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Em
nome da História
Depois
de oito anos, convento, capela
e teatro
da PUC são tombados pelo Estado
Erika
Sallum
Fotos Renato Chaui
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Fotos
Renato Chaui

De
estilo neocolonial, o Convento das Carmelitas
(no alto, à esq.) e a igrejinha (acima)
são da década de 20. À esquerda,
o Tuca, inaugurado quarenta anos mais tarde |
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Na segunda-feira
passada, o campus da Pontifícia Universidade Católica,
em Perdizes, tornou-se o 111º bem tombado pelo Condephaat
na capital. Passaram a ser patrimônio do Estado o prédio
mais antigo da PUC, a capela e o teatro, conhecido como Tuca.
Em estilo neocolonial, as três construções
foram preservadas por causa de seu valor histórico
e cultural. Ex-chácara pertencente a uma condessa,
a área de mais de 18.000
metros quadrados serviu entre os anos 20 e 40 de convento
para as carmelitas descalças. Em 1946, o terreno foi
doado à universidade católica. O teatro, erguido
na década de 60, virou um marco de resistência
ao regime militar. "Nesse caso, a carga histórica é
o mais importante a ser protegido", diz José Roberto
Melhem, presidente do Condephaat. Apesar de a decisão
proibir futuras reformas nos edifícios, a PUC aprovou
o tombamento, iniciado em 1994. "Sem dúvida, foi um
ato que merece ser aplaudido", comemora o reitor, Antonio
Carlos Caruso Ronca. "Mas ficaria mais feliz se o Estado desse
alguma ajuda para cuidarmos do local."
Por lei,
todo objeto tombado deve ser mantido em boas condições
pelo dono. Ele arca sozinho com as despesas, pois não
há nenhum tipo de auxílio do governo. Na maioria
dos casos, o proprietário acaba não investindo
na área, seja por causa dos altos custos do restauro,
seja pela desvalorização comercial que o tombamento
acarreta. Quando o processo inclui a fachada, o entorno e
o interior do imóvel, a situação piora.
Sem ter como pagar pela reforma, muitos simplesmente abandonam
as construções. Maus exemplos são o que
não falta na capital, que conta, ao menos no papel,
com outros 620 bens preservados pelo Conpresp (versão
municipal do Condephaat). "Reconhecemos a necessidade de haver
alguma compensação para quem sai prejudicado",
diz Melhem. "Dependemos de uma mudança na legislação."
Assim como os processos de tombamento, essa alteração
pode levar anos.
Um caso
triste é o do Conservatório Dramático
e Musical, no centro. Em 1992, o Conpresp tombou o antigo
edifício da escola, na Avenida São João.
Obras de restauro chegaram a ser iniciadas, com verba de uma
parceria com a prefeitura. "O acordo acabou, junto com o dinheiro",
conta o diretor-geral, Júlio Navega. "Não temos
como levantar recursos." Destruída, a fachada está
coberta de pichações e em nada lembra a época
em que o escritor modernista Mário de Andrade lecionava
na instituição.
"É
extremamente importante resguardar nossa memória",
defende a urbanista Raquel Rolnik. "Se não fosse a
lei, São Paulo já teria sido inteiramente demolida."
Segundo ela, uma solução possível para
conservar os imóveis é deixar que os proprietários
vendam seu potencial construtivo (área em que é
permitido construir em um terreno). "Assim se conseguem recursos
sem onerar o Estado." Iniciativas privadas mostraram que as
construções do passado podem ter um destino
mais digno. No fim de 2001, por exemplo, o BankBoston restaurou
uma mansão de oitenta anos localizada na Avenida Angélica.
Perto dali, o Shopping Higienópolis se responsabilizou
pela reforma e administração de dois casarões
em um deles funciona hoje uma charmosa loja do MAM.
"Proteger não significa cristalizar", diz Clara d'Alambert,
especialista do Conpresp. "Sem uma função contemporânea,
os bens tombados estão fadados à deterioração."
| Resultados
bons e maus do tombamento |
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O antigo prédio do Conservatório Dramático
e Musical, no centro, está abandonado há
mais de uma década. A escola não tem
recursos para a restauração, estimada
em 2,5 milhões de reais |
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Após acordo com moradores do bairro, o Shopping
Higienópolis passou a cuidar de dois casarões.
No da foto ao lado, funciona uma das lojinhas do
MAM |
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Fechada há anos, a Casa de Dona Yayá,
no Bixiga, foi tombada em 1998. Ela hoje pertence
à USP, que pretende reabri-la e aproveitar
seu espaço |
Rogério Montenegro
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Um dos últimos casarões da Paulista,
foi tombado em 1985. Reformado por empresários,
hoje abriga o badalado centro
cultural Casa das Rosas
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