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30 de março de 2005
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Campeões de audiência

MAM reúne Portinaris, Pancettis e
outras estrelas
da arte brasileira
da coleção de Roberto Marinho

Orlando Margarido


Reproduções /Coleção Roberto Marinho
Flora e Fauna Brasileira (acima), de Portinari, e Boneco, de Pancetti (à esq.), xodó do espólio: acervo de 1 342 peças



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Em maio de 1931, o jovem Roberto Marinho, então com 26 anos, assumiu a direção do jornal O Globo e deu início à trajetória que todos conhecem. Nessa mesma década, o empresário das comunicações lançou-se em outra empreitada que seria igualmente bem-sucedida: a de colecionador de arte. Até sua morte, em 2003, aos 98 anos, ele somou um lote de 1.342 obras, a maioria de arte brasileira moderna e contemporânea. Nele, cintilam estrelas como Candido Portinari, Di Cavalcanti, Victor Brecheret, Alberto da Veiga Guignard e José Pancetti. Reservadas às residências da família no Rio de Janeiro, como o palacete do Cosme Velho, as peças são eventualmente exibidas em exposições. Uma delas acontece a partir de terça (29) no Museu de Arte Moderna. O Século de um Brasileiro – Coleção Roberto Marinho reúne 147 trabalhos do excepcional acervo.


Robson Freitas
Roberto Marinho ao lado de uma das esculturas que criou: paixão pela arte

Além de um olhar atento nos talentos que surgiam, Roberto Marinho desenvolveu afeição pelos artistas cujas obras adquiria. Muitas vezes se tornava amigo e mesmo um protetor deles. Nesse último caso estava o paulista Pancetti (1902-1958). Ele manteve seu ateliê a poucas quadras da sede do jornal carioca e recebia constantes visitas do mecenas. O impressionante número de 28 telas existentes na coleção – das quais 23 estão na mostra – dá uma idéia do apreço gozado pelo pintor. É dele, por exemplo, a tela Boneco, xodó do colecionador por representar, segundo suas próprias palavras, "um símbolo do momento solitário em que o menino desenha, com as cores da pureza, o futuro homem que ele será, um dia".

Mulheres na Rua, de Di Cavalcanti (acima), e Baía de Guanabara, de Ismael Nery (à esq.): trajetória como colecionador começou na década de 30

Na seleção que chega ao MAM, Di Cavalcanti e Guignard estão empatados com doze pinturas. Menos que a produção de nanquins e aquarelas de Ismael Nery, campeão absoluto, com 25 trabalhos. "Roberto Marinho gostava de acompanhar as várias fases de um artista e por isso comprou muita coisa de um mesmo autor", explica o coordenador da coleção, Joel Coelho de Souza. Na fase final da vida, o empresário apaixonado pela arte lançou-se num capricho. Influenciado pelos escultores que admirava, como Bruno Giorgi, ele mesmo esculpiu bronzes, peças, essas sim, restritas aos jardins do Cosme Velho.

 
O Século de um Brasileiro – Coleção Roberto Marinho. MAM. Parque do Ibirapuera, portão 3, 5549-9688. Terça a domingo, 10h às 18h. R$ 5,50. Grátis aos domingos e nos demais dias para menores de 10 anos e pessoas com mais de 65. Até 22 de maio. A partir de terça (29).

 

 

     
   
 
 
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