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CRIME
Onde estão os cisnes negros do Ibirapuera?
Segundo a polícia, aves foram roubadas para abastecer o tráfico
de animais Rodrigo Brancatelli Fernando
Moraes
 | | Nove
dos 93 cisnes do lago sumiram em fevereiro: cotados a 600 reais na internet |
"Casal de ararinhas, ótimo estado, penas vermelhas.
Apenas 5 500 reais. Entrega imediata. Pagamento só em dinheiro. Temos também
tartarugas e papagaios." É assim, como se fosse um simples classificado
de apartamento ou automóvel, que animais selvagens são anunciados
pela internet. Tão antigo como a história do país, o tráfico
de animais movimenta 2 bilhões de dólares por ano no Brasil, segundo
dados da Polícia Federal. Ocupa hoje o posto de terceira atividade clandestina
mais lucrativa, perdendo apenas para o tráfico de drogas e de armas. É
um mercado gigantesco, que explora até mesmo a pequena fauna existente
nas metrópoles. Na última semana de fevereiro, ao fazerem a contagem
rotineira das aves que vivem no Parque do Ibirapuera, funcionários deram
por falta de nove dos 93 cisnes negros do lago. Vinte ovos também haviam
sumido dos ninhos. Não foi a primeira vez que eles depararam com esse crime:
em novembro do ano passado, ladrões levaram o macho de um casal de cisnes
brancos. A Polícia Civil, que investiga o caso, acredita que as aves tenham
sido roubadas para abastecer o mercado clandestino de animais. Na mão de
traficantes, um cisne negro chega a valer 600 reais.
Entre 2004 e 2005, o número de apreensões do Comando de Policiamento
Ambiental da Polícia Militar passou de 4 259 para 6 264 na Grande São
Paulo, um aumento de quase 50%. De acordo com um relatório da Polícia
Federal, todos os anos mais de 38 milhões de animais selvagens são
retirados ilegalmente de seu hábitat no país (40% acabam destinados
a abastecer o mercado internacional). Compradores estrangeiros fazem pedidos pela
internet. Nos sites, é possível encontrar também dicas de
como burlar os fiscais do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos
Naturais Renováveis (Ibama). Os principais pontos-de-venda do estado estão
nas cidades de Guarulhos, São Bernardo do Campo, Diadema, Campinas, Jundiaí
e Santa Rita do Passa Quatro, além da Zona Norte da capital, segundo levantamento
da ONG Rede Nacional de Combate ao Tráfico de Animais Silvestres (Renctas).
Para os órgãos de defesa dos animais, as penas brandas estimulariam
esse tipo de comércio. Quem é preso em flagrante transportando um
bicho cujo comércio é proibido consegue sair da cadeia pagando fiança
de cerca de 350 reais. "Mesmo quando alguém é condenado, a punição
é freqüentemente alterada para prestação de serviços",
afirma o ambientalista Dener Giovanini, coordenador-geral da Renctas. "Precisamos
conscientizar a população. Se dependermos apenas das leis, estamos
perdidos." Quanto
valem alguns bichos no mercado negro De
estimação (preços em dólares) •
Arara-vermelha: 3000 • Jibóia: 800 a 1500 • Tartaruga:
350 • Tucano: 2000 | Divulgação
 |
Claus
C. Meyer
 | Para
coleção ou zoológicos (preços em dólares)
• Arara-azul-de-lear: 60000 •
Jaguatirica: 10000 • Mico-leão-dourado: 20000 • Papagaio-de-cara-roxa:
6000 |
Fonte:
Rede Nacional de Combate ao Tráfico de Animais Silvestres e Polícia
Federal |
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