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MEU ESTILO Gerald
Thomas Diretor teatral, 50 anos Ricardo
Moreno
Mario Rodrigues  |
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de Um Circo de Rins e Fígados | | | |
Verborrágico, pessimista e polêmico,
o diretor teatral Gerald Thomas não tira a morte da cabeça e diz
viver angustiado. Com a agenda de endereços e um talão para estacionar
nas ruas de Londres, carrega sempre no bolso uma cartela do calmante Rivotril.
Compulsivo por trabalho, ele fica em cartaz no Sesc Pinheiros até 3 de
julho com a peça Um Circo de Rins e Fígados, protagonizada
por Marco Nanini.
Você já foi
ilustrador, motorista de ambulância, degustador de café... Se largasse
o teatro, o que gostaria de fazer? Não sei. Todos os dias penso
em não fazer mais teatro, mas preciso ganhar algum dinheiro. Agora mesmo
estou tocando outros cinco projetos. Entre eles, duas óperas na Alemanha
e uma peça em Nova York. Além
de Um Circo de Rins e Fígados, o que mais você indicaria ao
espectador paulistano? Acho teatro um porre. Não vou nem que me
obriguem. Mas, se ainda estivesse em cartaz, indicaria Regurgitofagia,
do Michel Melamed. Qual foi o último
filme que viu? O Terminal, com Tom Hanks. Que coisa horrível!
Saí no meio. Quem é a pessoa
mais inteligente no Brasil? O Haroldo de Campos (poeta e tradutor,
que morreu em 2003) foi o cara mais brilhante, intelectual e artisticamente
falando. E a mais burra? O Congresso
Nacional. Nova York, Paris, Rio de Janeiro
ou São Paulo? Nova York. Trata-se de uma megalópole na qual
você tem a tranqüilidade de andar no meio da rua a qualquer hora da
madrugada. Em que cidade jamais colocaria os
pés de novo? Buenos Aires. É como se fosse um Paraguai vestindo
blazer. Há algo indomável
em sua personalidade? Sou compulsivo com o trabalho. Se fico um único
dia sem trabalhar, acho que é o fim da vida, que estarei arruinado para
sempre. Me entupo de calmante para conseguir lidar com essa angústia.
Você costuma dizer que vai se matar,
apesar de também afirmar que tem medo da morte. Não é contraditório?
Não. Estou com a morte na cabeça o tempo todo. Portanto, questiono
a vida o tempo todo. O que penso é: vale a pena lutar para ficar vivo,
sabendo que a morte está lá na frente? É um enigma ridículo
e insuportável. E como seria sua morte
ideal? Eu iria ao topo do Empire State, em Nova York. E escolheria: Quinta
Avenida ou Rua 34? Não tem erro. Você
se considera um cara fashion? De jeito nenhum.
Qual a roupa mais cara que já comprou? Quase
não compro roupas. Por esta camiseta, por exemplo, paguei 3,99 dólares.
No Brasil, ganho muita coisa do Walter Rodrigues e do Alexandre Herchcovitch.
Em Londres, do Alexander McQueen. Há
quanto tempo usa os mesmos óculos? Desde os 18 anos. Ganhei do
Sistema Nacional de Saúde da Inglaterra. E
os cabelos, costuma dar algum tratamento especial a eles? Uso gel. E a
Fabiana (Guglielmetti, atriz e mulher de Gerald) corta as pontas de vez
em quando. Se pudesse definir Gerald
Thomas em três palavras, quais seriam? Sou muito chato.
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