões de reais. O Delboni
teve um faturamento de 200 milhões de reais no mesmo ano
atendendo 5.500 pessoas por dia. "Buscamos clientes
que estejam dispostos a pagar mais por nossos serviços e
confiabilidade", admite o diretor-superintendente do Fleury, Ewaldo
Russo. "Encaramos como concorrentes hospitais de ponta, como o Einstein
e o Sírio Libanês, que contam com bons centros de diagnósticos."
Fotos Heudes Regis
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gis
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| A
ressonância magnética e a sala de fisioterapia do Delboni: exames
e tratamento no mesmo espaço |
O
Delboni não esconde o desejo de disputar freguês por
freguês a liderança com o Fleury. "Criamos o Club DA
para tentar atrair os chamados vips", diz o presidente Caio Auriemo.
Trata-se de um espaço exclusivo para clientes de planos de
saúde executivos e particulares nas unidades do Jardim Sul
e Sumaré. O lugar conta com computadores ligados à
internet, salas para reuniões e para consultas com o médico
particular. Desde que recebeu injeção de capital externo,
em julho de 1999, a filosofia do laboratório tem sido ampliar
o volume de exames realizados para diminuir seus custos. O fundo
de investimentos Patrimônio Private Equity 1 composto
por empresas nacionais, americanas e canadenses adquiriu
o equivalente a 49% das ações do Delboni. Foi criada
uma nova empresa, a Diagnósticos da América. Para
isso, o fundo investiu 100 milhões de dólares na compra
de novas máquinas e aquisição de outras marcas.
Hoje, fazem parte da Diagnósticos, além do Delboni,
o Lavoisier, em São Paulo, Bronstein e Lâmina, no Rio
de Janeiro, e Santa Casa, em Curitiba. Para se ter uma idéia,
todos os exames coletados nas unidades paulistanas são enviados
a uma única central de processamento, em Alphaville. "Muda
apenas o local em que o cliente é atendido, pois o padrão
de resultado é sempre o mesmo", explica Caio Auriemo.
O Fleury
também investiu pesado. Nos últimos três anos,
gastos em expansão e infra-estrutura consumiram 50 milhões
de dólares. Metade desse valor veio de recursos próprios
e metade de um empréstimo com o Banco Mundial. Os diagnósticos
são feitos em uma central no Jabaquara. Para os próximos
anos está em estudo a criação de um supercomplexo
com laboratório, consultórios médicos e hospital-dia.
É o mesmo conceito utilizado pela Clínica Mayo, de
Minnesota, nos Estados Unidos, um dos mais conhecidos centros de
saúde do mundo. Apesar de atender diariamente quase a metade
do número de pacientes do Delboni, o Fleury conta com praticamente
a mesma quantidade de médicos (são 250, contra 266
do concorrente). A dificuldade em fazer parte do quadro de funcionários
do laboratório também é conhecida. Todos os
membros da equipe médica possuem ao menos um mestrado.
Fotos Heudes Regis
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gis
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| Ultra-som
3D e tomógrafo do Fleury: possibilidade de diagnósticos precoces
e mais detalhados |
A dinheirama
investida nos últimos anos fez com que os dois laboratórios
disponham de equipamentos bastante parecidos. Não há
exame importante realizado por um que não seja feito pelo
outro. Na área de diagnósticos por imagem, uma das
que mais evoluíram nos últimos anos, eles contam com
aparelhos de ressonância magnética e tomografia de
última geração, capazes de flagrar nódulos
de poucos milímetros. Os dois centros são certificados
pelo Colégio Americano de Patologistas, uma das principais
entidades médicas dos Estados Unidos. Na área de armazenamento
de imagens, no entanto, o Fleury largou na frente. Desde maio de
2001, implantou entre suas unidades uma rede de fibra óptica
para conseguir enviar imagens de raio X, tomografia, ressonância,
ultra-som e endoscopia. Assim, é possível que o exame
seja visto por uma junta de médicos sem a necessidade de
todos estarem reunidos no mesmo local. Pacientes podem receber as
imagens em casa, mesmo que em resolução menor. O Delboni,
por sua vez, entrou na área de tratamento e inaugurou seu
centro de medicina e reabilitação esportiva, coordenado
pelo fisiologista Turibio Leite de Barros, professor da Universidade
Federal de São Paulo. Serve para a recuperação
de esportistas de fim de semana, atletas amadores e pacientes no
pós-cirúrgico. Também atende aqueles que querem
melhorar o desempenho esportivo. A sensação é
um aparelho importado dos Estados Unidos para medir a força
muscular que possibilita detectar desequilíbrio entre os
músculos, disponível por aqui apenas em alguns departamentos
de clubes de futebol profissional.
