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RESTAURANTES
Barulho
indigesto
Falatório,
ruídos, música alta... Como
não acabar com
a garganta durante
almoços de negócios
Otávio
Canecchio
Heudes Regis
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| Galeto's
do Iguatemi: burburinho na praça de alimentação |
A
acústica do restaurante é tão importante quanto
a qualidade da comida durante um almoço de negócios.
Um local barulhento onde se ouve um falatório ensurdecedor,
a música é alta e o som dos pratos e talheres ecoa
pelo salão pode transformar qualquer reunião
numa gritaria sem fim. Veja São Paulo convidou o arquiteto
Roberto Saruê, especialista em ruídos urbanos, para
medir a poluição sonora em dez restaurantes na hora
do almoço. O resultado do teste é surpreendente. Em
todos, os níveis de barulho ficaram acima do determinado
pela legislação (veja quadro acima). "Para
manter o conforto acústico, a lei recomenda que o ambiente
tenha no máximo 55 decibéis", explica Saruê,
que utilizou um equipamento digital para fazer a medição.
Renato Chaui
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| Salão
cheio no Esplanada Grill: plantas ajudam a absorver o som |
Dos
estabelecimentos avaliados, o Gero, da grife Fasano, registrou o
melhor índice: 60,7 decibéis. Foi um dos poucos que
revelaram alguma preocupação com o isolamento acústico.
Os concorridos Rodeio, Hampton, Esplanada Grill e Baby Beef Rubaiyat,
todos na região dos Jardins ou do Itaim Bibi e muito procurados
para almoços de negócios, mostraram-se mais agitados.
Ficaram na faixa de 65 a 70 decibéis. Segundo Saruê,
o descuido com a acústica ocorre geralmente durante a elaboração
do projeto arquitetônico do restaurante. "Existe um abuso
de materiais como vidro, espelho e mármore, que reverberam
o som de volta para o salão", afirma. O especialista explica
que pé-direito alto, paredes de tijolinhos aparentes e teto
forrado com lã de madeira tornam os locais mais silenciosos.
"Essas características fazem com que os ruídos sejam
absorvidos", diz. Outros recursos mais simples, como revestir as
cadeiras com tecido, colocar espumas embaixo dos pratos e espalhar
alguns vasos com plantas, também colaboram para que os clientes
tenham paz entre as garfadas. A música ambiente tem de passar
quase despercebida.
Heudes Regis
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| O
Gero da Haddock Lobo: o melhor índice entre os restaurantes
testados |
O consultor
de negócios Cezar Taurion enfrentou, recentemente, uma saia-justa
durante um almoço com um cliente. "Não conseguia ouvi-lo
por causa de uma festa de aniversário que estava acontecendo
no lugar", lembra Taurion. Ele foi obrigado a interromper a refeição
e levar o convidado para o restaurante vizinho. "Não era
tão bom, mas pelo menos estava bem mais sossegado", conta.
Quem procura privacidade precisa evitar sobretudo shopping centers,
bufês e cantinas. Nesses lugares foram registrados os índices
de ruído mais altos durante a medição. No primeiro
caso, o agito da praça de alimentação e das
lojas contribuiu para elevar o barulho na filial do Galeto's no
Shopping Iguatemi. Foi o recordista do teste. Lá, o aparelho
registrou a média de 77,4 decibéis em termos
de comparação, um helicóptero em pleno vôo
atinge 95 decibéis. Mesmo o Ráscal, no Pátio
Higienópolis, que fica em um espaço mais reservado,
tem problemas. Como o sistema é de bufê, os clientes
levantam-se a toda hora para se servir. O burburinho do lugar alcança
68,7 decibéis. Já na tradicional Lellis Trattoria,
nos Jardins, a proximidade das mesas, o teto baixo e o som que vaza
da cozinha deixam a casa com a média de 74,7 decibéis.
"O meu restaurante é realmente barulhento, mas esse clima
festivo faz parte da atmosfera de uma cantina", justifica o proprietário,
João Lellis. Pode até ser uma boa opção,
mas só para os dias de folga.
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