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28 de agosto de 2002
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CRÔNICA

Aniversário no parque

Uma tarde inesquecível ao lado
de três anjinhos em festa

Walcyr Carrasco


Ir ao parque de diversões com três anjinhos de 12 anos é uma experiência inesquecível. Suficiente para aumentar em cerca de 30% o número de meus cabelos brancos. Tudo começou quando telefonei para minha amiga Márcia.

– É aniversário da minha filha! Ela quer comemorar no parque!

Ofereci uma carona à mãe e às convidadas. Há tanto tempo não ia a um parque de diversões! Logo que os anjinhos entraram no carro, descobri que, se dois corpos não podem ocupar o mesmo espaço ao mesmo tempo, certamente três vozes infantis podem! Falavam sem parar, sempre nos mais altos decibéis, cutucando-se o tempo todo. Tive esperança: devia ser só o entusiasmo inicial. No parque, melhoraria. Mal chegamos, fomos para um carrinho que atravessava uma montanha cenográfica, para depois despencar na água. Impus uma condição: nenhuma podia molhar a outra... Foi sentar, e começaram a atirar água sobre mim! Enquanto eu gritava, era ensopado por todos os lados. Elas, é claro, morriam de rir. Saí do brinquedo com um indisfarçável cheiro de cachorro molhado.

Espertamente, evitei o brinquedo seguinte. Um tal de barco viking, que balançava de um lado para o outro. Os três anjinhos conseguiram berrar mais que as 150 pessoas que estavam no barco. Não pude evitar o próximo. Enquanto girávamos e chacoalhávamos, um DJ engraçadinho, em uma cabine de som, soltava de forró a rock pauleira. A galera gritava. Tive certeza: o apocalipse estava próximo!

Fomos comer hambúrguer. A aniversariante pediu o dela sem maionese. Levou o dobro do tempo e veio... com maionese! Ela foi reclamar. Filosoficamente, ficamos devorando batatinhas mais salgadas que a água do Mar Morto. Séculos depois, ela voltou vitoriosa com o hambúrguer. Eu me lamentava em silêncio. Por que ela não preferiu um aniversário bonitinho, em que eu poderia me fartar de bolo e brigadeiros?

Mal terminado o lanche, foi a vez da roda-gigante. Tenho pânico de altura, mas me controlei para não dar mau exemplo. Na cadeira havia uma roda que girava. Como convencer uma criança a não girar uma coisa que gira? Uma delas começou a passar mal:

– Páááára, gente, pára!

As outras duas passaram a girar a cadeirinha mais depressa. A mãe berrou:

– Vamos parar de girar essa...

Após tão salutar apelo democrático, pararam. Tarde demais. A outra estava verde!

Um detalhe. Antes, havíamos feito uma parada em uma loja de suvenires. Uma delas comprou um tridente vermelho. Adivinhem quem carregou aquele tridente o resto da tarde, enquanto elas giravam e tremelicavam nos brinquedos? O cavalheiro aqui, é claro! Tornei-me uma atração do parque. A criançada passava por mim e não resistia.

– E aí, diabão?

– Tá quente lá no inferno?

Assim que pude, entreguei o tridente a uma delas, que correu atrás da outra, espetando. Um garotinho de 3 anos viu a fera e começou a gritar. Fui explicar à mãe que ninguém pretendia espetar o filho dela. O anjinho aproveitou para dar uma tridentada no meu traseiro. Quando me virei, as três saíram correndo às gargalhadas. Só me salvei porque as luzes diminuíram. Começava a Noite do Terror, uma promoção do parque, na qual atores fantasiados de monstros passeiam entre o público fazendo buuuu para as crianças. Os anjinhos perseguiram um vampiro, que teve de sair correndo!

As meninas voltaram felicíssimas para casa. Meu corpo doía. Minhas pernas estavam em pandarecos. Meus ouvidos latejavam. A aniversariante me sapecou um beijo.

– Valeu! Foi o melhor aniversário da minha vida. Você me leva de novo no Dia das Crianças?

 

         
     
 
 
     
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