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PROFISSÕES Viciada
em escovar os dentes Fotos
Mario Rodrigues
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Valquíria, da Unilever: pastas ficam até três anos em teste |
Você é capaz de reconhecer sabores salgados, doces, florais e picantes
no seu creme dental? A farmacêutica Valquíria Seixas da Silva é
uma das poucas profissionais com esse inusitado dom. Ela coordena um grupo de
cerca de trinta pessoas treinadas para testar os cremes dentais da linha Close
Up, da Unilever. Valquíria chega a usar a escova até dez vezes ao
dia. "Quando desenvolvemos um novo produto, precisamos prever qual será
a aceitação do público para os diversos ingredientes que
o compõem", diz. Os técnicos podem levar de dois meses a três
anos provando um creme dental até que ele chegue às prateleiras.
Cada um dos especialistas realiza os testes em cabines individuais equipadas com
uma pia. Ali, anotam as sensações de olfato e paladar que tiveram.
Esses dados são usados na comparação das diversas fórmulas
desenvolvidas pela empresa e ajudam na decisão de qual será lançada
no mercado. "Hoje sou uma viciada em higiene bucal. Mesmo quando estou de folga,
escovo os dentes pelo menos cinco vezes ao dia", afirma Valquíria, que
vai regularmente ao dentista. Sempre a passeio. O paladar tão apurado levou
a farmacêutica a desenvolver como hobby a degustação de vinhos.
"Alguns dos aromas frutados e florais da bebida também estão presentes
nos cremes dentais", explica. Ele bebe
em serviço  | | Ennio
Federico: visão, olfato e paladar para avaliar bebidas |
O gourmet e enólogo Ennio Federico ainda não abandonou o trabalho
como empresário (tem uma importadora de válvulas industriais) para
dedicar-se exclusivamente às degustações. Mas devota um tempo
cada vez maior a elas. Pelo menos três vezes por semana, Federico reúne-se
com amigos em confrarias. Também faz parte do time de degustadores da revista
Gula e atua como consultor de empresas de bebidas que pretendem trazer
novidades ao mercado nacional. Opina sobre a qualidade de vinhos, uísques,
conhaques e cachaças. Primeiro, observa se o líquido em questão
é límpido e cristalino. Depois, usa o olfato para apreciar o aroma.
Só então leva a bebida à boca. Nem sempre, no entanto, ela
é ingerida. "Há degustações com mais de trinta tipos
de cachaça", diz. "Se beber tudo, o sujeito não agüenta." E
por que degustações de cervejas são raras? "É um produto
muito difícil de ser avaliado", explica. "Os consumidores sempre levam
mais em conta suas preferências pessoais que os critérios técnicos."
Será que é ele ou é ela?
 | | Marina,
com codornas recém-nascidas: campeã na arte
de identificar o sexo de aves |
Pode parecer inusitado e é mesmo , mas no universo dos profissionais
que usam os sentidos para ganhar a vida há quem apalpe o sexo de pintinhos,
codornas e outras aves. Na adolescência, Marina Kobayashi levou dois anos
para aprender a técnica japonesa de identificar pelo tato machos e fêmeas
um dia após o nascimento. "Os machos têm uma saliência quase
imperceptível entre as pernas, como se fosse uma bolinha", explica, com
risinhos envergonhados. Essa diferenciação precoce serve para que
as granjas criem as fêmeas em separado. Marina é uma expert. Ela
ganhou sete vezes o campeonato brasileiro de eficácia dos sexadores. Na
última edição do torneio, em 1998, conseguiu a façanha
de separar 100 pintinhos em exatos 2 minutos e 59 segundos menos de dois
segundos para identificar o sexo de cada um deles. Test-drive
de sabonete  | | Roseli,
da Lush: laboratório no banheiro de casa
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Sempre que a fabricante de cosméticos
artesanais de origem inglesa Lush lança um novo produto no Brasil
e são dois a cada mês , a engenheira química Roseli
Grossmann leva serviço para casa. Gerente de controle de qualidade da empresa
no país, ela é responsável por testar sabonetes em formato
de chocolate, espumas de banho, xampus e hidratantes sólidos que chegarão
às lojas. "Quando falo qual é minha profissão, as pessoas
pensam que só manipulo fórmulas químicas", diz ela. "E aí
se surpreendem com a maciez das minhas mãos." Antes de transformar o banheiro
de sua casa em laboratório, Roseli confere se as misturas nos tanques,
feitas com flores, frutas ou legumes frescos, seguem rigorosamente os padrões
determinados pela matriz. Também faz parte de suas atribuições
checar se as cores do que é fabricado aqui são idênticas às
dos catálogos ingleses e se os produtos exalam aroma suficiente para deixar
os clientes com vontade de morder o que está exposto nas prateleiras. "O
grande segredo do controle de qualidade dos cosméticos é a utilização
dos cinco sentidos", afirma. "Mas é o olfato que faz você viajar
pelas essências." A sommelière
do azeite  | | Maria
Luiza: "Para mim, azeitona servia apenas para colocar na salada" |
Ela dava aulas em faculdades de nutrição, mas cansou-se das "picuinhas
entre os professores". Abriu uma consultoria e começou a degustar azeites
quando foi contratada, há oito anos, pela Casa do Azeite Espanhol, entidade
ligada a uma associação de produtores. Para Maria Luiza de Brito
Ctenas, a visão é tão importante quanto o paladar quando
se trata de atestar a qualidade do óleo extraído das azeitonas.
"Se o líquido for bem verde, significa que o fruto é jovem e o resultado,
mais amargo e picante", afirma. Em jejum, basta Maria Luiza colocar um pouco de
azeite na boca por cinco segundos para identificar sutilezas como teor de pureza
e acidez. "E pensar que, para mim, azeitona servia apenas para colocar na salada",
brinca. |