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28 de janeiro de 2004
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NEGÓCIOS

A ginástica dos cifrões

Os professores de educação
física que criam os exercícios
da moda nas academias

Otávio Canecchio

 
Oscar Cabral
Alvaro Romano
• Inventou e é dono da patente
Ginástica natural
• O que é
Exercícios que combinam jiu-jítsu com ioga e lembram os movimentos de animais
• Número de academias que utilizam
o método
na cidade
7
• Valor mensal do licenciamento
350 a 450 reais

Saltar sobre um minitrampolim por uma hora sem parar, fazer movimentos que misturam jiu-jítsu com ioga e aliviar o stress disparando socos contra um saco de areia. Além de proporcionar a perda de calorias, exercícios como esses estão se tornando para seus criadores um negócio e tanto. Para usar as invenções, as academias precisam pagar royalties. Quando uma técnica faz sucesso, transforma-se em uma pequena mina de ouro. Alguns empreendedores faturam mais de 1 milhão de reais mensais só com a venda de licenças. E há redes que gastam até 10 000 reais por mês para ter certas modalidades em suas salas de ginástica. "Quem não dispõe de alguns exercícios de grife acaba perdendo clientes", diz Valter Mesquita, sócio do Projeto Acqua, na Vila Olímpia.

 
Fotos Heudes Regis
Luís Alvares
• Inventou e é dono da patente
Let's boxe
• O que é
Exercícios baseados nos fundamentos do boxe
• Número de academias que utilizam
o método
na cidade
3
• Valor mensal do licenciamento
1 000 a 2000 reais

O número de alunos do Acqua duplicou depois que a academia implantou uma série de programas licenciados, como a ginástica natural. Inventada pelo carioca Alvaro Romano na Praia do Arpoador, no Rio de Janeiro, ela mistura posições do jiu-jítsu com a técnica de respiração e flexibilidade da ioga. Em razão da semelhança dos exercícios com os movimentos de animais, Romano os batizou com nomes de bichos como tigre, macaco e aranha. Atualmente, sete academias de São Paulo desembolsam de 350 a 450 reais por mês cada uma para ter direito ao sistema. "Recebo tantos pedidos que preciso fazer uma triagem dos lugares", afirma Romano. Outro empreendedor de sucesso é o professor gaúcho Luís Alvares, que se baseou em uma experiência de 22 anos como treinador para criar o let's boxe. Alvares vendeu a idéia a três unidades da rede Competition, e em algumas turmas ele mesmo dá as aulas. A principal finalidade é aliviar o stress. "Uso os fundamentos do boxe para que as pessoas descarreguem a agressividade nos sacos de areia", explica o professor.

 
Oscar Cabral
Paulo Akiau
• É dono das patentes
Bodypump, bodycombat, bodystep, bodybalance, bodyattack, bodyjam,
power pool e RPM
• O que é
Atividades em grupo realizadas com peso, bicicleta e outros acessórios
• Número de academias que utilizam o método na cidade
500
• Valor mensal do licenciamento
350 a 770 reais

Inspirada no método de preparação dos astronautas da Nasa, a paulistana Cida Conti inventou há dois anos o jump fit. Segundo ela, a técnica absorve pelo menos 50% do impacto e ajuda a combater a celulite e a osteoporose. Trata-se de uma série de exercícios sobre um minitrampolim de 1 metro de diâmetro. Devidamente patenteada, a aula está em 120 academias da capital. Cada uma paga de 260 a 420 reais por mês para utilizar o método. Todos os instrutores recebem um curso de dezoito horas coordenado por Cida. De três em três meses, as coreografias são renovadas. Na esteira do sucesso, ela lançou há um ano o jump fit circuit. Com duas alças de borracha acopladas ao trampolim, servem para os exercícios localizados. "É ótimo para fortalecer o tronco e os membros superiores", diz a inventora.

 
Cida Conti
• Inventou e é dona das patentes
Jump fit e jump fit circuit
• O que são
Exercícios sobre um minitrampolim
• Número de academias que utilizam o método na cidade
120
• Valor mensal do licenciamento
260 a 420 reais

Há também quem não crie nada, mas se dê bem importando técnicas estrangeiras. Sócio na empresa Body Systems, o paulistano Paulo Akiau conseguiu a concessão para a América Latina de diversos programas lançados pela escola Les Mills, da Nova Zelândia. A Body Systems explora a venda de roupas, mochilas e acessórios da marca. Cerca de 300 000 paulistanos praticam as aulas de bodycombat, bodypump e outras seis modalidades licenciadas. Segundo Akiau, os programas só recebem a aprovação para a comercialização após uma série de estudos científicos. "Além de ganhar dinheiro, é importante que esses professores estejam comprometidos com o nível da ginástica", avalia o consultor em montagem de academias Fabio Saba. "O desafio é manter a qualidade com a expansão dos negócios." Neste verão, a Body Systems lançou a power pool, uma seqüência de exercícios realizados dentro da piscina. A modalidade promete ser um novo hit entre os malhadores. E mais uma boa fonte de lucro para a empresa.

         
     
 
 
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