Tanto
o Fleury quanto o Delboni têm décadas de história
na cidade. O Fleury é o mais antigo. Foi fundado em 1926,
pelo médico Gastão Fleury da Silveira, recém-formado
pela faculdade de medicina da Universidade de São Paulo,
em uma sala na esquina das ruas José Bonifácio e Líbero
Badaró. Era uma época em que os exames tinham de ser
feitos de forma artesanal, com um técnico observando as variações
das células através de um microscópio. Fleury
morreu em 1963, e hoje o laboratório é administrado
por uma sociedade de médicos. O Delboni Auriemo foi criado
em 1961, por Caio Auriemo e Humberto Delboni Filho, também
recém-formados, que atendiam vinte pacientes por dia num
prédio na Bela Vista. Delboni saiu do negócio em 1999
com a entrada do fundo de investimento estrangeiro.
A área
de diagnósticos clínicos é um filão
lucrativo e só tende a se expandir na cidade nos próximos
anos. Três fatores contribuem para esse panorama: o crescimento
da expectativa de vida da população, que fez com que
a preocupação com a saúde aumentasse consideravelmente
nos últimos anos; a evolução tecnológica,
que ampliou o número de testes; e a popularização
dos planos de saúde. A possibilidade de realização
de exames de mapeamento genético, que medem as probabilidades
de desenvolver ou não determinada doença, deve movimentar
ainda mais esse mercado.
Fotos Heudes Regis
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gis
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| Sala
de café e o atendimento domiciliar do Fleury: carro sem identificação
evita constrangimentos |
O paulistano
só tem a ganhar com essa concorrência literalmente
saudável. Com o advento dos megalaboratórios,
não é preciso peregrinar por vários endereços
se se quer passar por um check-up completo. Hoje, pode-se fazer
um hemograma, uma tomografia computadorizada, um teste ergométrico
e uma ressonância magnética em um mesmo local. Os técnicos
têm cada vez menos contato com as amostras. Quando chegam
aos centros de diagnósticos, os tubos identificados
por códigos de barras são transportados por
robôs, que se encarregam de deixá-los nos departamentos
corretos. Todos os equipamentos são automatizados. "Quanto
menor é a interferência humana, menor é o risco
de erros no diagnóstico", afirma Laís Fieschi Braun
Ferreira, coordenadora do setor de UTI do Hospital São Luiz.
Os diagnósticos também são mais rápidos.
Um hemograma pode ter seu resultado disponível na internet
em até seis horas.
Fotos Heudes Regis
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gis
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| Apresentação
musical e as brincadeiras dos Doutores do Riso, no Delboni:
pacientes relaxados |
Como
essa parafernália eletrônica nem sempre é capaz
de seduzir os clientes afinal, pouca gente sabe a diferença
entre uma tomografia e uma ressonância magnética ,
a ordem é investir em mimos. Quem vai aos domingos à
unidade Jardim Sul do Delboni, por exemplo, pode curtir apresentações
musicais. "Alguns pacientes voltam só para ouvir os músicos",
conta a diretora Cristina Kuwahara. As crianças se distraem
com os Doutores do Riso. No Fleury, o grupo Arte com Balões
se encarrega de entreter a garotada e músicos se apresentam
nas salas de espera de algumas unidades.
A
coleta domiciliar é outra tentativa de personalizar cada
vez mais o atendimento. Com o pagamento de uma taxa que às
vezes é menor que uma corrida de táxi até o
laboratório são 35 reais no caso do Fleury
e 33 reais no do Delboni , uma enfermeira recolhe amostras
de sangue na casa do paciente. O horário da visita é
previamente agendado. "Estamos mostrando aos clientes que isso não
é apenas para quem tem dificuldade de locomoção,
mas é uma boa idéia para ganhar tempo", diz Caio Auriemo.
Uma curiosidade é que os pacientes dos dois laboratórios
se queixavam quando os carros ficavam estacionados na frente da
residência. "Eles não querem que os vizinhos achem
que estão doentes", observa Ewaldo Russo, do Fleury. Mais
uma vez, os dois laboratórios adotaram a mesma estratégia.
Tiraram a logomarca dos veículos para evitar constrangimentos.
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