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ARTE
Última
exposição
Colecionador
francês morre em
São Paulo no dia
da abertura
da mostra que ajudou a montar
Lúcia
Monteiro
Heudes Regis
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egis
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| François
Dautresme e duas de suas 1 600 peças chinesas que podem ser
vistas na Faap: caixa de casamento de bambu e prato com a figura
de Mao Tsé-tung |
Domingo
passado foi dia de festa na Fundação Armando Álvares
Penteado (Faap). Estavam presentes à inauguração
da mostra Tesouros da China A Arte Imperial, a Arte do
Cotidiano, a Arte Contemporânea 2 000 convidados. Grande
colecionador de arte e objetos chineses, o francês François
Dautresme encontrava-se exultante. Responsável pela curadoria
do módulo Arte do Cotidiano, ele emprestou 1.600
das 1.800 peças expostas e, pela
primeira vez, viu todas elas organizadas em um museu (normalmente,
ficam num galpão na Porte de la Chapelle, no norte de Paris).
No dia seguinte, a exposição abriu para o público.
Já passava do meio-dia quando as assistentes do colecionador
resolveram bater na porta do apartamento em que estava hospedado,
num flat na Rua Alagoas, em frente à Faap. Como ele não
atendia, as duas resolveram entrar. Encontraram-no morto em sua
cama.
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| Porcelana
da dinastia Qing, do século XVII: acervo do Museu Guimet,
de Paris |
Aos
75 anos, Dautresme sofreu um infarto enquanto dormia. Foi um choque
para todos que trabalharam com ele durante a montagem da mostra.
Os objetos que reuniu, em quarenta anos de pesquisa e mais de 150
viagens pela China, são fundamentais para a exposição.
Desde 1963, Dautresme fez incontáveis incursões pelos
vilarejos do interior chinês, recolhendo louças, roupas,
brinquedos, jóias, calculadoras, estojos, amuletos e ferramentas,
que encantam por suas formas originais e pelos materiais com que
foram produzidos. Há tecidos belíssimos, cerâmicas
e objetos de pedra, madeira e metal, mas eram as peças de
bambu que mais o entusiasmavam. Ele chegou a chamar a China de "civilização
do bambu". O material era usado para produzir tanto gaiolas de grilo
como chapéus, peneiras, luminárias, panelas e embalagens
para porcelana. Tudo cheio de pequenos detalhes, milimetricamente
estudados.
Ao
sair do salão onde estão esses utensílios do
cotidiano, o visitante depara com o contrastante módulo de
arte contemporânea: telas multicoloridas de grandes dimensões,
avaliadas, no conjunto, em 2,5 milhões de dólares.
"A arte chinesa está muito valorizada na Europa", afirma
o curador das obras contemporâneas, Jean-Marc Decrop. Há
ainda a parte dedicada à arte imperial, formada principalmente
com o acervo do Museu Guimet, de Paris. Dividido cronologicamente
em seis partes, esse módulo tem obras de até 6.000
anos e peças que foram de propriedade de dinastias chinesas
entre o século XVIII a.C. e 1911. Já as roupas e os
objetos adquiridos por Dautresme pertenceram, em geral, ao chinês
comum. Além de manter sua coleção, Dautresme
vendia utensílios, enfeites e roupas nas dez lojas da Compagnie
Française de l'Orient et de la Chine, em Paris, Bruxelas
e Barcelona. Em São Paulo, a decoradora Esther Giobbi é
sua representante oficial. "Dautresme conhecia os melhores artesãos
de cada vilarejo, que passaram a produzir para ele sob encomenda",
conta Esther. "Eu agradeço aos chineses por ter uma cultura
tão rica e tão bonita", disse-lhe o colecionador no
domingo à noite, pouco antes de se despedir.
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