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DECORAÇÃO
Casarão
Cor
Ex-orfanato
no Pacaembu abriga
a maior edição da
vitrine de arquitetura,
móveis e paisagismo
Marcella
Centofanti
Fotos Leo Feltran
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| O
misterioso prédio que já serviu de abrigo para
crianças da Febem abre seu portão ao público
pela primeira vez: dentro, há tendências como as
raias de natação, presentes em quatro dos 89 ambientes
(este é de Gilberto Elkis) |
Quando
foi fechado, em 1996, o orfanato do bairro do Pacaembu estava em
petição de miséria. Com a pintura descascada,
vidraças quebradas e madeiras devoradas por cupins, nem parecia
o imponente imóvel projetado pelo arquiteto Ramos de Azevedo
no fim do século XIX e tombado pelo Condephaat. Há
dois meses, o decadente e quase inacessível prédio
começou a ser restaurado para receber a maior edição
da Casa Cor, principal vitrine da decoração no país.
Será aberto nesta terça-feira (28) pela primeira vez
ao público. Obras de arte, antiguidades, móveis com
design contemporâneo e vestidos assinados pelo estilista Giorgio
Armani ocuparão o espaço de 46 130 metros quadrados,
transformado em cenário de um condomínio de luxo,
com apartamentos, biblioteca, salão de festas, fumódromo,
lavanderia, cozinhas e um barco. Pelos 89 ambientes, 122 arquitetos,
decoradores e paisagistas exibem estilos diversos, egos infladíssimos
e muita criatividade.
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| Brunete
Fraccaroli assumiu seu apelido e expõe 120 bonecas Barbie
no "apartamento da jovem executiva": roupinhas desenhadas
por Clodovil, Glória Coelho e Alexandre Herchcovitch
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Nove
das treze peças assinadas por Giorgio Armani, exibidas
por Léo Shehtman, fizeram parte da exposição
no Guggenheim de Nova York: à frente, um vestido criado
para Claudia Cardinale |
Nos
corredores, a polêmica é a de sempre: quem ficou com
os ambientes mais requisitados. Quando são convidados, os
profissionais elegem três espaços em que gostariam
de trabalhar. Nem sempre conseguem o que desejam. Os organizadores
não dão conta de atender a todos os pedidos porque
nove entre dez arquitetos querem o living ou o quarto do casal.
Os critérios de desempate são experiência e
histórico na Casa Cor. É aí que surgem os conflitos.
No ano passado, Roberto Migotto se recusou a assumir o restaurante
e ficou de fora. Queria o living, entregue a Jorge Elias. Desta
vez se satisfez com o "apartamento do casal sênior" (os ambientes
ganham sempre nomes desse tipo).
A
volta mais aguardada deste ano é a da estrela Sig Bergamin.
Ele não aceitou o convite para participar da última
mostra por causa de um desentendimento em 2000, quando montou o
"loft do deficiente físico". Bergamin, com toda a razão,
ficou indignado ao ver que os organizadores haviam simplesmente
esquecido de colocar no tal loft as rampas de acesso para cadeiras
de rodas. Agora, criou o restaurante, um dos ambientes mais interessantes
do evento. Nele serão servidos os almoços, comandados
pelo bufê Badebec. A decoração tem influências
árabes e indianas, com um toque inglês, nove espelhos
venezianos e franceses do século XIX, três lustres
e treze vasos de cristal Baccarat e nove luminárias. Juntas,
as antiguidades somam cerca de 750.000
dólares, segundo Bergamin. Figuras do Kama Sutra estão
expostas nas paredes do fundo. Ao lado do restaurante, há
o lavabo de Elisabete Primati. Muito bonitinho, mas pouco prático:
o gabinete sanitário destinado às mulheres é
aberto na parte superior e tem um vão exposto na altura dos
pés, impedindo que seja usado com a necessária privacidade.
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| De
volta à Casa Cor após dois anos, Sig Bergamin
projetou um dos espaços mais ousados do evento: influência
árabe, indiana e inglesa no restaurante, que tem antiguidades
avaliadas em 750 000 dólares e quadros do Kama Sutra
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Quase
tão original quanto o restaurante é o "estúdio
do estilista", de Léo Shehtman. Ele reúne treze roupas
de Giorgio Armani, nove das quais participaram da exposição
realizada no Guggenheim de Nova York, quase dois anos atrás,
em comemoração aos 25 anos da grife. Entre os destaques
estão vestidos usados pelas atrizes Sophia Loren e Claudia
Cardinale, estimados em até 90.000
reais. Estilistas brasileiros, como Glória Coelho, Alexandre
Herchcovitch e Clodovil, estão presentes em forma de miniatura.
Eles inventaram roupinhas para várias das 120 bonecas Barbie
que ajudam a decorar o "apartamento da jovem executiva". Fazem parte
da coleção particular da arquiteta Brunete Fraccaroli,
apelidada justamente de Barbie pelos concorrentes. Parte delas foi
penteada pelo cabeleireiro Wanderley Nunes e calçada por
Fernando Pires.
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| Estreante
na mostra paulistana, o baiano David Bastos usou truques como
móveis baixos e luz indireta para deixar o "estúdio
do esportista" menos claustrofóbico: clima aconchegante
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Maria
Antonia Magalhães e Marina Teixeira decoraram a lavanderia
com padrão americano: livros, jogo-da-velha e computadores
para se distrair enquanto as máquinas cuidam de tudo
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Raias
de natação, um dos modismos do momento no mundo da
arquitetura, estão presentes em quatro ambientes. A mais
impressionante é a do spa projetado pelo paisagista Gilberto
Elkis, com 2,20 metros de largura por 12,70 de comprimento. Fica
no centro de um jardim contemporâneo, com Jacuzzi, cama para
massagens e plantas exóticas. Outra grande atração
é a capela, que coube a Gil Carvalho. Ela abrigará
concertos diários de música sacra, corais e orquestra
de câmara. Quem já pagou a entrada desembolsa apenas
mais 1 real para assistir às apresentações.
Casa
Cor 2002, Rua Angatuba, 756, Pacaembu,
3034-3707.
Terça a domingo, 12h às 21h. R$ 1,00 (crianças
de 6 a 10 anos), R$ 10,00 (estudantes), R$ 15,00 (pessoas com
mais de 60 anos) e R$ 20,00. Grátis para menores de
6 anos. Até 9 de julho. A partir de terça (28).
Estac. (R$ 10,00). www.casacor.com.br.
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