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Será
que decola?
A Infraero
promete retomar obras
de estacionamento
em Congonhas
Marcella
Centofanti
Fotos Rogério Montenegro
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A
garagem atual, cercada de tapumes, e a maquete (à
esq.):
3 400 vagas |
Os 11,5
milhões de usuários que passam anualmente pelo
Aeroporto de Congonhas têm uma boa notícia. Em
fevereiro, deve ser iniciada a construção de
outro estacionamento no local. Um acordo entre a Empresa Brasileira
de Infra-Estrutura Aeroportuária (Infraero) e o Movimento
Defenda São Paulo pode pôr fim a uma briga que
se arrasta há cinco anos. Se o prazo da obra for cumprido,
em até dois anos estará concluído um
edifício de cinco andares com capacidade para 3.400
carros. Ele custará cerca de 25 milhões de reais
à iniciativa privada e será erguido sobre a
garagem atual. Cercado de tapumes desde 1997, quando o impasse
começou, o estacionamento oferece precariamente 1.200
vagas. Lá, pagam-se 7 reais a primeira hora e 42 reais
pelo pernoite um terço do valor de uma passagem
para o Rio de Janeiro.
Pelo
acordo, a Infraero se compromete a atualizar o Plano de Desenvolvimento
Aeroportuário (antigo Plano Diretor), preservar o conjunto
arquitetônico original e criar uma comissão de
que participem representantes do Defenda São Paulo,
Associação Comercial, prefeitura e governo estadual.
Em contrapartida, a empresa quer que o Defenda São
Paulo retire a ação que move contra ela na Justiça.
A exigência é contestada por Walter Rothenburg,
um dos procuradores designados pelo Ministério Público
federal para tratar do caso. "Alguns aspectos são inegociáveis",
diz ele, referindo-se a possíveis ilegalidades na licitação
da reforma.
O motivo
inicial da discórdia ainda não está resolvido.
Ninguém chegou a uma conclusão sobre quem é
o dono da Praça Comandante Linneu Gomes, onde funciona
o atual estacionamento. Para Regina Monteiro, presidente do
Defenda São Paulo, ela pertence ao município
e, portanto, não pode ser explorada comercialmente
por uma empresa privada, sem concessão por licitação.
"Se a prefeitura não se importa em ceder o terreno,
então deve regularizar a situação", observa.
O superintendente da Infraero, Tércio de Barros, e
o chefe de gabinete da Secretaria de Governo da Prefeitura,
Ubiratan de Paula Santos, dizem que a propriedade é
da União. De qualquer forma, para apaziguar os ânimos,
o projeto inclui uma praça no topo do edifício-garagem.
Rothenburg afirma que a questão ainda não tem
veredicto e só será definida na Justiça.
Se o parecer for contrário, a obra poderá ser
embargada.
A Infraero
acredita que esse seja o ponto de partida para modificações
maiores em Congonhas. Com uma verba de 38 milhões já
aprovada, pretende em dois anos construir sete pontes de embarque
e amplas salas de espera. O objetivo, segundo a empresa, é
melhorar o conforto dos passageiros, cujo número excedeu
em mais de 4 milhões a capacidade do aeroporto no ano
passado. Os outros envolvidos temem que a reforma não
resolva o problema principal de excesso de usuários.
Mas essa é uma briga para o futuro.
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