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29 de março de 2006
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Onde estão os cisnes
negros do Ibirapuera?

Segundo a polícia, aves foram roubadas
para abastecer o tráfico de animais

Rodrigo Brancatelli

 

Fernando Moraes
Nove dos 93 cisnes do lago sumiram em fevereiro: cotados a 600 reais na internet

"Casal de ararinhas, ótimo estado, penas vermelhas. Apenas 5 500 reais. Entrega imediata. Pagamento só em dinheiro. Temos também tartarugas e papagaios." É assim, como se fosse um simples classificado de apartamento ou automóvel, que animais selvagens são anunciados pela internet. Tão antigo como a história do país, o tráfico de animais movimenta 2 bilhões de dólares por ano no Brasil, segundo dados da Polícia Federal. Ocupa hoje o posto de terceira atividade clandestina mais lucrativa, perdendo apenas para o tráfico de drogas e de armas. É um mercado gigantesco, que explora até mesmo a pequena fauna existente nas metrópoles. Na última semana de fevereiro, ao fazerem a contagem rotineira das aves que vivem no Parque do Ibirapuera, funcionários deram por falta de nove dos 93 cisnes negros do lago. Vinte ovos também haviam sumido dos ninhos. Não foi a primeira vez que eles depararam com esse crime: em novembro do ano passado, ladrões levaram o macho de um casal de cisnes brancos. A Polícia Civil, que investiga o caso, acredita que as aves tenham sido roubadas para abastecer o mercado clandestino de animais. Na mão de traficantes, um cisne negro chega a valer 600 reais.

Entre 2004 e 2005, o número de apreensões do Comando de Policiamento Ambiental da Polícia Militar passou de 4 259 para 6 264 na Grande São Paulo, um aumento de quase 50%. De acordo com um relatório da Polícia Federal, todos os anos mais de 38 milhões de animais selvagens são retirados ilegalmente de seu hábitat no país (40% acabam destinados a abastecer o mercado internacional). Compradores estrangeiros fazem pedidos pela internet. Nos sites, é possível encontrar também dicas de como burlar os fiscais do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama). Os principais pontos-de-venda do estado estão nas cidades de Guarulhos, São Bernardo do Campo, Diadema, Campinas, Jundiaí e Santa Rita do Passa Quatro, além da Zona Norte da capital, segundo levantamento da ONG Rede Nacional de Combate ao Tráfico de Animais Silvestres (Renctas). Para os órgãos de defesa dos animais, as penas brandas estimulariam esse tipo de comércio. Quem é preso em flagrante transportando um bicho cujo comércio é proibido consegue sair da cadeia pagando fiança de cerca de 350 reais. "Mesmo quando alguém é condenado, a punição é freqüentemente alterada para prestação de serviços", afirma o ambientalista Dener Giovanini, coordenador-geral da Renctas. "Precisamos conscientizar a população. Se dependermos apenas das leis, estamos perdidos."

 

Quanto valem alguns bichos
no mercado negro

 
De estimação
(preços em dólares)

Arara-vermelha: 3000
Jibóia: 800 a 1500
Tartaruga: 350
Tucano: 2000
Divulgação
Claus C. Meyer
Para coleção ou zoológicos
(preços em dólares)  

Arara-azul-de-lear: 60000
Jaguatirica: 10000
Mico-leão-dourado: 20000
Papagaio-de-cara-roxa: 6000

Fonte: Rede Nacional de Combate ao Tráfico de Animais Silvestres e Polícia Federal

     
   
 
 
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