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29 de junho de 2005
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Gerald Thomas
Diretor teatral, 50 anos

Ricardo Moreno

Mario Rodrigues
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Vídeo de Um Circo de Rins e Fígados

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Verborrágico, pessimista e polêmico, o diretor teatral Gerald Thomas não tira a morte da cabeça e diz viver angustiado. Com a agenda de endereços e um talão para estacionar nas ruas de Londres, carrega sempre no bolso uma cartela do calmante Rivotril. Compulsivo por trabalho, ele fica em cartaz no Sesc Pinheiros até 3 de julho com a peça Um Circo de Rins e Fígados, protagonizada por Marco Nanini.

Você já foi ilustrador, motorista de ambulância, degustador de café... Se largasse o teatro, o que gostaria de fazer?
Não sei. Todos os dias penso em não fazer mais teatro, mas preciso ganhar algum dinheiro. Agora mesmo estou tocando outros cinco projetos. Entre eles, duas óperas na Alemanha e uma peça em Nova York.  

Além de Um Circo de Rins e Fígados, o que mais você indicaria ao espectador paulistano?
Acho teatro um porre. Não vou nem que me obriguem. Mas, se ainda estivesse em cartaz, indicaria Regurgitofagia, do Michel Melamed.

Qual foi o último filme que viu?
O Terminal, com Tom Hanks. Que coisa horrível! Saí no meio.

Quem é a pessoa mais inteligente no Brasil?
O Haroldo de Campos (poeta e tradutor, que morreu em 2003) foi o cara mais brilhante, intelectual e artisticamente falando.

E a mais burra?
O Congresso Nacional.  

Nova York, Paris, Rio de Janeiro ou São Paulo?
Nova York. Trata-se de uma megalópole na qual você tem a tranqüilidade de andar no meio da rua a qualquer hora da madrugada.

Em que cidade jamais colocaria os pés de novo?
Buenos Aires. É como se fosse um Paraguai vestindo blazer.  

Há algo indomável em sua personalidade?
Sou compulsivo com o trabalho. Se fico um único dia sem trabalhar, acho que é o fim da vida, que estarei arruinado para sempre. Me entupo de calmante para conseguir lidar com essa angústia.  

Você costuma dizer que vai se matar, apesar de também afirmar que tem medo da morte. Não é contraditório?
Não. Estou com a morte na cabeça o tempo todo. Portanto, questiono a vida o tempo todo. O que penso é: vale a pena lutar para ficar vivo, sabendo que a morte está lá na frente? É um enigma ridículo e insuportável.

E como seria sua morte ideal?
Eu iria ao topo do Empire State, em Nova York. E escolheria: Quinta Avenida ou Rua 34? Não tem erro.  

Você se considera um cara fashion?
De jeito nenhum.  

Qual a roupa mais cara que já comprou?
Quase não compro roupas. Por esta camiseta, por exemplo, paguei 3,99 dólares. No Brasil, ganho muita coisa do Walter Rodrigues e do Alexandre Herchcovitch. Em Londres, do Alexander McQueen.

Há quanto tempo usa os mesmos óculos?
Desde os 18 anos. Ganhei do Sistema Nacional de Saúde da Inglaterra.  

E os cabelos, costuma dar algum tratamento especial a eles?
Uso gel. E a Fabiana (Guglielmetti, atriz e mulher de Gerald) corta as pontas de vez em quando.  

Se pudesse definir Gerald Thomas em três palavras, quais seriam?
Sou muito chato.

 

     
   
 
 
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