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28 de agosto de 2002
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Aulas do bem

Escolas paulistanas já fazem do trabalho
voluntário uma atividade obrigatória

Valéria França


Renata Ursaia
Estudantes do Santa Maria: cuidados com a praça

Ajudar crianças carentes, participar de mutirões e limpar a praça do bairro são atividades cada vez mais presentes na formação do jovem paulistano. Alguns colégios de prestígio da capital incluíram trabalhos voluntários e filantrópicos no currículo. Os estudantes são levados a conhecer favelas, hospitais e asilos. Em Interlagos, por exemplo, meninos e meninas da pré-escola e da 1ª série do ensino médio do Colégio Santa Maria cuidam de uma praça. Com sacos de lixo e luvas, eles recolhem garrafas plásticas, papel e tudo o mais que pode ser reciclado. Também providenciam adubo e novas mudas para os canteiros. As ações não param por aí. Toda semana, durante duas horas, um grupo de estudantes mais velhos se oferece para tirar as dúvidas de alunos de colégios públicos da região. "As escolas paulistanas estão dando um passo importante para mudar o país", acredita Luis Carlos Menezes, consultor do MEC para a elaboração dos Parâmetros Curriculares Nacionais. "É só praticando que se aprende as coisas."


Renata Ursaia
Distribuição de cestas básicas: um dos treze projetos do São Luís


Na terça-feira passada, às 7 horas da manhã, na frente do Colégio São Luís, alunos da 1ª e 2ª séries do ensino médio carregavam animadamente pesadas cestas básicas para dentro de um ônibus fretado. A missão era distribuir alimentos numa casa que atende moradores de rua. Havia no grupo adolescentes que já estavam envolvidos em outros doze trabalhos, como Felipe Duarte Silva, de 15 anos. Duas vezes por mês, ele promove a recreação na ala pediátrica do Hospital do Servidor Público Municipal. "No início pensei que ficaria deprimido", conta Felipe, que logo se entusiasmou com a ajuda que proporciona a crianças enfermas. Sua colega Renata Preturlan dá, há um ano, aulas de reforço escolar a menores precariamente alfabetizados da favela do Jardim Britânia, na Rodovia Anhangüera. "Eles progrediram tanto que agora estão lendo livros por conta própria", diz Renata.



Renata Ursaia
Creche: obra dos alunos do Waldorf Micael

Antes de escolher o campo de atuação, os alunos do Colégio Waldorf Micael precisam revelar suas habilidades, seja tocar um instrumento musical, seja fazer malabarismo. Os professores os incentivam a transmiti-los para pessoas carentes, como as crianças de uma creche próxima à Granja Viana. A segunda etapa é aprender a elaborar um projeto social, levantando objetivos, dificuldades e custos. Em seguida, os estudantes experimentam diferentes iniciativas solidárias e finalmente escolhem o que querem fazer. As turmas do ensino médio do Colégio Santa Clara, na Vila Madalena, têm de cumprir quarenta horas de atividades comunitárias por ano. Com ações como essas, eles aprendem que a filantropia é um dever do cidadão e exige responsabilidade. "A obrigatoriedade das tarefas é algo positivo", afirma o consultor Menezes. "Trata-se de uma oportunidade de o jovem conhecer de perto realidades que estão muito além dos muros do colégio."

         
     
 
 
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